sexta-feira, 5 de junho de 2015


Ministro da Defesa manifesta pesar pela morte do General Leônidas Pires


Publicado em Sexta, 05 Junho 2015 12:24 | Última atualização em Sexta, 05 Junho 2015 12:34

Brasília, 05/06/2015 - O ministro da Defesa, Jaques Wagner, manifestou votos de pesar e enviou telegrama à esposa D. Doris Pires Gonçalves e à família do ex-ministro do Exército no governo Sarney, General Leônidas Pires Gonçalves, que faleceu ontem (4), no Rio de Janeiro.

"Foi com pesar e consternação que tomei conhecimento da morte do General Leônidas Pires Gonçalves. Neste momento de luto e dor, Fátima e eu, lhe enviamos nossas sinceras condolências, extensivas aos filhos, netos, bisnetos e amigos do General Leônidas".

O Ministro Jaques Wagner será representado pelo Chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, general José De Nardi, nas cerimônias fúnebres que ocorrerão amanhã (6), no Palácio Duque de Caxias.

A cremação será no mesmo dia às 13 horas, no Crematório São Francisco Xavier, no bairro do Caju, Rio de Janeiro

 

terça-feira, 2 de junho de 2015


Defesa reduz número de documentos classificados


Publicado em Segunda, 01 Junho 2015 14:16 | Última atualização em Segunda, 01 Junho 2015 14:16

Brasília, 01/06/2015 – Com o objetivo de ser cada vez mais transparente, o Ministério da Defesa (MD) vem trabalhando para redução no número de documentos classificados como reservados, secretos ou ultrassecretos. No período de 1º de junho de 2014 a 31 de maio de 2015, a queda foi de 7%.

Nos últimos 12 meses, do total de 4.623 documentos existentes no MD, 3.622 foram mantidos com grau de sigilo e 641 foram desclassificados, o que representa 13,8% de documentos que deixaram de ser considerados classificados. Entre junho de 2013 e maio do ano passado, foram classificados 3.866 documentos.

Essa medida segue a orientação da Lei de Acesso à Informação (LAI) que torna pública as relações de documentos classificados e desclassificados em grau de sigilo.

De acordo com o art. 30 da LAI, anualmente são disponibilizados a população o rol das informações que tenham sido desclassificadas nos últimos 12 meses, o rol de documentos classificados em cada grau de sigilo, com identificação para referência futura, e ainda um relatório estatístico contendo a qualidade de pedidos e de informações recebidas, atendidos e indeferidos, bem como informações genéricas sobre solicitantes.

Vale ressaltar que alguns documentos desclassificados, em virtude do término de prazo para sigilo, ainda reúnem informações que, em tese, não podem ser públicas. É o caso de atos reservados, secretos ou ultrassecretos que contenham dados que possam comprometer a segurança da sociedade e do Estado, além de documentos com informações referentes a projetos de pesquisa e desenvolvimento científicos ou tecnológicos.

Também se enquadram nessa situação dados que tratam de assuntos de natureza pessoal, fiscal, bancária, de operações e serviços no mercado de capitais, comercial, profissional, industrial ou a processos que correm em segredo de justiça.

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa

 

Panamá acelera expansão com obras e multinacionais

Com uma agressiva política de atração de empresas estrangeiras e a expansão do Canal do Panamá, o país deve crescer este ano mais de 6%. Uma taxa menor do que obteve nos últimos anos, mas quase o dobro do previsto para a média da América Latina

Nicola Pamplonanicola.pamplona@brasileconomico.com.br

Cidade do Panamá, Panamá - No imponente edifício do shopping Soho Mall, na Cidade do Panamá, ainda se ouve o barulho de máquinas e homens trabalhando, mas já é possível visitar lojas de algumas das grifes mais conceituadas do planeta, como Burberry, Prada e Carolina Herrera. Inaugurado oficialmente há um mês, o complexo — que inclui um hotel e escritórios — é o segundo centro de vendas de artigos de luxo na cidade e reflete o impressionante crescimento do país nos últimos anos. Apesar da crise que assola as maiores economias da região, o PIB do Panamá fechou 2014 com alta de 6,3% e deve repetir o resultado este ano, segundo estimativas da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal).

O bom desempenho é resultado da combinação entre o gigantesco projeto de ampliação do Canal do Panamá, investimento de US$ 5,2 bilhões e cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos, e uma política agressiva de atração de multinacionais. Com isenção de impostos para empresas e seus empregados estrangeiros, o Panamá conseguiu atrair, desde 2007, mais de 100 sedes regionais de companhias de variados portes e áreas de atuação, como P&G, Otis, ABB, Adidas, Hyundai e Philips. No ano passado, a dinamarquesa Maersk, por exemplo, deixou São Paulo para concentrar a gestão de suas operações latino-americanas no país.

“Faz muito sentido estar em um local onde se pode conectar com o mundo todo. Além disso, é um país com crescimento sustentado e economia dolarizada. Não precisamos ficar todo o tempo verificando como está o real ou o peso”, diz a gerente da Philips Lighting para o norte da América Latina, Nadia Cáceres. A empresa transferiu sua sede da Colômbia em dezembro de 2013, atraída pelas condições oferecidas pelo programa Sede de Empresas Multinacionais (SEM). “Os expatriados não pagam impostos e, por isso, é mais fácil atrair gente qualificada”, explica ela, que é natural do Panamá.

