sexta-feira, 2 de setembro de 2011

SPYMASTER 39 - ESPECIAL

SPYMASTER 39 - UM ESPIÃO DE BIN LADEN NA AMÉRICA - 2ª PARTE

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A CRISE POLÍTICA NO ORIENTE MÉDIO E NO NORTE DA ÁFRICA,UMA AVALIAÇÃO GEOESTRATÉGICA.

CMG (RM-1) MARCIO BONIFACIO MORAES
 
1- ANTECEDENTES
Passados quase seis meses do início da grande transformação política
ocorrida no Norte da África e em alguns países do Oriente Médio, movimento
esse que ficou sendo conhecido como “A primavera Árabe”, torna-se necessário
realizar uma atualização da conjuntura e fazer algumas considerações sobre
tema em questão.
O fato é que agora já existem alguns sinais de quem poderia se
beneficiar com esse movimento, uma vez que a “bandeira” inicial alegada que
era de transformar esses países em democracias, parece cada vez mais,
distante. O fato é que, sabidamente, esses povos nunca viveram uma
experiência democrática ao longo de suas histórias e as suas estruturas
políticas não estão preparadas para funcionar, dentro de uma conjuntura
democrática. O vácuo deixado pelos regimes totalitários está sendo,
paulatinamente, ocupado por outros líderes igualmente totalitários. Ademais, já
aparecem alguns indícios das ligações desses movimentos com grupos radicais
islâmicos que tentam tirar algum proveito da situação.
Passaremos, assim, a analisar os fatos significativos ocorridos em alguns países
onde ocorreram essas manifestações:
a) O EGITO
- A comunidade internacional já se preocupa com os rumos da revolução
no Egito. É desejo manifesto do Cairo de adotar uma política externa mais
independente. Isso se traduz em uma aproximação mais estreita com grupos
terroristas palestinos que utilizam seu território como base contra Israel. Assim,
os EUA já estão pensando em cortar a sua ajuda externa ao Egito.
- Outro sinal perturbador foi a passagem, no final de fevereiro, do
primeiro navio de guerra iraniano pelo Canal de Suez, dirigindo-se para o Mar
Mediterrâneo com destino à Síria em manobras militares. Esse fato nunca havia
ocorrido desde a Revolução Islâmica do Irã, em 1979.
- O novo chanceler egípcio, Nabil Elaraby, assegurou que seu governo
não tem a intenção de renunciar aos Acordos de paz de
o Egito e Israel, firmados em 1978. Mas, desde que assumiu, sua política
exterior ganhou independência tanto dos Estados Unidos quanto de Israel.
- No começo do mês de maio, o chanceler Elaraby anunciou, também,
após uma incomum reunião com diplomatas de alto escalão iranianos, que os
dois países “abriram uma nova página”. Desde então, o Cairo deixou claro que
tenta normalizar as relações com Teerã, algo que supõe um importante revés
para os esforços norte-americanos e israelenses destinados a isolar a República
Islâmica e forjar uma aliança de fato entre Israel, Egito e as monarquias sunitas
da Jordânia e do Golfo.
- Finalmente, cabe ressaltar que o Egito exerce uma grande influência
política na África e no Oriente Médio. As suas instituições intelectuais e
islâmicas estão no centro do desenvolvimento social e cultural da região. A sede
da Liga Árabe
dessa organização é um egípcio. Seu atual chefe, Amr Moussa é um forte
candidato às eleições presidenciais no Egito que ocorrerão em setembro. Ele foi
ministro das Relações Exteriores de Mubarak de 1991 até 2001, quando passou
a ser o secretário-geral da mencionada Liga. Amr é um seguidor da mesma
linha autocrática de Mubarak.
Camp David/USA entre1 encontra-se no Cairo e, tradicionalmente, o secretário-geral
