terça-feira, 22 de outubro de 2013

Logística deve alcançar 22% do PIB em 2018 no Brasil
Aline Salgado   (aline.salgado@brasileconomico.com.br) 22/10/13 09:20



Está previsto para sair nas próximas semanas o decreto presidencial que normatiza o marco
Estudo do BNDES sobre aportes nos próximos quatro anos aponta para o crescimento do setor de 57%, como consequência das concessões
A previsão de investimentos de R$ 240 bilhões em projetos logísticos - construção e 11 mil km de linhas férreas e 7 mil km de rodovias, além da modernização de dois aeroportos e dos portos brasileiros, previstos no Programa de investimento sem Logística (PIL) - posiciona o setor de mobilidade entre os que tiveram maior taxa de crescimento nos próximos quatro anos. Estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) confirma as perspectivas e apontam para um crescimento do setor de 57% até 2017.
De acordo com o levantamento Perspectivas do Investimento 2014-2017, divulgado ontem, com as concessões, a taxa de investimentos em logística no Brasil deve alcançar 22,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018. Segundo o BNDES, só as ferrovias deverão receber R$ 59 bilhões de 2014 a 2017, R$ 31 bilhões a mais que nos últimos cinco anos. Já os portos terão R$ 34 bilhões, R$ 19 bilhões a mais que o período de 2009 a 2012. Somados, os modais receberão R$ 50 bilhões.
Enquanto isso, os aeroportos ficarão com apenas R$ 1 bilhão a mais e as rodovias, R$ 8 bilhões, comparado ao período anterior.
"Os setores de logística são disparados os principais da área de infraestrutura que receberão investimentos nos próximos anos. Por causa da necessidade de se antecipar as obras devido à Copa e aos Jogos Olímpicos,os aeroportos apresentam uma taxa de incremento menor que os demais", observa o economista-chefe do BNDES, Fernando Pimentel Puga.
Quanto às rodovias, Puga ressalta a valorização histórica do modal, que ainda costuma contar com investimentos mais equilibrados e distribuídos nos anos.
Para a pesquisadora do Departamento de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Júlia Fontes, o incremento do setor de
logística traz nova esperança para a economia brasileira, com impactos positivos para o PIB. Mas, segundo ela, os resultados virão a longo prazo.
"As mudanças ocorrerão em doses pequenas, um incremento de 1% a 2% ao ano no PIB", avalia a economista, que chama a atenção para a grande insegurança que ainda envolve os empresários quanto ao investimento nas ferrovias, o que pode comprometer o processo de concessão, cujo marco regulatório deve sair nos próximos meses.
"Como há um questionamento sobre as condições da Valec (controlada pela União) de pagar pela compra da capacidade de infraestrutura e de que maneira ela venderia a concessão ao capital privado, que exploraria o serviço, há o risco do processo de concessão das ferrovias demorar mais do que o previsto ou ter poucos concorrentes", destaca Júlia Fontes.
No estudo, o BNDES apontou também para os baixos níveis de investimentos em siderurgia, uma queda de 68% comparado ao período de 2009 a 2012. Presidente da InterB Consultoria Internacional de Negócios, Claudio Frischtak explica que a forte concorrência com a China e a Coreia do Sul vem colocando o empresário brasileiro em dificuldade.

sábado, 19 de outubro de 2013

HAITI


5 anos após pacificar área violenta do Haiti, Brasil volta a enfrentar gangues

'Dei o 1º tiro', diz oficial brasileiro responsável pela segurança de Cité Soleil.
Soldados do MS foram encurralados em tiroteio, em agosto, e revidaram.

Tahiane Stochero Do G1, em Porto Príncipe - a repórter viajou a convite do Ministério da Defesa

Mais de cinco anos após pacificar Cité Soleil, área considera pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a mais pobre e violenta do Haiti, o Exército brasileiro voltou, em agosto deste ano, a enfrentar grupos armados. Em um dos tiroteios, soldados do Mato Grosso do Sul ficaram encurralados e tiveram que realizar 20 disparos de fuzil, o que não ocorria desde 2007.

Cité Soleil é reduto de rebeldes que apoiavam o ex-presidente Jean Bertrand-Aristides, e se tornou conhecida internacionalmente como uma "fortaleza" onde grupos armados impunham terror à população. Foi a queda de Aristides, em 2004, durante um princípio de conflito civil, que fez a ONU criar a missão de paz para estabilizar o país caribenho (chamada de "Minustah") O Exército brasileiro comanda a Minustah e possui o maior efetivo - cerca de 1.300 soldados - e é responsável por cuidar de Cité Soleil.