Além das vantagens tributárias, o país conta com uma boa infraestrutura financiada pelos norte-americanos, responsáveis pela construção do canal há 100 anos. Além de dois grandes portos, um em cada Oceano, há cinco cabos submarinos de fibra ótica que garantem boa qualidade nas comunicações. Considerado um dos principais hubs marítimos do continente, com grande movimentação de carga ao longo do Canal do Panamá, o país vem ganhando também importância no transporte aéreo, com o esforço para transformar o Aeroporto Internacional de Tucumen em um centro distribuidor de passageiros pelas Américas, com mais de 130 voos diários para 24 países.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censo (Inec) mostram crescimento expressivo no investimento direto, que bateu US$ 4,6 bilhões em 2013 (alta de 71% com relação a 2010), e no PIB per capita, que subiu de US$ 6,9 mil para US$ 8,7 mil no mesmo período. A atração de empresas tem gerado grandes oportunidades para a construção civil, como se nota pela quantidade de edifícios em construção na capital, a maioria arranha-céus no estilo Dubai. O desemprego, porém, embora baixo (3,5%), vem apresentando alta desde 2011, quando bateu no piso de 2,9%.

Apesar de melhores do que as médias da região, os indicadores de desemprego e PIB sugerem uma desaceleração do crescimento e apresentam desafios para os próximos anos, dizem especialistas. O país chegou a registrar crescimento superior a 10% nos dois primeiros anos da década. Com o fim das obras previsto para este ano, cerca de 8,6 mil trabalhadores diretos serão desmobilizados. Além disso, a Zona Franca de Colón, no porto localizado no Oceano Atlântico, tem sofrido impactos da crise econômica de seu maior cliente, a Venezuela.

O país espera manter o ritmo de crescimento com um plano de investimentos de US$ 6,3 bilhões em infraestrutura nos próximos cinco anos, que poderia manter ocupada parte da mão de obra que será dispensada das obras do canal. Na lista de projetos, estão a ampliação da linha 1 e a construção de uma nova linha de metrô e um sistema de transporte de massa para Panamá Oeste, um dos centros de negócios que surgiram na esteira do desenvolvimento dos últimos anos. Além disso, projeta US$ 1,2 bilhão em incentivos à produção agropecuária e na construção de novas linhas de transmissão de energia, um dos principais gargalos logísticos do país.

O principal motor da economia, porém, deve continuar sendo o transporte marítimo. Atualmente, a logística representa 26% do PIB do país, diz o vice-presidente de Desenvolvimento Comercial da estatal Canal de Panamá, Oscar Bazán. A Canal de Panamá tem uma receita anual de US$ 2,6 bilhões com as tarifas cobradas sobre os navios que cruzam os 80 quilômetros do canal, que varia entre US$ 78 e US$ 80 por TEU (medida de capacidade de transporte de contêineres). No ano passado, o lucro foi de US$ 950 milhões.

Ao fim da obra, diz Bazán, a empresa planeja construir um pátio logístico e um terminal de gás natural liquefeito (GNL), para distribuição entre os países importadores da região, como o Chile. “Com as novas eclusas, o canal poderá ser usado como uma rota para o GNL. Hoje, os navios não podem passar aqui”, comenta o executivo. O país prepara ainda a licitação de um novo terminal portuário na capital, chamado Porto Corozal. O terminal atual, chamado Porto de Balboa, é operado pela Hutchison Whampoa, originária de Hong Kong. A licitação deve ser realizada ainda este ano e já tem como interessada a APM Terminals, do grupo Maersk.

Na última sexta-feira, operários da obra de expansão do Canal do Panamá começaram as escavações do trecho que vai ligar o terceiro conjunto de eclusas na região de Miraflores, na capital do país, ao Oceano Pacífico. O cronograma atual prevê que, em setembro, a nova instalação seja alagada. Antes, ainda este mês, procedimento semelhante será feito na outra ponta do canal, às margens do Atlântico. Com a inauguração do projeto, prevista para abril do ano que vem, o país espera ampliar suas receitas e atrair novas empresas.

Novas eclusas começam a ser alagadas este mês

Todos os números referentes à obra são superlativos: são 4,4 milhões de toneladas de cimento, 192 mil toneladas de aço e, hoje, 8,6 mil trabalhadores — durante o pico, chegaram a 10 mil. O investimento de US$ 5,2 bilhões vai permitir a passagem de navios com até 50 metros de largura, contra os 32 metros atuais. A expectativa é ampliar a capacidade do canal dos atuais 38 a 42 navios por dia para até 54 navios por dia. Para isso, a estatal Canal de Panamá criou uma espécie de programa de fidelidade, no qual as tarifas são inversamente proporcionais ao tamanho do navio.

“Acreditamos que, do Brasil, o que está acima de Recife, pode usar o canal para chegar ao mercado asiático”, diz o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da companhia, Oscar Bazán, citando mineradoras com atividades na Amazônia como clientes que podem elevar a utilização. Há expectativa também de um aumento no fluxo de soja brasileira, que começa a ser escoada pelo corredor Norte.

A movimentação de contêineres, porém, deve permanecer nas rotas atuais (da Ásia ao Porto de Santos pelo sul da África), avalia Julián Fernandez, gerente-geral de desenvolvimento de negócios da APM Terminals. “É uma rota competitiva”, diz.

O repórter viajou a convite da Maersk

 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

HOMENAGEM A UM SOLDADO


O Cel Art JORGE TEIXEIRA DE OLIVEIRA nasceu em 03 de junho de 1921, na cidade de General Câmara - Rio Grande do Sul. É filho do Sr. Adamastor Teixeira de Oliveira e da Srª. Durvalina Estibem de Oliveira, e foi casado com a Srª. Aída fibiger de Oliveira. Faleceu em 28 de janeiro de 1987.

