quinta-feira, 13 de junho de 2013


País pode ganhar '2 Sergipes' em área indígena
DANIEL CARVALHO
DE SÃO PAULO
Principal motivo de desavença entre índios e produtores rurais, ainda há ao menos 196 terras indígenas a serem demarcadas pelo governo federal no país.
Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), 81 terras --que juntas equivalem a área de dois Estados de Sergipe-- precisam apenas ser homologadas pela presidente Dilma Rousseff.
A homologação, uma das últimas etapas para reconhecer que uma área pertence aos índios, é atribuição exclusiva do presidente e ocorre depois que a Funai e o Ministério da Justiça demarcam e delimitam a terra.
Outras 115 áreas estão em estudo e o governo não sabe a dimensão final que terão.
Em média, Dilma concedeu aos índios menos terras do que seus antecessores.
Foram dez áreas (966 mil hectares) reconhecidas por Dilma em 2011 e 2012.
Nos oito anos de governo FHC (1995-2002), foram homologadas 145 áreas (41 milhões de hectares), ante 84 (18 milhões de hectares) na gestão de Lula (2003-2010).
DESIGUALDADE
O Brasil tem hoje 476 terras indígenas em 105,1 milhões de hectares, o equivalente a um oitavo do território brasileiro.
É como se os 896.917 índios que vivem no Brasil tivessem, incluindo as reservas indígenas, quatro Estados de São Paulo para viver.
Na média, são 117 hectares para cada índio. Contudo, na prática, pesquisadores dizem não haver tanto espaço.
"A distribuição não é igual. Na Amazônia é que há áreas enormes, bonitas, com recursos. Uma área indígena não é um pedaço de terra para espremer uma família. É território para reproduzir um modo de vida", diz a antropóloga Lucia Rangel, da PUC-SP.
Em Mato Grosso do Sul, foco da crise indígena atual, há 38 terras para 77 mil índios.
Na reserva de Dourados, no sul do Estado, 14 mil guarani-caiová vivem em 3.470 hectares. É como se quatro índios fossem obrigados a viver e a plantar no espaço de um campo de futebol.
"Dentro das áreas indígenas demarcadas a vida é insuportável porque o modo de vida indígena não é favela", afirma Rangel.
O confinamento traz consequências sociais, diz Tonico Benites, índio guarani-caiová e antropólogo da Universidade Federal do RJ.
"A reserva é uma área superlotada. Não tem como produzir alimento. É comum ver criança na rua, pedindo comida", afirma o pesquisador.
Produtores rurais dizem que as demarcações de terra pela Funai têm "viés ideológico" e que a fundação desvirtua procedimentos de regularização das terras.
"A Funai começou a fazer uso desse procedimento para criação de novas terras indígenas ou para a ampliação das já demarcadas", diz Carlo Coldibelli, assessor jurídico da Famasul, federação que representa produtores de MS.
Pressionado pelo setor produtivo, o governo federal decidiu ampliar, até o fim do mês, o poder de órgãos ligados à agricultura na demarcação de terras indígenas. A mudança reduz o poder da Funai nesses processos.
Editoria de Arte/Folhapress