Eu dei o primeiro tiro. Vi um homem de longe apontando uma arma na minha direção e depois vi o clarão do disparo dele"

Victor Faria, capitão do Exército

Entre 2006 e 2007, uma série de operações, comandadas pelo Brasil, prenderam e mataram vários criminosos. Desde então, a Polícia Nacional Haitiana (PNH) começou a atuar na região. A situação de relativa tranquilidade acabou entre junho e agosto de 2013. Diante da indefinição de um cronograma para as eleições, que devem ser realizadas em 2014 para o Senado e as prefeituras, grupos armados apoiados por grupos políticos voltaram a se enfrentar em Cité Soleil, preocupando a ONU.

Os assassinatos, considerados raros até então, passaram a ser frequentes. Foram de 5 a 10 por semana em uma área de 5 km quadrados. Corpos decapitados, comuns entre 2004 e 2007, voltaram a ser encontrados nas ruas, e tiros ouvidos todas as noites pelos 140 soldados brasileiros, que são originários de Mato Grosso do Sul e estão morando dentro da favela.

Um dos confrontos ocorreu quando 16 soldados brasileiros ficaram encurralados em Boston, uma das áreas disputadas pelos criminosos.  “Eu dei o primeiro tiro”, diz o capitão Victor Bernardes Faria, de 32 anos, que comanda a companhia do Brasil em Cité Soleil.

Ele estava junto com os soldados em uma patrulha à noite quando a troca de tiros entre as gangues começou.

“Vi um homem de longe apontando uma arma na minha direção e depois vi o clarão do disparo dele”, conta o oficial, que estava com mais 8 soldados em um beco de uma rua. Mais à frente, na mesma rua, um sargento que comandava o restante do grupo também foi alvo de tiros e revidou.

O comandante lembra ter orientado o subordinado a não avançar, pois os bandidos estavam logo a frente e, se seus soldados saíssem do local onde estavam abrigados, estariam em perigo.

Faria pediu apoio de blindados dos Fuzileiros Navais e do Destacamento de Operações de Paz (DOPaz), a tropa de elite que o Exército possui no Haiti para ações de risco, para resgatar os soldados encurralados.

“Por sorte nenhum dos meus homens ficou ferido. Nossa maior preocupação é com efeito colateral (feridos ou mortos civis nos confrontos). Mas os soldados foram treinados e só atiram quando conseguem identificar e ver o alvo (um suspeito)”, afirma o capitão.

Estes foram os primeiros disparos reais na vida do oficial, que trabalha no 47º Batalhão de Infantaria, em Coxim, no Mato Grosso do Sul. Casado e sem filhos, Faria acredita que os disparos não foram direcionados contra a tropa do Brasil, mas sim, de um confronto entre os bandidos.

Ao contrário de 2007, quando a ONU autorizava o Exército a ter ações pró-ativas e atacar as gangues, hoje esta responsabilidade é da polícia haitiana. O Brasil só dá o apoio necessário. A ONU fez uma investigação sobre o caso e, segundo o capitão, encontrou cartuchos de fuzis e pistolas no local do confronto, tanto usados pelo Exército brasileiro quanto pelos criminosos.

População diz que violência voltou
“Os brasileiros entraram aqui em Cité Soleil em 2006 e 2007 e pacificaram, prenderam todos os bandidos. Antes a violência era ruim, os criminosos atiravam todas as noites, a gente não podia sair de casa. Os brasileiros acabaram com aquilo. Agora que os brasileiros passaram para nossa polícia agir, a situação voltou a piorar. Todos os dias os bandidos atiram aqui”, diz o aposentado Merat Jean, de 57 anos, que mora em Boston, área disputada por gangues.



Para poder patrulhar a região à noite, o Exército colocou em postes lâmpadas que são alimentadas por energia solar. O país não possui um sistema de distribuição de energia elétrica e boa parte da capital, Porto Príncipe, fica às escuras à noite.

A tropa brasileira é chamada diariamente para atender casos de brigas - algumas acabam em morte ou ferimentos graves, provocados por pedras e facas. "A população ainda não confia na PNH. O efetivo deles aqui é pequeno, são 6 a 8 policiais por dia, um carro e eles não fazem patrulhamento nas ruas. As pessoas confiam nos brasileiros para passar informações, mesmo a base da polícia sendo aqui do meu lado", diz o capitão.