"Teixeirão" e o CIGS

O Centro de Instrução de Guerra na Selva foi criado com o Decreto Presidencial 53.649, de 2 de março de 1964, sendo seu primeiro Comandante o Cel Art JORGE TEIXEIRA DE OLIVEIRA. Para capacitar o núcleo inicial de recursos humanos que formaria o corpo docente, o então major TEIXEIRA — " Teixeirão" , como o chamavam os mais próximos — e uma equipe de militares foram enviados ao Panamá e tornaram-se os primeiros "jungle experts" brasileiros no Jungle Operations Training Center (USAJOTC). Após o curso, o Maj Teixeira iniciou um trabalho fantástico de erguimento da estrutura que redundou na formação, em curtíssimo prazo, da primeira turma de guerreiros de selva, em 19 de novembro de 1966.

Como primeiro Comandante do CIGS, coube-lhe a escolha, a delimitação da área da sede do campo de instrução e a construção dos pavilhões que deram personalidade ao Centro de Instrução de Guerra na Selva.

Inúmeros foram seus feitos e destacadas foram suas atuações, conforme atestam os elogios recebidos de seus chefes, sempre enaltecendo seu espírito inquieto, sua vontade inquebrantável, seu caráter firme e sua competência profissional.

Em 5 Jan 69, como comandante do CIGS, foi nomeado, pelo Comandante do CMA e 8ª RM, comandante das tropas brasileiras em Roraima, nas localidades de Bonfim, Normandia, Surumu e Marco BV-8 para fazer face aos problemas advindos da revolução interna ocorrida em Rupumuni – Venezuela, quando exerceu na plenitude suas habilidades de chefe e líder.

A ele também se deve o brado de Selva! Conta-se que na época de sua criação, o CIGS não dispunha de ficha de serviço de viatura em seus primeiros dias, o que levava à sentinela perguntar o destino das viaturas que saiam do quartel. Quase sempre recebia uma resposta apressada e lacônica — Selva! — era seu destino. A resposta curta, tão repetida, fez-se saudação espontânea e vibrante, alastrou-se, expandiu o seu significado, ecoou por toda a Amazônia contagiando a todos com o mesmo ideal.

A 3 de maio de 1970, assumiu a presidência da Subcomissão Geral de Investigação do Estado do Amazonas, por determinação do Senhor Ministro do Exército, sem prejuízo das funções que já exercia.

Foi exonerado do comando em Dez 70 e, já em 71, foi nomeado comandante do Colégio Militar de Manaus. Foi o seu fundador, tendo sido exonerado em 74. Criou, ainda, o Círculo Militar de Manaus (CIRMMAN), sendo o seu primeiro presidente.

Sua atuação e comportamento transcendeu a vida militar, tendo conquistado o carinho e admiração a população amazonense, que certa de sua sinceridade de propósitos e de seu valor, agradecida pelos inúmeros feitos e benefícios que a sua atuação trouxe para o Estado, outorgou-lhe, numa prova eloqüente de reconhecimento e de gratidão, o honroso título de Cidadão do Amazonas, que lhe foi entregue pela Assembléia Legislativa do Estado.

Reconhecendo a importância do trabalho pioneiro do "TEIXEIRÃO", o Exército Brasileiro concedeu ao CIGS a denominação histórica de Centro Coronel Jorge Teixeira.

É uma justa homenagem àquele que legou às gerações posteriores uma escola militar ímpar, considerada a melhor escola de guerra na selva do mundo.

Especialista da ONU condena guerra contra mulheres travada por Boko Haram









“A violência sexual exercida pelo grupo extremista não é meramente um incidente, mas integrada às estratégias de dominação e perpetuação do grupo”, disse a representante especial sobre a Violência Sexual em Conflitos do secretário-geral da ONU.

 

Um grupo de refugiados em Diffa, cidade no Niger, depois de fugir da violência do Boko Haram na Nigéria. Foto: OCHA/Franck Kuwonu

A Representante especial sobre a Violência Sexual em Conflitos do secretário-geral das Nações Unidas, Zainab Hawa Bangura, condenou o objetivo do Boko Haram de criar uma futura geração a sua imagem e semelhança ao capturar, estuprar e tratar as mulheres como simples parideiras de crianças para esses combatentes.

“Nesse contexto, a violência sexual não é meramente um incidente, mas integrada as estratégias de dominação e perpetuação do grupo”, disse Bangura em um comunicado.

“Nas histórias daquelas recentemente liberadas do cativeiro do Boko Haram, eu ouço ecos comoventes das palavras de mulheres e jovens meninas que conheci mês passado no Oriente Médio, que foram libertas de escravidão sexual pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS)” observou Bangura.

A representante disse estar consternada com os relatos de mulheres forçada a casar-se com os seus captores, levando-as a viver uma vida de prisão e gravidez forçada. Estas últimas revelações sugerem que o Boko Haram não só quer destruir as estruturas familiares e de comunidades existentes, mas também controlar sua futura composição.

“De forma a criar uma nova geração feita a sua imagem e semelhança, eles estão travando uma guerra contra a autonomia física, sexual e reprodutiva das mulheres e seus direitos”, disse.

A declaração foi emitida pouco mais de um ano depois que o grupo extremista Boko Haram sequestrou 276 adolescentes em Chibok, estado de Borno, na Nigéria. Muitas delas permanecem em cativeiro, juntamente com centenas de outras pessoas que foram raptadas, tanto antes quanto depois do incidente.