segunda-feira, 10 de junho de 2013

EUA coletam mais dados sobre comunicação do que Rússia, diz ex-técnico da CIA
GLENN GREENWALD
EWEN MACASKILL
DO "GUARDIAN"
Atualizado às 12h10.
Considerado o responsável por vazar o monitoramento de dados de telefone e internet feitos ilegalmente pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos, Edward Snowden foi entrevistado em Hong Kong por Glenn Greenwald e Ewen MacAskill, do "Guardian" --o ex-técnico da CIA assumiu a culpa pelo vazamento de informações em entrevista publicada pelo jornal britânico. Ele está há dez dias em Hong Kong, onde diz que pretende buscar asilo em um outro país.
Leia, abaixo, os principais trechos.
*
"The Guardian" - Por que você decidiu se tornar um delator?
Edward Snowden - A Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, sigla em inglês) construiu uma infraestrutura que permite interceptar quase tudo. Com esta capacidade, a grande maioria da comunicação humana é automaticamente ingerida sem uma mira. Mas, se eu quiser ver os seus e-mails ou o celular da sua mulher, tudo o que preciso fazer é usar interceptores. Posso obter os seus e-mails, senhas, registros telefônicos e cartões de crédito. Eu não quero viver em uma sociedade que faz este tipo de coisas... Eu não quero viver em um mundo onde tudo o que eu faça e fale seja registrado. Isto não é uma coisa que estou disposto a apoiar ou viver sob.
Mas não há a necessidade desta vigilância para tentar reduzir as chances de ataques terroristas como os de Boston, por exemplo?
Nós temos que decidir o porquê de o terrorismo ser uma nova ameaça. O que aconteceu em Boston foi um ato criminoso. Não foi uma questão de vigilância, mas a polícia à moda antiga funcionou. A polícia é muito boa no que faz.
Você se vê como um outro Bradley Manning?
Manning foi um delator clássico. Ele foi inspirado no bem púiblico.
Você acha que o que fez seja um crime?
Nós vimos criminalidade o bastante por parte do governo. É hipócrita fazer esta alegação contra mim. Eles têm limitado a esfera pública de influência.
O que você acha que vai acontecer com você?
Nada de bom.
Por que Hong Kong?
Acho que é realmente trágico que um americano precise ir para um lugar que tenha uma reputação de menos liberdade. Ainda assim, Hong Kong tem uma reputação de liberdade, apesar da China. Hong Kong tem uma forte tradição de liberdade de expressão.
O que os documentos vazados revelam?
Que rotineiramente a NSA mente em respostas a parlamentares sobre questões a respeito da vigilância americana. Acredito que quando [o senador Ron] Wyden e [o senador Mark] Udall perguntaram sobre o assunto, eles [a NSA] disseram que não tinham as ferramentas necessárias para fornecer uma resposta. Nós temos as ferramentas e eu tenho mapas que mostram onde as pessoas têm sido mais escrutinadas. Nós coletamos mais comunicações digitais dos americanos do que dos russos.
O que você pensa dos protestos do governo Obama sobre a ciberespionagem chinesa?
Nós hackeamos todo mundo em qualquer lugar. Gostamos de fazer distinção entre nós e os outros. Mas nós estamos em quase todos os países do mundo. E não estamos em guerra com eles.
É possível colocar segurança no lugar de proteção contra a vigilância estatal?
Vocês sequer estão cientes do que é possível. A extensão da capacidade da NSA é horripilante. Nós podemos plantar erros nas máquinas. Uma vez que você está na rede, posso identificar sua máquina. Você nunca estará seguro, mesmo que coloque qualquer proteção.
Sua família sabe o que você está planejando?
Não. Minha família não sabe o que está acontecendo... Meu principal medo é deles [das autoridades] irem atrás da minha família, dos meus amigos, da minha parceira. Qualquer pessoa com quem eu tenha um relacionamento. Vou precisar viver com isso para o resto da minha vida. Não vou ser capaz de me comunicar com eles. Eles vão agir agressivamente contra qualquer pessoa que me conheça. Essa preocupação me mantém acordado à noite.
Quando você decidiu vazar os documentos?
Você vê coisas que podem ser perturbadoras. Mas quando você vê tudo, percebe que algumas dessas coisas são abusivas. Então, a consciência de injustiça se acumula. Não teve uma manhã em que eu acordei [e decidi fazer isso]. Foi um processo natural. Em 2008, muita gente votou no Obama. Eu não votei nele, votei em um terceiro. Mesmo assim, acreditava nas promessas do Obama. Eu estava indo revelar as informações [mas esperei por causa de sua eleição]. Mas ele continuou com as políticas de seu antecessor.
Qual foi sua reação quando Obama denunciou o vazamento, ao mesmo tempo em que ele se dizia disponível para um debate equilibrado entre segurança e abertura?
Minha reação imediata foi pensar que ele estava tendo dificuldade em se defender. Ele estava tentando defender o injustificável e sabia disso.
Você tem algum plano?
A única coisa que posso fazer é sentar aqui e esperar que o governo de Hong Kong não me deporte... Minha inclinação natural é procurar asilo em um país com valores compartilhados. A nação que mais abrange isso é a Islândia. Eles brigaram para que as pessoas tivessem mais liberdade na internet. Não tenho ideia de como será o meu futuro. Eles poderiam colocar uma nota na Interpol. Mas eu não acredito que cometi um crime fora dos domínios dos Estados Unidos. Acho que vai ser claramente demonstrado que foi algo de natureza política.
Você acha que provavelmente vai acabar na prisão?
Eu não poderia fazer isso sem aceitar o risco da prisão. Você não pode ir contra a agência de inteligência mais poderosa do mundo e não aceitar o risco. Se eles querem te pegar, em algum momento eles vão.
Como você se sente agora, quase uma semana depois do primeiro vazamento?
Acho que o sentimento de indignação manifestado foi justificado. Ele me deu a esperança de que não importa o que aconteça comigo, o resultado será positivo para a América. Não espero ver minha casa novamente, embora isso seja a minha vontade.