b) A LÍBIA
O quadro politico na Líbia permanece indefinido, mesmo após a tomada
de Trípoli pelos rebeldes. O paradeiro de Gaddafi é incerto e alguns especulam
que ele já teria fugido da Líbia, acompanhado de familiares e de um número
reduzido de seguidores. Gaddafi ainda conta com um pequeno apoio de parte
de suas forças armadas, embora já tenham ocorrido muitos casos de deserção.
Os EUA acompanham de perto a evolução dos acontecimentos, uma vez
que dentre os rebeldes já foram identificados militantes da rede Al Qaeda. É
certo que Gaddafi não retornará mais ao poder e seu futuro permanece uma
incógnita. Parece difícil uma saída honrosa para ele, pois a opção de receber
asílo político no exterior é remota. Ele poderia ficar exilado em uma região da
própria Líbia aguardando seu julgamento, se não for morto até o final das
hostilidades.
1
Iêmen, representantes dos palestinos, Sudão, Líbia, Tunísia, Marrocos, Kuwait, Argélia, Bahrein,
Qatar, Omã, Emirados Árabes Unidos, Mauritânia, Somália e Djibuti.
Os países-membros da Liga Árabe são o Líbano, Egito, Iraque, Síria, Jordânia, Arábia Saudita,
c) A SÍRIA
O Atual presidente Bashar al-Assad se mantêm no poder, controlando as
Forças Armadas e promovendo um violento combate aos rebeldes. A Síria
sempre foi um estado policial com conceituadas e bem treinadas forças
armadas, pois tem como ameças permanentes Israel e o Líbano. Cabe ressaltar
que as tropas sírias abandonaram o Líbano em 2005, mas ainda consideram
esse país como um vassalo.
Cabe resssaltar ainda, a posição estratégica da Síria no Oriente Médio
(vide mapa). Ela tem uma grande fronteira com a Turquia e ainda permite um
acesso direto ao Mar Mediterrâneo e, consequentemente, a Europa.
2 - O IRÃ E A CRISE NO MUNDO ÁRABE
A presente crise no mundo árabe melhorou o status estratégico do Irã,
pois removeu o programa nuclear iraniano da atenção da comunidade
internacional. O aumento do preço do barril de petróleo também levou à erosão
a efetividade das sanções a ele impostas.
O governo do Irã acredita que a “onda islâmica” que está varrendo a
região, marca o início de um processo que terminará com a extinção do Estado
de Israel, e com os sionistas fugindo para seus países de origem. Depois que os
Estados Unidos derrubaram o regime iraquiano em 2003, o Irã sentiu-se
cercado. Agora, Teerã se vê a caminho de completar um "cerco" regional a
Israel - com o Hezbollah ao Norte e o Hamas ao Sul.
O colapso da antiga ordem árabe nos países sunitas moderados do
Oriente Médio é, pelo menos a curto ou médio prazo, é favorável a Teerã e
melhorou significativamente o status geoestratégico do país e sua habilidade de
promover um programa pan-islâmico xiita ambicioso.
O Irã está aproveitando a atual comoção no mundo árabe e a confusão
do Ocidente, para intensificar sua intervenção, influência e interferência nas
regiões que estavam anteriormente sob a influência dos Estados Unidos e do
Ocidente. Assim, ele deverá buscar e preencher o vazio resultante, servindo
como modelo
iranianos não são árabes e sim persas.
islâmico de oposição e independência. Cabe a ressalva de que os
3 – A TURQUIA E A CRISE NO MUNDO ÁRABE
FIGURA 3 – A TURQUIA
A República da Turquia, é um país euro-asiático que ocupa toda a
Península da Anatólia, no extremo ocidental da Ásia e se estende pela Trácia
Oriental (conhecida como Rumélia), no sudeste da Europa (vide mapa).
A localização da Turquia entre a Europa e a Ásia, dominando os estreitos