Brasil ainda tem muitas lições a aprender com o México

Assim como muitos brasileiros levam a sério a implicância com a Argentina, ainda há quem fale do México com um certo desprezo. A visita da presidenta Dilma mudou o diálogo entre os dois países

Heloísa Villela heloisa.vilela@brasileconomico.com.br

Foi uma visita que mudou o tom do diálogo Brasil-México. Da mesma maneira que uma boa quantidade de brasileiros leva a sério a implicância com a Argentina, muitos, no nosso país, ainda falam do México com um certo desprezo. Como se o país não passasse de um grande bairro pobre atrelado aos Estados Unidos. Por isso me surpreendeu a declaração do Subsecretário-Geral da América do Sul, Central e do Caribe, embaixador Antonio José Ferreira Simões: “Temos muito que aprender com o México”, disse ele, antes do almoço oferecido a Dilma por Peña Nieto. Aquele que foi muito falado, nos dois países, por conta do brinde à base de cachaça e tequila.

O embaixador se referia, em particular, ao negócio em torno do turismo. Os mexicanos não brincam em serviço e não é à toa que recebem uma quantidade de estrangeiros, regularmente, bem maior do que o Brasil. E não falta costa ao nosso país a ser explorada. Não faltam cachoeiras, chapadas e florestas. Não falta diversidade cultural para ser vista de perto. Porém, segundo dados do Banco Mundial, entre 2010 e 2014, os mexicanos receberam mais de 24 milhões de turistas estrangeiros enquanto o Brasil, com tantos carnavais e até uma Copa do Mundo, não chegou a somar 6 milhões de visitantes. E olha que o México não sai do noticiário internacional como lugar violento, palco da chamada guerra contra as drogas que já matou milhares e continua aterrorizando a população.

Seria muito proveitoso para o Brasil se nessa parceria mais próxima que se propõe agora nós pudéssemos absorver algumas lições. Eles dispensam uma cordialidade aos turistas que vai muito além do nosso calor humano. Não ficam apenas na simpatia. Eles fazem questão de prestar os serviços. De não deixar faltar nada ao turista. A gente leva uma volta aqui outra ali dos motoristas de táxi? Com certeza. Mas isso já vai na conta de qualquer viagem a um país que não é o nosso. O que me chamou a atenção desde a primeira visita ao México, lá pelos idos de 89/90, foi o orgulho histórico. Bastou pisar na Cidade do México para sentir isso com força. Eles têm uma relação com a própria história que os brasileiros não podem nem imaginar.

Foi bacana ver a presidenta Dilma Rousseff destacar, nos discursos, que a civilização que se desenvolveu onde hoje é o México não deixou nada a desejar aos egípcios por exemplo. Uma rápida visita ao Museu de Antropologia deixou mais claro, e rico de detalhes, o que ela estava dizendo. Os povos que viviam naquela região já plantavam milho em 8.000 AC. Os primeiros trabalhos em cerâmica são de 2.300 AC. Muito antes de sucumbir ao massacre promovido pelos espanhóis, a capital do império Asteca, Tenochtitlan, hoje Cidade do México, era uma das maiores do mundo. Tinha cerca de 350 mil habitantes enquanto Pequim somava entre 700 mil e um milhão e Londres não tinha mais de 80 mil. Uma reprodução do que era o mercado da capital Asteca na época, com mercadorias em miniatura e pequenos bonecos dispostos em uma área grande, atrás de um vidro, é de tirar o fôlego. Ali se trocava de tudo em um movimento intenso que reunia cerca de trinta mil pessoas por dia! E Hernán Cortés ainda nem pensava em desembarcar por aquelas bandas. As civilizações Olmec, Izapa, Teotihuacan, Maya, Zapotec, Mixtec, Huastec, Purepecha, Totonac, Tarascan e Asteca floresceram cerca de 4.000 anos antes do primeiro contato com os europeus. 4.000!

A grande lição está na atitude dos mexicanos com relação a toda essa história. Qualquer motorista de táxi fala com orgulho do passado, conta que a capital do país tem cerca de 100 museus e vai descrevendo o que cada um tem de mais interessante. Se o trânsito está como de costume (parado), sobra tempo para destacar que ele sim (o motorista) é um legítimo habitante das Américas. Leva nas veias o sangue dos primeiros ocupantes daquele território. É herdeiro dos guerreiros que desenvolveram ali conhecimentos matemáticos e obras de arte que deixam os visitantes hoje de queixo caído, como também ficaram os espanhóis. E talvez por isso mesmo, pelo choque de se deparar com uma cultura tão sofisticada, os conquistadores barbarizaram... Cortaram estátuas e esculturas pela metade e as transformaram em pernas para altares de madeira. Ergueram catedrais sobre templos astecas. O Palácio Nacional, hoje sede do governo, foi construído com o material que sobrou da destruição da sede do último governo asteca.

O Museu de Antropologia conta que os espanhóis ficaram impressionados com a decoração luxuosa, com as pinturas e murais que decoravam as edificações astecas. Fiquei pensando nisso enquanto olhava, de longe, os murais de Diego Rivera no Palácio Nacional. Também são impressionantes pela riqueza de detalhes e a capacidade narrativa. Contam, em imagens, a história do país, da revolução e da luta dos mexicanos. Segundo os historiadores, Diego Rivera tinha uma intenção declarada com os painéis. Atacar o desprezo e o preconceito da elite europeia com relação aos índios e mestiços do país. Eles são os personagens principais dos murais, a força da revolução mexicana e o motor da economia do país. Eles são os parceiros com os quais o Brasil quer agora se aliar para alavancar a nossa economia.