Operação Ágata 7: Plantio de ‘Coca’ é destruído ‘pela raiz’
Base Anzol visa impedir que insumos do Brasil sejam enviados a países vizinhos na época em que ocorre a colheita de folha entorpecente
08 de Junho de 2013
FLORÊNCIO MESQUITA

Base foi instalada há três meses no rio Javari, na frente da comunidade Sacambu, no Peru, onde passa a maioria das embarcações (Florêncio Mesquita )
A colheita da folha da coca, matéria prima para a produção da cocaína, é realizada de três a quatro vezes por ano. Nos próximos dias será encerrado o período da terceira colheita e a Polícia Federal brasileira está em alerta na Base Anzol, na tríplice fronteira, extremo Norte do Amazonas, para impedir que os insumos necessários para a produção da cocaína cheguem à Colômbia e ao Peru. Sem a gasolina, cimento, amônia, ácido súlfurico, acetona, entre outros itens, que saem do Brasil, produtores de cocaína na Colômbia e, principalmente no Peru, não terão como produzir a droga.
Segundo o delegado federal Gustavo Pivoto, dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram com base em imagens de satélites que existem entre 11 mil e 30 mil hectares de plantação de coca na região onde a Base Anzol está instalada.
O delegado explicou que os narcotraficantes dependem dos materiais. Sem eles, as folhas da coca ficam envelhecidas, perdem em pouco tempo as substâncias entorpecentes (alcalóides) e não podem mais ser utilizadas. Os produtores precisam apenas de três dias para colher as folhas amadurecidas, secá-las, prensá-las e processá-las com os produtos químicos. O resultado é um suco que é filtrado, que é transformado em pasta, e, depois, novamente seco e filtrado, até obter o pó de cloridrato de cocaína.
A luta dos agentes federais para inutilizar a produção ocorre em ritmo intenso, sob sol e chuva, sem intervalo. Todas as embarcações que passam pelo rio Javari, na frente da comunidade Sacambu, no Peru, são fiscalizadas. Foi justamente nesse trecho que a Base Anzol foi instalada, há três meses. As embarcações passam por um verdadeiro pente fino. Nenhum material que possa ser usado na produção da coca passa pela fiscalização da PF.
A rigidez é necessária porque apenas 400m separam o Brasil do Peru. A localização é estratégica porque o trecho é usado por narcotraficantes para a coleta de material para a droga e distribuição do entorpecente para ser introduzido em solo brasileiro. Quando alguém desobedecer à ordem de parar na abordagem, os agentes utilizam duas embarcações de assalto rápido que podem inundar e afundar facilmente a embarcação suspeita. Eles também estão equipadas com metralhadoras alemãs calibre 556 e calibre 762 que disparam de 600 a 1 mil tiros por minuto.
O risco de confronto com narcotraficantes é alto. Conforme o delegado federal, o Brasil é uma das principais rotas do tráfico da cocaína vinda do Peru e Colômbia e serve de corredor para países da Europa. Contra guerrilheiros e narcotraficantes, drogas e contrabando, a Base Anzol, ou seja, o Brasil, tem cinco agentes da PF, dez militares do Exército brasileiro e dois agentes da Polícia Nacional do Peru. O rio Javari, afluente do rios Solimões e Amazonas, tem 1.180 quilômetros extensão. Para fiscalizar uma área tão grande existem, além da Base Anzol, o 4º Pelotão Especial de Fronteira (PEF) Estirão do Equador e o PEF Palmeira do Javari. A exemplo os agentes federais, os militares também são isolados e correm risco diário de confronto  com narcotraficantes.
Cães identificam resquícios
Cães farejadores são uma das “armas” mais eficientes que Marinha e o Exército brasileiro utilizam para combater o narcotráfico na tríplice fronteira. A cocaína produzida no Peru é transportada em embarcações devido à fronteira fluvial, ao contrário da droga feita na Colômbia, que entra no país via terrestre, na fronteira de Tabatinga com Letícia. Os peruanos usam desde barcos de recreio até canoas para esconder a droga. Usam fundos falsos, camuflam a cocaína em meio a peixe e outros alimentos, mas os cães conseguem identificar a presença da droga.
Durante a operação Ágata 7, todas as embarcações que passaram pelos rios Javari e Solimões foram abordadas e fiscalizadas. O que chamou atenção foi que em algumas canoas, os animais ficaram nervosos indicando a presença do entorpecente. Porém, o material bruto não estava mais na embarcação. 
De acordo com o comandante da Força Tarefa Ribeirinha, na operação Ágata, Nilson Nascimento de Carvalho, as canoas já tinham sido usadas para transportar a droga, mas os resquícios da cocaína ficaram o que alertou os cães. “Eles identificam a menor quantidade de droga”, disse.
Brasil apoia proposta de criação da Escola de Defesa Sul-Americana, diz Amorim
Quito, Equador, 7/06/2013 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou que o Brasil apoia a criação da Escola de Defesa Sul-Americana. A proposta de constituição da Escola foi formalizada pelo Equador recentemente durante a reunião de vice-ministros de defesa, realizada em Lima, Peru, no âmbito do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) da Unasul.