"Mas agora a missão mudou e minhas tropas não podem atacar os bandidos, sou a terceira opção. Temos sempre que deixar a polícia haitiana e a polícia da ONU atuarem primeiro", acrescenta ele.

A previsão da ONU, conforme o comandante da Minustah, general brasileiro Edson Pujol, é que a missão chegue a cerca de 3.300 militares em 2016. Os soldados brasileiros devem ser os últimos a deixar a missão, que conta com tropas de 19 países.

"Estamos aqui basicamente para ajudar a PNH a manter um ambiente seguro para que as organizações tanto internas quanto externacionais possam trabalhar. Acho difícil chegar em 2016 e tirar toda a tropa, isso vai ser avaliado anualmente. Vai depender das condições do país de se autogerenciar. No caso da segurança, em especial as condições da polícia de assumir as responsabilidades", aponta. 

 

Selva!


'País trata a Amazônia como colônia', diz comandante militar

 

LUCAS REIS
DE MANAUS

Para o comandante militar da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia é como uma colônia do Brasil. "Ela não está integrada ao país e, portanto, não há conhecimento de sua realidade e potencial", diz o general Eduardo Villas Bôas, 61, desde 2011 à frente de 19 mil homens e 9.300 km de fronteiras.

Em entrevista na sede do comando, em Manaus, ele citou a ausência estatal na floresta, criticou a política indigenista oficial, alertou sobre a ação de ONGs na região e aprovou, com ressalvas, o programa Mais Médicos.

Evitou, porém, bater de frente com o governo federal, principalmente quando o assunto eram os índios. "Quando digo que há dois problemas na política indigenista do país, não faço críticas ao governo. Somos nós. Nós temos esse problema", disse.

Também evitou falar sobre a Comissão da Verdade, que apura a violação dos direitos humanos na ditadura militar.

"Cada militar tem uma opinião sobre isso. É um assunto sensível. Se a gente ficar expressando, traz prejuízo tanto para o Exército quanto para o governo federal."

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

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Folha - Brasília sabe o que acontece na Amazônia?
General Villas Bôas - Na parte da defesa até sabe. O que ocorre é que, em pleno século 21, o país não completou sua expansão interna. Temos metade do nosso território a ser ocupado, integrado à dinâmica da sociedade. A Amazônia, como não está integrada ao país, não há conhecimento no sul da sua realidade, seu potencial. É como se fosse uma colônia do Brasil. Ela não é analisada, interpretada, estudada e compreendida numa visão centrada da própria Amazônia. Isso nos coloca numa posição periférica.

Quais são as principais necessidades da população local?
As reais necessidades da população da Amazônia chegam ao centro-sul de maneira distorcida. Com isso, monta-se uma base de conhecimento desfocada, com soluções não apropriadas. A população, principalmente no interior, não tem necessidades básicas atingidas. Em grande parte, não há nenhuma presença do governo do Estado. Em algumas áreas as Forças Armadas são essa única presença.

O material humano e financeiro atual do comando militar é suficiente para monitorá-la?
Não é suficiente. A partir da Estratégia Nacional de Defesa, em 2008, a Amazônia virou prioridade. Mas só de fronteira temos 11 mil km. E nossa capacidade de vigilância está basicamente restrita ao fator humano. Monitorar toda essa área só será possível com tecnologia incorporada, cujo sistema de monitoramento está em desenvolvimento e custará R$ 10 bilhões até 2020. Desde 1999, o Exército tem poder de polícia na faixa de fronteira [150 km de largura], isso estabeleceu nova responsabilidade. Outro aspecto é a grande vulnerabilidade que o país todo tem. Estamos no século 21 e um país da nossa dimensão não tem um satélite. Não vamos ter autonomia total enquanto não tivermos nossos satélites. Por isso este projeto está no Ministério da Defesa.

Concorda com a demarcação de novas terras indígenas?
A discussão é importante. Veja o que aconteceu na Raposa/Serra do Sol [cujos não indígenas foram retirados]. Foi feita demarcação, e as estruturas econômicas tiveram que sair. Hoje os índios têm dificuldades para encontrar alternativas viáveis. O que a iniciativa privada proporcionava ali, o governo tem dificuldade de proporcionar. A participação do Congresso é importante, pois viabiliza a participação de outros setores. Eu acho positivo, sim. Os índios, coitados, ficam prisioneiros de duas vertentes: o interesse econômico e a fundamentalismo ambientalista.