 

'O naufrágio do PT levará toda a esquerda a uma fragorosa derrota'

Quem diz isso é o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), iniciado na política via Partido dos Trabalhadores e comunidades eclesiais de base. O resultado, segundo ele, será o fortalecimento dos setores conservadores, que têm como principal representante o presidente da Câmara, Eduardo Cunha

Edla Lulaelula@brasileconomico.com.br e José Negreirosjose.negreiros@brasileconomico.com.br

 

"Esse senhor Eduardo Cunha tem que ser detido. Representa tudo o que não presta na política brasileira (...) Onde tem retrocesso e ameaça a direitos, ali está ele”, diz o senador Randolfe Rodrigues

Foto: Joel Rodrigues

Iniciado na política pelo PT e formado pelas Comunidades Eclesiais de Base, o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) diz que a saída contra a crise e o crescimento do conservadorismo passa pela coalizão de forças progressistas democráticas e populares: “Engana-se quem pensa que o naufrágio do PT é solitário. É um naufrágio que levará toda a esquerda a uma fragorosa derrota”. Randolfe prega uma posição clara frente a “esse movimento de viúvas de regime autoritário” e diz que o principal agente do conservadorismo é “o sr. presidente da Câmara dos Deputados”, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O senador elogia a competência técnica do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas acha que ele está no lugar errado: “Levy é um técnico muito competente no mercado financeiro, não para o setor público”.

Que saída o sr. vislumbra para a situação que temos hoje, de governo fraco e falta de alternativas?

Faço primeiro a constatação de que nós vivemos uma crise gravíssima de vários precedentes e de diferentes matrizes no Brasil: há uma crise política, uma crise econômica e uma crise moral. A constatação de que há esta crise moral e ética é o fato de as pessoas não acreditarem em instituição alguma, nem nos políticos. E temos que admitir que há uma responsabilidade direta do Partido dos Trabalhadores nos contornos desta crise. Temos que reconhecer que vamos ter 16 anos pelo menos de um governo que se inaugurou como de centro-esquerda. E que nesse período houve uma parcela da sociedade brasileira que ascendeu devido principalmente ao consumo. Mas esse foi o principal erro da esquerda conduzida pelo PT. A ascensão pelo consumo não educa. O PT nasceu como um partido educador e transformador. A ascensão econômica, principalmente pelo consumo, resultou no que nós estamos vivendo hoje, que é a maior ofensiva conservadora da história desde o golpe de 64. Ascendemos ao poder com um projeto de poder, e não com um projeto de sociedade. Aqueles que ascenderam pelo consumo são os mesmos que hoje batem panelas e fortalecem a onda conservadora contra o PT. Vivemos hoje a maior crise da esquerda brasileira desde o golpe de 64.

Ao cometer erros na economia, o PT fomentou o panelaço?

O PT tem que fazer a autocrítica dos erros cometidos nesses 12 anos. Ao passo que temos que reconhecer os seus méritos, como a ascensão de uma nova classe média e de uma parcela da camada mais pobre que nunca tinha tido direitos, principalmente nos anos do PSDB. Essa polarização PT-PSDB que está aí desde a redemocratização tem que se esgotar. O próprio PT está dando sinais de esgotamento. Os dois partidos se constituíram no nascimento da redemocratização como duas referências inovadoras na política brasileira — o PSDB com uma proposta social-democrata, assim como o PT, na sua evolução — e acabaram naufragando em seus próprios erros. Os erros do PT e do PSDB são verso e contraverso da mesma moeda: se no PT tem o escândalo do mensalão, no PSDB houve o escândalo da reeleição. Foi um outro mensalão que não teve na grande mídia a mesma repercussão do mensalão petista, mas que foi também um escândalo. O PSDB fez um giro lamentável para a direita nos anos 90.

Qual a saída que o seu partido, o Psol, apresenta para o futuro?

O Psol sozinho não será protagonista de uma alternativa para o futuro. Diante desta crise, a alternativa tem que ser de uma coalizão de forças progressistas democráticas e populares. O Psol pode e está cumprindo o seu papel, mas sozinho não cumprirá. O Psol não pode se achar o dono da verdade absoluta e a alternativa redentora da esquerda. O PT outrora assim se propunha, e deu no que deu. O Psol tem que ter a humildade de aceitar ser parte de um todo. Temos que unir os diversos setores da sociedade.

Quem comporia essa coalizão?

Tarso Genro, Lindbergh Farias, Walter Pinheiro e Paulo Paim são pessoas que têm posições criticas dentro do próprio PT. Considero fundamental dialogar com personalidades como Roberto Requião (PMDB-PR). Um amigo e irmão que é uma importante liderança política é o Pedro Simon (PMDB-RS). Temos que buscar esses atores. Temos que ter a clareza de que é necessário dialogar com amplos setores, com o PCdoB e setores do PSB. Eu vejo o PSB em um processo de fusão caminhando na direção da direita. Mas existem pessoas descontentes dentro do PSB, como o ex-presidente Roberto Amaral, a deputada Luiza Erundina (SP), a senadora Lídice da Mata (BA), o deputado Glauber Braga (RJ). A alternativa não estará em um só ator nem em um só partido político.

Já existe um movimento mais amplo formado por pessoas e instituições que assinaram um manifesto contra a política econômica...