A manifestação favorável à ideia ocorreu após a reunião bilateral entre Amorim e a ministra da Defesa do Equador, María Fernanda Espinosa Garcés, em Quito, capital equatoriana. Na passagem pelo país, o ministro brasileiro também foi recebido pelo presidente Rafael Correa, em encontro no Palácio Presidencial. Em entrevista à imprensa após o encontro, os dois ministros explicaram que a Escola terá o objetivo de impulsionar a formulação de um pensamento estratégico regional de defesa.

A nova instituição deverá ter sede em Quito, onde funcionarão as áreas de coordenação e de administração. No entanto, como explicaram os ministros, a escola funcionará como uma rede, aproveitando as diversas iniciativas no campo militar existentes nos países do continente.

Como exemplo de iniciativas em rede, Amorim citou o Centro de Estudos Estratégicos (CEE/CDS), sediado em Buenos Aires, Argentina, e o Curso Avançado de Defesa Sul-Americano (CAD-SUL), que este ano será realizado, pelo segundo ano consecutivo, na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro.

“Todos esses cursos organizados por diferentes instituições podem fazer parte de uma rede que deverá ter uma coordenação para evitar duplicações e perda de recursos”, disse Amorim, acrescentando que a Escola respeitará sempre a pluralidade e diversidade de ideias.

Segundo a ministra da Defesa equatoriana, embora tenha recebido a chancela dos integrantes do CDS, a proposta de criação da Escola terá ainda que ser confirmada na próxima reunião de ministros da Defesa sul-americanos, marcada para novembro deste ano, também em Lima.

Para Maria Espinosa Garcés, a Escola deverá aproveitar, de maneira coordenada, a riqueza de ofertas das nações sul-americanas, potencializando as capacidades e especialidades que cada país tem em matéria de defesa. “O caminho futuro é construir um pensamento, por mais diverso que ele seja, que nos identifique, que gere uma identidade sul-americana”, afirmou Garcés. “O essencial é que seja uma escola que se concentre em problemas que são nossos, e não condicionada por problemas que não são nossos”, acrescentou Amorim, que já havia defendido a criação da Escola em fóruns internacionais.
Cooperação bilateral

O ministro brasileiro foi a Quito a convite do governo do país. Durante a reunião bilateral, ocorrida na sede do Ministério da Defesa, representantes das duas delegações discutiram uma extensa pauta de assuntos que resultaram em decisões com o objetivo de aprofundar a cooperação em defesa entre as duas nações.

Entre os temas discutidos pelas delegações presentes ao encontro, figuraram o apoio brasileiro ao desenvolvimento da indústria de defesa equatoriana, a ampliação do auxílio às ações de desminagem no país, controle e defesa do espaço aéreo, e o treinamento de pilotos e técnicos da força aérea equatoriana que operam com os aviões Super Tucano.