Como o sr. avalia a política indigenista brasileira?
Há dois problemas. E não estou fazendo críticas ao governo. Somos nós, Brasil. Primeiro, os órgãos que atuam na Amazônia, nessas questões típicas, ambiental e indígena, têm estrutura deficiente. O governo trabalha para ampliar, mas ainda é carente. O segundo aspecto é que a política indigenista é muito geopolítica. Ela se resume praticamente a delimitar as terras e os índios ficam confinados nelas. Seria interessante que a delimitação fosse seguida de outro tipo de programa que desse sustentação à vida dos índios. Por maior que seja a terra, a vida do índio não se viabiliza. Os recursos naturais vão se esgotando. Nossa política está muito homogênea do ponto de vista de não reconhecer diferentes níveis de aculturação das comunidades.

Qual é o papel das ONGs estrangeiras na Amazônia?
Além de tudo que representa, a Amazônia tem um papel muito grande na integração sul-americana. Ela abriga a solução para alguns dos grandes problemas que afligem a humanidade, como água, energia renovável, biodiversidade, mudança climática. Isso justifica toda essa pressão em torno da Amazônia que faz a opinião pública internacional. Nesta semana, o governo está passando leis no Congresso estabelecendo mecanismos de controle mais rígidos sobre as ONGs do ponto de vista da movimentação financeira. Não é o caso de estigmatizar as ONGs, elas vieram preencher espaços e atender necessidades da população que nem o primeiro nem o segundo setores têm capacidade de atender. Mas há coisas fora de controle, e a gente fica numa insegurança, não sabe quem são, quais os objetivos. E muitas vezes [elas] atuam no sentido contrário aos interesses do governo brasileiro.

Pode citar um exemplo?
Veja a dificuldade para asfaltar a BR-319 [que liga Manaus e Porto Velho. Em 2009, o braço brasileiro da ONG americana Conservation Strategy Fund divulgou estudo afirmando que a reforma da estrada traria prejuízo]. É uma rodovia que já existiu, não gerou desflorestamento, não houve prejuízo ambiental. Mas o governo não consegue fazer... é um absurdo. Manaus está conectada à Venezuela, mas não ao restante do Brasil. É extremamente difícil viabilizar a recuperação dessa rodovia, são forças que realmente têm capacidade de intervir e inibir isso. E muito por causa do fundamentalismo ecológico. Não se faz omelete sem quebrar o ovo, se vou lançar um gasoduto, alguma árvore vou derrubar. É uma visão pragmática.

Qual é a sua opinião sobre o programa Mais Médicos?
Se me perguntar quais são os dois principais problemas da Amazônia, eu diria que é logística e médico. Nós fazemos atendimento à população civil e até a índios. No interior não tem médico. Realmente é uma necessidade. Mas acho que eles têm que pensar na parte de estrutura, condições de trabalho. Pois acho que as mesmas realidades que causam a saída dos médicos brasileiros desses municípios poderão causar a não permanência do médico estrangeiro. A gente visita município que não tem estrutura de saúde. O programa é necessário, mas é importante que não fique restrito somente à colocação dos médicos.

Em 2005, o então comandante do Exército, general Albuquerque, disse 'o homem tem direito de tomar café, almoçar e jantar, mas isso não está acontecendo [no Exército]'. A realidade atual mudou?
Mudou muito. O problema é que o passivo do Exército era muito grande, foram décadas de carência. Desde 2005, estamos recebendo muito material, e agora é que estamos chegando a um nível de normalidade e começamos a ter visibilidade. Não discutimos mais se vai faltar comida, combustível, não temos mais essas preocupações.

O senhor tem acompanhado a Comissão da Verdade?
Como profissional e militar, me interesso, sim. Mas na minha instância, institucionalmente, não há nenhuma implicação para nós.