Nós, do grupo dos 11 senadores, subscrevemos esse manifesto e constituímos o movimento aqui no Senado para receber o que estava vindo com a insatisfação da sociedade civil. Boa parte desse movimento apoiou a presidenta Dilma Rousseff no segundo mandato. A CUT, o MST e intelectuais como Ladislau Dowbor prepararam o manifesto criticando as opções políticas, e em especial as opções econômicas do segundo mandato da presidenta Dilma. Esse é o caminho, quero estar conectado com isso. A ideia é fazermos um segundo manifesto para ser divulgado dentro em pouco. Vamos combinar: o ministro Levy seria ótimo para um governo do PSDB ou do DEM, mas não para um governo que fez campanha à esquerda, prometendo avançar em mudanças já ocorridas. Esse avanço jamais poderia ser com um ministro da Fazenda vindo do Bradesco.

Que problemas que o sr. vê nisso?

Na campanha foram corretamente criticadas as escolhas políticas de Marina e de Aécio de terem assessores econômicos ligados aos grandes bancos. Estamos há 20 anos vivendo um momento em que só banco ganha. A indústria retrocedeu 3% no último trimestre, o desemprego está em 6,8%. Essas medidas de ajuste fiscal só vão ampliar o fosso da desgraça para os trabalhadores. Segundo o Dieese, somente a ampliação do prazo no acesso ao seguro-desemprego vai deixar quase 4,5 milhões de trabalhadores sem emprego no decorrer do ano. É paradoxal: no momento em que o desemprego aumenta, dificulta-se o acesso ao seguro. Essas medidas de ajuste fiscal não apontam horizontes. O pior — para as pessoas, para o país e para uma geração — é não ver horizonte adiante. O pior dessa situação é que o caminho natural é aprofundar a recessão. Quando se retiram investimentos, com o corte de R$ 69,9 bilhões do orçamento, se reduzem direitos trabalhistas, aumenta a taxa de juros, enfraquece-se a indústria. Cria-se um ciclo vicioso que vai levar o ano de 2015 à recessão e vai entrar em 2016 nesta circunstância. Engana-se quem pensa que o naufrágio do PT é solitário. É um naufrágio que levará toda a esquerda a uma fragorosa derrota e levará ao fortalecimento dos setores conservadores.

Quais as alternativas?

Primeiro tem que parar de falar do imposto sobre grandes fortunas, e fazer o imposto. O governo tem que mandar para o Congresso essa proposta. Os cálculos que projetam a arrecadação com o imposto sobre grandes fortunas apontam para R$ 90 bilhões. O arrocho fiscal contra os trabalhadores não chegou a R$ 20 bilhões. A operação Zelotes mostrou que o total das fraudes resultaria em R$ 20 bilhões tirados dos cofres públicos. O senador Otto Alencar (PSD-BA) falou muito corretamente que pode começar a cobrar imposto do pessoal que está na Avenida Paulista, que não será necessário punir os trabalhadores. A CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) de empresas poderia ser ampliada. A taxação dos bancos também. O que não pode é a conta sempre cair no lado mais fraco.

Se o sr. estivesse na cadeira da presidenta, o que faria?

Reconheço que o Brasil virou o ano com um déficit acima da média, de 6,7% nas contas públicas. É bom que se diga que esse déficit se deve aos erros do próprio governo, como aquela medida de desonerar o grande capital. Se eu estivesse no lugar da presidenta, faria um diálogo nacional, colocaria a situação e faria a autocrítica dos erros cometidos. Tem que ampliar a CSLL, aumentar a taxação dos bancos, ampliar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e até criar uma taxação sobre a movimentação financeira para os ricos. Criamos a CPFM, que atingiu a classe média, mas tinha que haver uma taxação direta sobre esses setores. Não dá para entender porque aumentou a taxa de juros no Brasil. Ampliando a taxa de juros, amplia-se o estoque da própria divida. Contenção de inflação não se faz com ampliação de taxa de juros. Temos que acabar com essa receita de uma nota só, ortodoxa. Toda vez, para conter a inflação, aumenta-se a taxa de juros. Isso só beneficia os bancos. A inflação é de dois tipos. Há a inflação de preços administrados, que o governo tem como controlar, e a de safra. O que a taxa de juros altera no preço administrado e na safra? Vai fazer chover mais?

O sr. faz críticas a Levy e ao mesmo tempo fala dos erros do primeiro mandato, em que a Fazenda foi conduzida por Guido Mantega, heterodoxo...

Não questiono a competência do atual ministro da Fazenda. Levy é um técnico muito competente para o mercado financeiro, mas não para o setor público. Ele tem a perspectiva de uma escola que ficou conhecida como “Chicago boys” (alunos de Economia da Universidade de Chicago, influenciados por Milton Friedman, para quem a principal causa da inflação era de origem monetária), uma escola que adota modelo de redução do Estado e modelos econômicos cuja regra tem sido o fracasso. A faculdade de Economia da Universidade de Chicago forma para o mercado financeiro. Não critico as medidas de crescimento do ministro Mantega. Critico e acho que foi um erro a desoneração das grandes empresas. Houve também outras medidas que ocorreram artificialmente, uma delas foi a questão energética. Houve uma sustentação artificial dos preços da energia, quando não tinha como sustentar. Houve o problema da corrupção na Petrobras, onde o principal problema foram decisões temerárias. Adoraria uma refinaria no Amapá, mas as refinarias que o governo inaugurou não tiveram rentabilidade nenhuma. Os investimentos da empresa criaram o déficit de caixa da Petrobras, que também tem consequências no déficit do país.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, adotou medidas ortodoxas e foi reeleito...