Além desses assuntos, as delegações trataram de questões relativas ao fortalecimento da identidade sul-americana de defesa no marco do CDS/Unasul, e da contribuição brasileira à iniciativa equatoriana, ora em curso, de atualização de sua agenda política na área militar.

Os principais resultados do encontro foram objeto de um comunicado conjunto, divulgado à imprensa ao final da reunião). Amorim convidou os equatorianos a enviarem observadores militares à próxima edição da Operação Ágata, na fronteira do Brasil, que deverá ocorrer no segundo semestre deste ano. Ele também convidou a ministra Garcés para uma visita oficial ao Brasil em Agosto.

Para garantir a continuidade e o acompanhamento direto dos temas acordados, os dois ministros decidiram criar um grupo de trabalho e institucionalizar uma reunião anual dos respectivos estados-maiores conjuntos.

A delegação brasileira contou, entre outros, com o subchefe de Assuntos Estratégicos do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), almirante Renato Rodrigues de Aguiar Freire, com o chefe da Comissão de Implementação do Sistema de Controle do Espaço Aérea da FAB, brigadeiro Carlos Aquino, além do chefe da Assessoria Internacional do Ministério da Defesa, conselheiro Ibrahim Neto.

Fotos: Fotos Ministério da Defesa do Equador
Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa
61 3312-4070

quinta-feira, 6 de junho de 2013

VISITA DA COMITIVA DA ESCOLA DE COMANDO
E ESTADO-MAIOR DA ALEMANHA
No dia 4 de junho, a Escola Superior de Guerra (ESG) recebeu a visita de integrantes da Escola de Comando e Estado-Maior das Forças Armadas (ECEMFA) da Alemanha.
A comitiva chefiada pelo General de Divisão Achim Lidsba, foi recepcionada pelo Subcomandante da ESG, Major Brigadeiro do Ar Stefan Egon Gracza.
A realização da tradicional foto oficial, registrando a passagem da comitiva pela Escola, iniciou as atividades. Após a fotografia, foi exibido o vídeo sobre a ESG.
Com a presença dos estagiários do CAEPE e do CSIE, o General de Divisão Achim Lidsba palestrou sobre o tema “Os princípios da política de segurança e de defesa da Alemanha, considerando as relações especiais com a América Latina”. Na sequência, o Diretor do Centro de Atividades Externas, Contra-Almirante (RM1) Ricardo Albergaria Claro discorreu sobre as atividades desenvolvidas na Escola.
A troca de lembranças institucionais entre o Brigadeiro Gracza e o General Lidsba encerrou o evento.
Escola Superior de Guerra
Seção de Comunicação Social
Tel: (21) 3545-9827 / 9837

segunda-feira, 3 de junho de 2013

DESTAQUE

Brasileiro chega ao Congo para liderar 'tropa de elite'
O general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz chega à República Democrática do Congo nesta semana para comandar a primeira brigada militar com características de "força de ataque" a atuar em uma missão de paz da ONU.

Santos Cruz foi escolhido para o posto devido à sua atuação à frente da missão de paz do Haiti entre 2007 e 2009 - período em que os capacetes azuis das Nações Unidas terminaram o processo de pacificação da capital Porto Príncipe.

Sua missão dessa vez envolve um potencial confronto direto com grupos rebeldes que se estabeleceram no leste do Congo - entre eles o LRA (sigla do Exército de Resistência do Senhor, do líder guerrilheiro Joseph Kony), o M23 (Movimento 23 de Março) e o FDLR (sigla de Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda).

O brasileiro será o comandante geral de uma força de quase 20 mil capacetes azuis estabelecida em 2010. Seu principal desafio será lidar com a área leste do país, ainda não pacificada.

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Conflito no Congo opõe forças rebeldes ao governo de Joseph Kabila13 fotos
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Ele terá à sua disposição uma unidade especial de 3.000 homens, que vem sendo formada desde o mês passado. Quando estiver completa, a Brigada de Intervenção será formada por batalhões de artilharia, infantaria e de forças especiais, além de uma companhia de reconhecimento e helicópteros de ataque.
Unidades de artilharia e de forças especiais já foram usadas dentro de contextos específicos de operações anteriores da ONU - especialmente no Sudão (artilharia) e no próprio Congo (forças especiais).