de Bósforo e Dardanelos (a única saída do Mar Negro) fazem o país
geoestrategicamente importante. A religião predominante na Turquia é o
Islamismo, com minorias de cristãos e de judeus. Os turcos não são árabes e
não devem ser confundidos como tal. A língua oficial é o turco, falado pela
esmagadora maioria da população. A segunda língua mais usada é o curdo
falada pela maior minoria do país, os curdos, que representam cerca de 18%
da população. As restantes minorias constituem entre 7 e 12% do povo.
Em razão de sua localização estratégica, sua pujante economia e suas
forças armadas (segundo país em efetivo militar na OTAN e com o orçamento
de 19 bilhões de US dolares), a Turquia é classificada como uma potência
regional.
O atual primeiro-ministro é o ex-prefeito de Istambul, Recep Tayyip
Erdogan membro do Partido da Justiça e da Liberdade (AKP), de tendência
conservadora e islamista moderada, que ganhou a maioria absoluta dos
assentos parlamentares nas eleições gerais de 2002. Desde então, a Turquia
vem se aproximando do mundo islâmico.
Atualmente, o país enfrenta uma crise em suas Forças Armadas devido a
uma suposta tentativa de golpe militar que teria sido planejada logo após a
posse de Erdogan. Assim, encontram-se presos e ainda aguardando
julgamento cerca de 250 generais, almirantes, e oficiais de outras patentes,
sendo que alguns deles permanecem em serviço. No final do mês de julho o
primeiro-ministro Erdogan exonerou todo alto comando das forças armadas
turco numa inequívoca prova de que ainda existe tensão entre o governo e os
militares.
As forças armadas turcas, ao que parece, perderam o poder e a
influênciua que sempre tiveram desde o fim do Império Otomano e a criação
da “Nova Turquia” por Mustafa Kemal Ataturk, ex-oficial do exército Otomano,
heroi nacional e o primeiro presidente da Turquia.
Existem, ainda, denúncias sobre a prisão de muitos jornalistas e que a
Turquia seria hoje, o país onde haveriam mais profissionais da imprensa
detidos, superando a China e o Irã.
Com referência aos recentes acontecimentos no Oriente Médio a Turquia,
até um passado próximo, mantinha uma posição de proximidade com o
governo da Líbia (o presidente Gaddafi recebeu em dezembro último na
Turquia, um prêmio internacional pela paz), com a Síria e com o Irã. Ela apoia
os movimentos palestinos do Hamas e do Hezbollah contra o Estado de Israel.
4- CONCLUSÃO
Gostaríamos de concluir esta breve Apreciação afirmando que no mundo
árabe não existe unidade e nem uma filosofia comum. O tribalismo é uma
realidade. Alguns estados árabes possuem profundas divergências entre si, não
obstante existam tentativas de uni-los por intermédio de alianças, conferências,
encontros e protestos. A hipocrisia é evidente. Todas as tentativas até hoje
feitas para unir os povos árabes falharam. A mais recente foi articulada pelo
então presidente do Egito Gamal Abdal Nasser quando, em 1958, criou a
República Árabe Unida (RAU), a "nação pan-Árabe", unindo o Egito e a Síria.
Essa aliança foi logo desfeita em 1961.
Assim, concluímos que é muito remota a possibilidade da união dos
povos árabes em torno de objetivos nacionais comuns e que passem a
representar uma ameaça concreta ao Ocidente.
Entretanto, os analistas de Inteligência Estratégica e demais interessados
nas questões árabes e do Oriente Médio devem voltar suas atenções para dois
países: o Irã e a Turquia. Eles são importantes atores na atual conjuntura e em
seus futuros desdobramentos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