A vitória do Cameron tem suas próprias contradições. O partido conservador alcançou a maioria sozinho. Mas tem o fenômeno em que o segundo partido é o Partido Nacional Escocês, e daqui a pouco vai voltar à pauta o tema da separação da Escócia. E o Cameron ainda não adotou as medidas recessivas de diminuição do Estado. Eu quero trazer à tona a questão da Europa, que tomou medidas recessivas e o efeito foi contrário. A Espanha está afundando e o Podemos (partido espanhol de esquerda) poderá ser a alternativa política. Na Grécia, as medidas ortodoxas levaram o país ao fundo do poço e, por isso, Syriza ascendeu por lá. A França tem crescido pouco e está caminhando para a recessão. Os EUA tomaram medidas keynesianas e optaram por um caminho diferente com o Obama, e estão retomando o crescimento. A China tem uma poupança enorme, que até quer trazer para cá. Na Europa e na América Latina, estamos tendo retrocesso, e não crescimento, porque boa parte dos países está agora adotando a ortodoxia.

Como o sr. vê esse movimento conservador, que cresce também no aspecto moral e político, com propostas como a redução da maioridade penal e a rejeição ao casamento
de pessoas do mesmo sexo?

O movimento conservador tem um prócere no Congresso Nacional que se chama Eduardo Cunha (deputado federal, presidente da Câmara, PMDB-RJ). Se tem alguém que representa o atraso do atraso do atraso, é o senhor Eduardo Cunha. Esse senhor Eduardo Cunha tem que ser detido. Representa tudo o que não presta na política brasileira. Entrou na política pelas mãos de PC Farias, personagem de um dos piores escândalos da história do país. Onde tem coisa ruim, o Eduardo Cunha está. Onde tem retrocesso e ameaça a direitos, ali está ele. E onde tem corrupção, está lá ele. Ele pensa que faz tudo na República. Ameaça o procurador-geral, recusa-se a ser investigado, pensa que está acima de tudo e de todos. Extorque e chantageia governos. Temos que ter uma posição clara em relação a esse movimento ultraconservador de viúvas de regime autoritário. Eles têm representação dentro do Congresso e não é só o PSDB. O principal agente de oposição ao governo e de fortalecimento desses movimentos conservadores é o senhor presidente da Câmara.

E o confronto aberto entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a presidente Dilma?

O Legislativo tem que ser independente. Essa independência não pode ser circunstancial. Quero que o presidente do Senado continue numa linha de fazer frente aos projetos que são contra os trabalhadores. Ele se colocou contra o ajuste fiscal. É importante essa postura também em relação à terceirização. Existe uma diferença entre a posição de Renan e a do presidente da Câmara, que é claramente de chantagear o Executivo.

Renan não chantageia?

O presidente do Senado tem uma chance importante agora para sua biografia, de se redimir dos erros e pecados do passado. Torço para que essa postura que ele inaugurou seja mantida. Significa nem tanto ao céu, nem tanto à terra, sem ofensa ao Executivo, mas com independência. O desafio para o presidente do Congresso é manter essa postura. Não votei nele para presidente do Senado, votei no Luiz Henrique. Mas se ele mantiver uma postura que seja de independência, resguardando os direitos do plenário, como deve proceder um magistrado do Congresso, ele se redime de erros e pecados cometidos em sua trajetória. Renan tem uma chance importante agora de não se misturar com Cunha. Ele pode tomar atitudes inversas às que tem tomado Cunha, que declarou guerra ao procurador-geral da República por estar sendo investigado.

Como analisa a maneira como o presidente da Câmara conduziu a votação da reforma política?

Foi o exemplo concreto de como ele representa tudo o que há de atraso. Ele usou uma manobra regimental para passar duas questões de seu interesse no Congresso. Depois de ter sido derrotado, conseguiu passar o financiamento privado de campanha na reforma política e também incluiu como contrabando na MP 668 o “parlashopping”, com o claro interesse de atender ao interesse privado. Essas são duas manobras que retratam o que ele representa. Por isso que eu reitero: Eduardo Cunha é o escárnio à Nação. A reforma política que ele propõe é uma contrarreforma, é recessiva, contra o que temos de democracia. Ele propunha distritão, uma coisa que só tem em três lugares do mundo. Ele quer, a todo custo, institucionalizar o financiamento privado de campanha. Se o Cunha diz que é inocente da Lava Jato, propor a institucionalização do financiamento privado é a confissão de culpa.

Qual seria a reforma ideal?

Estou apostando muito em propostas que a Coalizão por uma Reforma Política e Democrática (constituída por movimentos sociais liderados por CNBB e OAB) apresentou. São as melhores para aperfeiçoamos a democracia. O voto proporcional em dois turnos é mais adequado porque mantém o princípio da proporcionalidade e acaba com aquela história de uma personalidade eleger outros que não têm votos. Segundo, o Congresso tinha que ter a coragem de acabar com o financiamento privado de campanha, mas acho que isso não vai acontecer nunca. Essa seria a mãe de todas as reformas: acabar com o financiamento privado, que hoje tem sido pai e mãe de todos os escândalos de corrupção. Outra coisa, os partidos pequenos têm que ter a vocação de crescer. É inadequado termos uma disputa presidencial em que tenha candidato levando para o debate órgão sexual, como houve na última disputa presidencial. É preciso colocar um freio de arrumação nos partidos de aluguel. O Psol e o PCdoB têm que compreender que eles têm que crescer. Não podem conviver no mesmo grupo e plêiade de partidos que colocam preço a cada eleição.