Porém, em mais de 60 anos de missões de paz, "esta é a primeira vez que as Nações Unidas estabelecem uma brigada específica, dentro do contexto de uma missão de paz maior, para usar a força", segundo disse à BBC Brasil Andre Michel Essoungou, um dos porta-vozes do Departamento de Missões de Paz da ONU.

"A brigada poderá fazer ações ofensivas tendo como alvo grupos armados específicos que estão arruinando o processo de paz no país", afirmou.


Missões de paz
As operações de paz da ONU nasceram inicialmente com o objetivo genérico de monitorar acordos já estabelecidos de cessar-fogo. Mas, em muitas regiões - como na África e no Haiti, por exemplo - as tropas da ONU se depararam com situações de conflitos.

Devido à mudanças na natureza desses conflitos - que em muitos casos deixaram de ter "linhas de frente" e assumiram características da guerra de guerrilha -, as operações começaram a passar por uma tendência de endurecimento. A mudança também foi em parte motivada, segundo analistas, pela tentativa frustrada de um grupo de capacetes azuis de impedir o genocídio de Ruanda em 1994.

Novas ferramentas passaram a ser utilizadas, tais como implementação de embargos e o envio de forças militares cada vez mais robustas para países em crise.

Até agora, a Monusco (a missão de paz da ONU no Congo) aparenta representar o ápice dessa tendência. Ela foi estabelecida com um embasamento jurídico que permite a seu comandante não apenas defender os funcionários da ONU e a população ou revidar agressões, mas também adotar iniciativas ofensivas contra grupos rebeldes contrários ao governo.

O texto da resolução do Conselho de Segurança que criou a Brigada de Intervenção chega a dizer que a unidade funcionará "em caráter excepcional, sem criar precedente ou preconceito contra os princípios estabelecidos de missões de paz".
Acordo
A criação da Brigada de Intervenção é apenas a face militar de um esforço geral das Nações Unidas para reestabelecer a paz no leste da República Democrática do Congo, especialmente nas áreas conhecidas como Kivus.

Apesar da presença da Monusco no país desde 2010, a região continua praticamente sem a presença do Estado e é palco de ondas de violência, crises humanitárias crônicas e sérios abusos de direitos humanos - principalmente estupros e violência de gênero, que são usados como arma de combate, segundo a ONU.

Em fevereiro, onze nações africanas assinaram um tratado para colaborar com o fim dos confrontos no país. A ação diplomática vem sendo tratada pela ONU como uma esperança para a região dos Grandes Lagos. Isso porque a organização diz suspeitar que o conflito seria influenciado e financiado em parte por nações vizinhas.

O caso mais clássico é a suspeita da ONU de que os governos de Uganda e Ruanda tenham apoiado o M23, um dos mais fortes grupos rebeldes da região - que chegou a invadir Goma, a principal cidade do leste, no ano passado. As duas nações negaram as acusações e são signatárias do tratado.

No fim de maio, o próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon visitou a cidade e classificou o tratado como o "Quadro da Esperança". Segundo ele, além das ações diplomática e militar, o Banco Mundial deve destinar cerca de US$ 1 bilhão (R$ 2 bilhões) para a criação de redes de proteção social, desenvolvimento do comércio regional e investimentos em fontes de energia e infraestrutura.

"Esse acordo dá à população do leste da República Democrática do Congo sua melhor chance em muitos anos de ter acesso à paz, aos direitos humanos e ao desenvolvimento econômico", disse Ki-moon no fim de maio.
Preparação
O Brasil não deve enviar tropas para a Brigada de Intervenção, que será formada principalmente por militares de nações africanas, tais como África do Sul, Tanzânia, Malaui.

Apesar da unidade ter sido estabelecida em março, até agora apenas uma parcela de seus componentes chegou a Goma, onde sua sede será estabelecida. Ela será diretamente chefiada por um oficial subordinado ao comando de Santos Cruz.

O general brasileiro estava na reserva do Exército quando foi convidado em abril para assumir o cargo. Ele foi reincorporado à força e enviado à sede da ONU em Nova York para passar por um treinamento - que foi concluído na última sexta-feira. Santos Cruz chegaria a Kinshasa na noite do último domingo.