"CHINA EXIBE SEU PRIMEIRO PORTA-AVIÕES".

Os chineses estão ufanistas de sua nação, os países que os têm como vizinhos estão apreensivos. Já os EUA se mantêm na indignação e o restante do mundo na perplexidade. Na quarta-feira 10, zarpando do porto de Dalian, a China promoveu a viagem inaugural de seu primeiro porta-aviões – chama-se Varyag, foi construído pela extinta URSS e comprado da Ucrânia. Quem sabia disso? Ninguém, é claro, a não ser o próprio obscurantista governo chinês. A preocupação, assim, se justifica: crer que o Varyag tem finalidade científica, como dizem os chineses, é o mesmo que acreditar que as autoridades daquele país mantiveram tudo em sigilo por mero esquecimento. Teme-se, na verdade, a aceleração de uma expansão militar na Ásia. "Estamos esperando o que a China tem a explicar sobre a necessidade desse equipamento militar", disse a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland.Matéria publicada na Revista "Visão".

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

SPYMASTER 35

SPYMASTER 35 - MAJOR OLEG KALUGIN

sábado, 30 de julho de 2011

SPYMASTER 34

SPYMASTER 34 - CÓDIGO E CIFRAS.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

SPYMASTER 33

OS JUDEUS E AS ATIVIDADES CLANDESTINAS

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A IMPORTÂNCIA DO EMPREGO DE FONTES HUMANAS (HUMINT) NA
ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA
CMG (RM-1) MARCIO BONIFACIO MORAES
“A ausência de um processo de análise contínuo e sistemático, que trabalhe com
todas as fontes de dados disponíveis, pode conduzir a que alguns itens possam
ser grosseiramente superestimados e outros completamente ignorados”.
General Reinhard Gehlen
Chefe do Serviço de Inteligência do Grupo dos Exércitos do Leste,
e um dos fundadores do Serviço de Inteligência Alemão - BND
1- INTRODUÇÃO
Inteligência de Fontes Humanas é, certamente, a mais antiga e
tradicional forma de obtenção de dados e conhecimentos para a Atividade
de Inteligência. Ela é feita, normalmente, por intermédio de agentes,
espiões, elementos infiltrados e recrutados, informantes, prisioneiros de
guerra, defectores e outros.
2 –
EMPREGO DE FONTES HUMANAS PELA ATIVIDADE
INTELIGÊNCIA
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A IMPORTANCIA DO
O emprego de Fontes Humanas na busca de dados sigilosos, técnica
largamente utilizada durante as duas Grandes Guerras e no período da
“Guerra fria” foi, por muito tempo, esquecida e/ou negligenciada. Em seu
lugar, passaram a ter prioridade o emprego das Fontes de Sinais (SIGINT)
de Imagens (IMINT)
expor o elemento humano.
Nos EUA, a CIA, que é o organismo oficialmente responsável pela
administração de busca de dados por intermédio de fontes humanas no
exterior, ficou muito debilitada no setor.
1 e2, consideradas mais seguras, pois não havia o risco de
1
sinais no espectro eletromagnético.
Termo que designa todos os conhecimentos adquiridos por meio da captação de
2
de imagens (satélites, radares, fotografias etc.).
Termo que designa todos os conhecimentos adquiridos por intermédio de captação
2
Os limites impostos à Diretoria de Operações (DO), dando ênfase às
atividades SIGINT
Turner (diretor da CIA de 1979-1981 no governo do presidente Jimmy
Carter) e, posteriormente, os limites impostos no recrutamento
operacional ocorridos durante o governo do presidente Bill Clinton,
fragilizaram ainda mais o setor. Essas restrições chegaram ao extremo de
excluir do processo de recrutamento pessoas que, eventualmente,
tivessem violado direitos humanos ou que fossem engajadas em
atividades terroristas. Além disso, os recrutamentos operacionais só
poderiam ser feitos com a prévia aprovação do DDO
considerado lento, burocrático e ineficiente, considerando que a CIA
possui bases em praticamente todos os continentes e que o número de
assinalados
Se considerarmos que a tarefa de recrutar um militante de uma
organização terrorista como a
um terrorista, a ação estaria automaticamente inviabilizada.
Entretanto, um fato iria mostrar que o emprego de Fontes Humanas
é fundamental para a busca de dados sigilosos. No dia 14 de maio de
1998, o presidente Bill Clinton assistiu perplexo, pela televisão, o
pronunciamento do primeiro-ministro da Índia Atal Behari Vajpayee que,
com pompa e orgulho, declarou:
transformar em uma potência nuclear”.
sucedida operação
êxito uma série de explosões nucleares subterrâneas, embora a região
onde elas ocorreram, estava sob constante monitoramento de satélites de
3 e IMINT4, durante a gestão do Almirante Stansfield5, processo6 é expressivo.Al Qaeda significava, por definição, recrutar“A Índia hoje acaba de seEsse era o fim de uma bem7 sigilosa que conseguiu levar a efeito e concluir com