Na MP que restringiu o abono salarial, a vitória do governo foi apertada. Como o sr. analisa essa forte reação ao governo?

É um equilíbrio de forças. A boa nova de tudo isso é uma dissidência, formada por um grupo parlamentar progressista de esquerda, suprapartidário, que está fazendo diferença. Cumpriu o seu papel de pressionar o governo e se posicionar contra as propostas. Fico mais à vontade por estar na companhia desses 11 parlamentares, gente como Walter Pinheiro, Paulo Paim, o PSB de Lídice da Mata, do que ao lado do PSDB ou do DEM. As lideranças desses dois partidos não têm coerência para criticar medidas contra o trabalhador. Durante o governo do PSDB, houve medidas de igual gravidade contra os trabalhadores. Nenhuma liderança do DEM tem condição de falar contra a retirada de direitos dos trabalhadores. O DEM é herdeiro do PDS e do PFL. Era o partido base do Centrão (frente parlamentar conservadora), contra os trabalhadores na Constituinte.

Como católico, qual a sua posição diante de temas defendidos pelos conservadores?

Para a Igreja Católica, a melhor coisa que surgiu nos últimos tempos foi o Papa Francisco. Ele foi a salvação de uma Igreja enquanto comunidade. Nos últimos anos, houve um retrocesso enorme com as teorias mais conservadoras avançando na Igreja. O Papa Francisco faz a redenção da Teologia da Libertação. Fez a beatificação de Dom Oscar Romero, iniciou o processo para beatificar Dom Hélder Câmara, que são referências de uma igreja voltada aos pobres. As concepções que estão querendo colocar na pauta conservadora da Câmara sequer dialogam com a identidade cristã. Elas dialogam com o ódio. Se dizem concepções religiosas, mas são fundamentalistas. Não acredito em um Deus que só pensa no castigo.

Os movimentos das ruas em 2013 já sinalizavam esse conservadorismo?

Se em 2013 o governo tivesse dado respostas e apontado caminhos, não haveria esse retorno às ruas agora com bandeiras conservadoras e alguns com proclamações fascistas e pedidos de intervenção militar. O movimento de 2013 pelo menos tinha um quê de progressista, porque exigia direitos legítimos, como mobilidade, educação e saúde. Mas não houve resposta concreta. Hoje quem continua mandando no sistema de transporte no Brasil são os mesmos empresários de ônibus de sempre.

Os cinco pactos propostos pela presidenta foram esquecidos?

Dos cinco pactos, o único que eu saúdo e acho que avançou foi o Mais Médicos. Mas deveria haver outros passos, como a ampliação dos investimentos em saúde, aprovar os 10% da Receita Bruta do Orçamento para saúde. Ainda padecemos de uma chaga que são os 9% de analfabetos na população brasileira. Um governo progressista e transformador, como se propunham a ser os dois governos do PT, deveria ter feito o crescimento pelo consumo, mas não poderia abrir mão de um pacto para até 2015 declarar o Brasil livre do analfabetismo. É uma medida simples, mas transformadora. Vamos sair desse governo de centro-esquerda com o seguinte ensinamento: não adianta promover as massas somente pelo consumo, se não tiver um projeto transformador de sociedade.

Que líderes políticos o sr. acha que representariam esse projeto transformador?

O Lula se constituiu como a principal liderança da esquerda não só pela sua história, mas também pelos seus governos. Mas existe hoje um desgaste enorme do PT, que pesará sobre ele também. Aécio enfrentará no PSDB o Alckmin, que está construindo sua candidatura presidencial. Há espaço para alternativas, mas se configura um quadro de escassez de lideranças. Por isso, a alternativa será a busca conjunta dos setores que se identificam com a esquerda.

E Marina e o PSB, que tiveram quantidade expressiva de votos em 2014?

O crescimento do PSB em 2014 foi em torno de Marina, que aparentemente não está umbilicalmente conectada com o partido. Ela vinha de outro projeto que era a Rede. Criei condições para apoiar a Marina, caso ela fosse para o segundo turno. Como não foi, opinei que o melhor apoio não seria o PSDB. O apoio à candidatura do PSDB jogaria fora a alternativa de terceira via. Foi um erro dela o apoio à candidatura do PSDB. A posição mais adequada seria a de independência, para manter viva uma alternativa da terceira via.

O sr. é relator da CPI do HSBC. Por que as discussões estão paradas?

Vão avançar agora. Conseguimos marcar para esta semana o depoimento de Henry Hoyer, que hoje está ligado à Operação Lava Jato (era um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras, junto com Alberto Youssef) e teve sua conta também relacionada no HSBC. Temos pouco material, mas temos os elementos necessários para que a CPI avance. O caso do HSBC não é um escândalo qualquer. É o maior escândalo de evasão fiscal do mundo. E o Brasil é o protagonista desse escândalo. É o quarto em número de correntistas e o nono em movimentação financeira. A movimentação financeira no Brasil é superior às dos xeques da Arábia e de uma centena de outros países. O que apuramos até agora com o depoimento de especialistas e do secretário da Receita Federal (Jorge Rachid) é que nós temos uma rede de depósitos de contas no exterior. O Brasil não tem controle quase nenhum sobre isso. Só nesta agencia do HSCB na Suíça, são US$ 7 bilhões.