O convite foi celebrado no governo brasileiro como um reconhecimento da ONU ao papel exercido pelo país na missão de paz do Haiti. Em seu esforço para ampliar seu prestígio internacional e obter uma vaga no Conselho de Segurança, o Brasil mantém tropas em operações no Haiti e no Líbano.

Contudo, apenas uma pequena equipe de oficiais deve ser enviada ao Congo com o general.

Uma de suas primeiras tarefas no terreno será coordenar a formação da Brigada de Intervenção e insistir com os países participantes que os contingentes militares sejam enviados o mais rápido possível.

Segundo analistas, ele deve enfrentar resistência dos grupos rebeldes. Porta-vozes do grupo M23 já disseram à imprensa internacional que responderão com "força total" a um eventual ataque da ONU.

domingo, 2 de junho de 2013

Ágata 7 - Operação vistoria mais de 129 mil veículos e destrói pista clandestina em terra indígena

Brasília, 28/05/2013 - O segundo balanço parcial da Operação Ágata 7 mostra que, depois de dez dias de atividades, a ação que pretende marcar a presença do Estado vem surtindo efeito no que diz respeito à repressão a crimes na fronteira do Brasil .

Com o envolvimento de 33.563 militares e de 1.090 agentes de diversos órgãos públicos, a ação conseguiu criar uma barreira contra os delitos de fronteira, principalmente nas rodovias. Até agora foram vistoriados mais de 129.825 veículos nos 16,8 mil quilômetros de faixa de fronteira.

Além disso, rios e lagos estão sendo supervisionados pela Marinha, que utiliza navios patrulha fluvial e de assistência hospitalar, helicópteros UH-12 e lanchas. A operação já resultou na vistoria de 2.743 embarcações.

Durante a fiscalização das rodovias e rios da região de fronteira, a Ágata apreendeu mais de 2.399 quilos de drogas, sendo duas toneladas só de maconha e 281 de cocaína, além de 8 mil quilos de explosivos.

Dentre as ações de vulto, destaca-se a apreensão de U$ 260 mil, encontrados em um carro em Santa Catarina, e 40 mil pacotes de cigarros, avaliados em mais de R$ 1 milhão de reais, apreendidos em um caminhão na cidade de Guaíra (PR).
A Ágata está atuando com eficiência também no espaço aéreo. Até agora foram interceptadas 97 aeronaves só na Região Sul. Nessa localidade, no trecho entre Guaíra (PR) e Chuí (RS), estão sendo utilizadas, pela primeira vez simultaneamente, os Veículos Aéreos Não-Tripulados (Vants) da Força Aérea Brasileira e da Polícia Federal. A utilização dos dados coletados por essas aeronaves tem permitido o mapeamento dos pontos onde ocorrem os ilícitos.

Na Região Norte, uma pista clandestina que dava apoio a um garimpo ilegal na terra indígena Yanomami foi destruída em Cachoeira Xiriana (RO), num local próximo à fronteira com a Venezuela.

Ações sociais

Além de ações de patrulha e fiscalização, a operação realizou diversas Ações Cívico-Sociais (Acisos). Ao todo, 13.893 pessoas tiveram atendimento médico nas regiões de fronteira do Norte, Sul e Centro Oeste. Nas ações, foram distribuídos 30.489 medicamentos.

As equipes das Acisos também realizaram consultas odontológicas. No Norte foram 7.346 consultas, no Sul 1.259 e no Centro
Oeste 346, totalizando 8.951 atendimentos.

Sobre a Ágata

Instituída com uma das ações do Plano Estratégico de Fronteiras (PEF) pela presidenta Dilma Rousseff, a operação Ágata é mantida sob o comando do Ministério da Defesa e coordenada pelo Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA). A execução cabe à Marinha, ao Exército e à Força Aérea Brasileira (FAB), com o apoio de 12 ministérios, cerca de 20 agências governamentais, forças policiais e agentes de dez estados e 710 municípios.

Como a operação se desenvolve ao longo de toda a fronteira terrestre, as tropas contam com os centros montados nos Comandos Militares da Amazônia (CMA), em Manaus (AM); do Oeste (CMO), em Campo Grande (MS); e do Sul (CMS), em Porto Alegre (RS). Nesses locais atuam militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.


Fotos: Felipe Barra/Divulgação - EB/Agência Força Aérea - Sgt Johnson
Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa
61 3312-4070