3
agência pertencente à Comunidade de Inteligência norte-americana e tem a tarefa de realizar o
monitoramento do espectro eletromagnético. É a agência que possui o maior orçamento.
As atividades de SIGINT nos EUA são de responsabilidade da National Security Agency (NSA),
4
pertencente à Comunidade de Inteligência norte-americana responsável pela operação dos
satélites de reconhecimento.
As atividades de IMINT nos EUA são conduzidas pelo National Reconnaissance Office, agência
5
DDO - Deputy Director for Operations- Vice-Diretor de Operações.
6
A Assinalação é a primeira etapa de um recrutamento operacional.
7
A Operação Shakti, foi desenvolvida secretamente na área de testes nucleares de Pokhan.
3
IMINT. A grande pergunta foi: o que teria ocorrido com o eficiente
monitoramento de imagens?
O fato é que desde 1995, por uma indiscrição do governo norteamericano
os indianos acabaram descobrindo que o seu programa
nuclear estava sendo monitorado por satélites. Assim, os indianos
passaram a estudar as órbitas desses satélites procurando identificar os
momentos em que eles não podiam fazer a cobertura da região, alteraram
sua rotina de trabalho e utilizaram recursos de camuflagem impedindo,
assim, que os analistas de imagens norte-americanos notassem qualquer
movimento suspeito. O mais interessante é que a base da CIA em Nova
Déhli possuía uma centena de agentes, que permaneceram inativos. Essa
foi uma grande lição para a Inteligência dos EUA. A busca de dados
sigilosos não pode ser realizada somente por intermédio de meios
técnicos. Ela deve ser integrada com o elemento humano – é o que se
costuma denominar integração de fontes.
3 –
TERRORISMO
8,O EMPREGO DE FONTES HUMANAS NO COMBATE AO
Os acontecimentos ocorridos em 11 de setembro de 2001
os EUA diante de um dilema muito semelhante. Tinham, uma vez mais, que
direcionar o seu esforço de busca de dados por intermédio de meios
técnicos (SIGINT e IMINT), uma vez que não possuíam redes de fontes
humanas estruturadas nos países árabes, especialmente no Iraque, no
Afeganistão e no Paquistão. Assim, o único país capaz de auxiliar os EUA foi
Israel que, por razões de um constante estado de beligerância com os
9 colocaram
8
Délhi que apresentasse ao governo indiano, fotografias obtidas por satélites onde havia sido
detetada atividade na região de Pokhan, área onde os indianos se preparavam para realizar os
testes nucleares. A medida tinha o propósito de mostrar que os EUA monitoravam o programa
nuclear indiano e pressionar o então primeiro-ministro indiano Narasimha Rao para que
suspendesse essas atividades.
Em 1995, o presidente Bill Clinton teria determinado ao embaixador norte-americano em nova
9
Washington.
Atentados contra as Torres Gêmeas em Nova Iorque e contra a sede do Pentágono em
4
árabes, possuía dados atualizados e confiáveis sobre os mencionados
países e os grupos terroristas atuantes.
Dessa forma, a Inteligência de Fontes Humanas voltou à evidência,
especialmente no combate ao terrorismo internacional, nos conflitos
assimétricos e no narcotráfico. Nessas ocasiões é de fundamental
importância o emprego do elemento humano, especialmente nas
infiltrações, no recrutamento, no trato com prisioneiros e com a própria
população.
Após 11 de setembro de 2001, o FBI aumentou o número de agentes
que trabalham com terrorismo e contraterrorismo em 106%, de analistas
de Inteligência em 205% e criou uma categoria especial de agentes
devotados exclusivamente na busca de dados
O mesmo aconteceu com a CIA que também sofreu profundas
modificações durante o governo de George W. Bush
Mesmo com esse novo panorama, recrutar e/ou infiltrar agentes em
organizações terroristas como a
complexa e arriscada. Os escalões mais elevados dessa organização são
ocupados por pessoas já conhecidas e que lá militam desde a sua
formação. Não deve ser esquecido que os mais antigos militantes da rede
10.11.Al Qaeda permanece uma tarefa
Al Qaeda
ocupação soviética do Afeganistão (1979-1989). Por outro lado, situação
semelhante acontece nas organizações estruturadas de narcotráfico.
Outro fator a ser considerado é que nos dias de hoje existe uma
forte tendência em se coletar dados, sem que haja uma preocupação em
analisá-los, sempre buscando um
de 90% do seu orçamento destinado para a Inteligência (estimado em
cerca de US $ 40 bilhões) na busca de dados por intermédio de meios
atuaram contra os russos por cerca de dez anos, durante asignificado final. Os EUA gastam cerca
10
Dados extraídos da revista TIME, de 09 de maio de 2011.
11
Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism Act
Act
comunicações, recrutar e infiltrar agentes.
Em 26 de outubro de 2001 foi assinado o Uniting and Strengthening America by Providing-cujo acrônimo é USA Patriotic. Esse dispositivo legal, dentre outras providências, dá poderes para interceptar telefones, E-mails,
5
técnicos (SIGINT e IMINT) e menos de 10% no processamento e análise
desses dados.
O problema aumenta de complexidade, quando os dados que vão ser
analisados estão em outro idioma, como é o caso dos inúmeros dialetos
árabes. A falta de tradutores e intérpretes especializados faz com que
esses dados sejam, muitas vezes, abandonados ou permaneçam sem ser
analisados por algum tempo.
Um exemplo marcante dessa falta de sinergia no processamento de
dados sigilosos foi o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001.
Existiam indícios que evidenciavam a ação terrorista, mas as falhas
ocorreram na comunicação entre os elementos envolvidos, na análise e
interpretação dos dados disponíveis.
Em 25 de dezembro de 2009, o nigeriano
Abdulmutallab
vôo entre Amsterdã/Holanda e Detroit/USA. A inteligência norteamericana
já possuía todos os dados a respeito dessa pessoa e de suas
intenções
oportunamente.
4-
LADEN
Umar Faroukdetonou um artefato explosivo no avião que fazia um12 mas foi incapaz de analisá-los, interpretá-los e disseminá-losO EMPREGO DE FONTES HUMANAS NO CASO DE OSAMA BIN
Finalmente, vamos analisar os fatos que levaram a descoberta do
paradeiro e morte do líder terrorista Osama Bin Laden, no dia 02 de maio
de 2011.
12
islâmicos em Londres. Em agosto de 2009 a CIA foi informada sobre um “nigeriano” suspeito de reunir-se
com terroristas no Iêmen. Cinco semanas antes do atentado, o seu próprio pai, um dos banqueiros mais ricos
da Nigéria, denunciou-o à embaixada dos EUA e mostrou mensagens enviadas pelo filho por celular, dizendo
estar no Iêmen. A denúncia de seu pai o incluiu, burocraticamente, na lista Terrorist Identities Datamart
Environment (Tide), do Centro Nacional de Contraterrorismo (NCTC), mas não foi considerada pelo FBI, que
não o incluiu na sua TSDB (Terrorist Screening Database), muito menos na lista mais restrita SSSS
(Secondary Security Screening Selection), que o sujeitaria a inspeção mais severa antes de vôos, para não
falar da No-Fly List, que o impediria de embarcar.
O Serviço Secreto Inglês - MI-5 (Campo Interno) registrou o envolvimento de Umar com extremistas
6
Segundo as autoridades norte-americanas, foi mencionado que há
quatro anos os serviços de Inteligência haviam identificado um
mensageiro de confiança de Bin Laden, elemento de ligação com a
organização. Há dois anos, sua área de operação foi descoberta e, em
agosto de 2010, a mansão situada na cidade de Abbottabad foi localizada,
dando início à operação propriamente dita.
A CIA teria mantido na região uma equipe de agentes que fazia o
seu trabalho baseado em uma “casa segura
teria mantido, por meses, uma vigilância sobre o alvo, possibilitando
assim, levantar detalhes físicos da casa, confirmar a sua presença no
local, saber quantas pessoas habitavam a residência e que rotina faziam,
levantar os dispositivos de segurança e outros dados considerados vitais
para a futura operação. Ela foi realizada com extremo sucesso por equipes
dos
captura e morte de Bin Laden, transmitida à base de operações por
intermédio do sinal código
Segundo integrantes da CIA, essa teria sido uma das mais sensíveis e
delicadas operações de Inteligência com emprego de Fontes Humanas, na
história recente da Agência. Esse é um exemplo bem sucedido do
emprego integrado de Inteligência de fontes de imagens, de Sinais e de
fontes humanas em uma operação.
Ainda segundo a CIA, a ida de Osama Bin Laden para Abbottabad
talvez tenha sido o seu grande erro, pois a cidade tem um grande
movimento de pessoas. É sede de uma academia militar, possui
regimentos do exército e é local onde os paquistaneses costumam tirar
férias. Assim, os agentes de Inteligência levaram vantagem sobre o
13”. Esse grupo de agentesSEALS14 da Marinha dos Estados Unidos e que culminou com aE-KIA (Enemy killed in Action).
13
realizar uma base de operações.
Casa Segura ou Safe House é o nome dado ao local utilizado por agentes de Inteligência para
14
Marinha dos EUA.
Acrônimo de United States Navy Sea, Air and Land, força de operações especiais da
7
ambiente operacional tendo mais facilidade para realizar as suas tarefas
em segurança.
5 –
CONCLUSÃO
Concluindo o presente artigo, é oportuno lembrar que uma imagem,
uma interceptação eletrônica de um sinal não são conclusivos por si só.
Eles devem ser integrados pela ação das Fontes Humanas. Eles fazem
parte de um grande
integrados e interpretados pelo profissional de Inteligência, para que
realmente possam ser úteis ao Estado.
“mosaico” e, assim, devem ser analisados,