 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

ECONOMIA

Economia

"Há sinais de recuperação da economia mundial"

Brasil Econômico   - As informações são da Agência Brasil
17/10/13 14:19

O ministro ainda destacou que o Brasil tem produzido um dos melhores resultados de superávit primário do mundo. Foto: Murillo Constantino
Mantega voltou a lembrar que a economia brasileira tem fundamentos sólidos, em comparação à maioria das economias mundiais.
Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quinta-feira que 2013 "não foi um ano fácil para ninguém, mas o mundo tende a caminhar para a superação da crise", que já dura cinco anos. Para ele, agora, já existem sinais de recuperação da economia "sendo ensaiadas pelo mundo". Ele participou do oitavo balanço do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), que reuniu, no Palácio do Itamaraty, ministros e técnicos do governo.
Mantega fez a avaliação sobre a recuperação da economia mesmo admitindo que os sinais na Europa ainda são de crescimento moderado e que as medidas de incentivo à economia dos Estados Unidos e a crise provocada com o retardamento do limite do endividamento do governo norte-americano são problemas que preocupam, não só o Brasil, mas as demais economias. Para ele, mesmo com essas "turbulências", o desempenho da economia brasileira é razoável, com condições potenciais de crescimento.
"A expectativa é que, no ano que vem, tenhamos uma recuperação da economia mundial, abrindo espaço para que todo mundo possa crescer mais, inclusive o Brasil. Nosso Produto Interno Bruto [PIB, a soma de todas as riquezas do país], vem crescendo gradualmente. Tivemos 1,5% no segundo trimestre, em comparação ao período anterior, e foi satisfatório, em comparação às demais economias", disse.
Mantega também destacou os volumes de investimentos recebidos pelo país, que estão "puxando" o crescimento da economia em 2013, segundo ele. O ministro lembrou que a produção agrícola tem batido sucessivos recordes e que o comprometimento da renda das famílias brasileiras com o crédito tem se reduzido.
"Assim que o mercado abrir um pouco para o financiamento, teremos uma trajetória de crescimento do mercado brasileiro. A economia brasileira está em crescimento e tivemos novos postos com carteira assinada", destacou. De acordo com Mantega, as empresas não estariam contratando se não tivessem boas perspectivas. A economia brasileira, informou, continua gerando empregos e é um dos melhores mercados em termos proporcionais.
Mantega voltou a lembrar que a economia brasileira tem fundamentos sólidos, em comparação à maioria das economias do mundo, e uma política consistente de desenvolvimento, o que permite que a economia se recupere e continua a crescer. Entre os fundamentos, citou a inflação sob controle, sem ultrapassar nos últimos dez anos o teto da meta (atualmente, 6,5% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA), solidez fiscal e reservas internacionais consideradas elevadas (US$ 370 bilhões) para enfrentar as turbulências internacionais.
"O país é credor internacional e não devedor. Fundamentos sólidos só, não resolvem. Mas temos uma política de desenvolvimento, com controle da inflação. No período anterior, isso não acontecia. O controle da inflação é uma das coisas mais importantes para a população e para o setor produtivo", disse.
O ministro ainda destacou que o Brasil tem produzido um dos melhores resultados de superávit primário do mundo. "O Brasil faz política anticíclica [poupança nos períodos de crescimento econômico e estímulos públicos nas crises, como as desonerações] e por isso o superávit cai um pouco, mas nada que ameace o equilíbrio fiscal brasileiro".
Mantega disse ainda que a dívida líquida do setor público vem caindo e deve continuar nessa tendência. No caso do câmbio, ele indicou que o governo tem agido corretamente e enfrentado os problemas, que muitas vezes são resultado de turbulências externas. "O câmbio flutua para os dois lados e para cima e para baixo. O patamar atual dá mais competitividade para as exportações brasileiras e para o setor agrário também".
Segundo o ministro, apesar dos problemas de oscilação do câmbio, as reservas internacionais do país "subiram de forma extraordinário" e estão em US$ 370 bilhões. "Mesmo com a crise do Fed [Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos] ameaçando os incentivos dados à economia norte-americana, não saiu nada [das reservas]. Não perdemos nada", disse.


Mais de 1 bilhão de pessoas vivem sem eletricidade
Mais de 1 bilhão de pessoas vivem sem eletricidade e 3 bilhões usam combustíveis perigosos para a saúde a fim de gerar energia, um sério obstáculo para o desenvolvimento e que demanda uma solução urgente, alertaram especialistas reunidos na Coreia do Sul.

O acesso à energia foi o tema que fechou nesta quinta-feira o Conselho Mundial de Energia (WEC, na sigla em inglês), realizado esta semana em Daegu, na Coreia do Sul.
“A situação atual não é aceitável. Devemos parar de negar a realidade porque esse é um problema que deve ser motivo de preocupação para todo o planeta, é uma questão de paz social", declarou à AFP Marie-José Nadeau, uma canadense que sucede o francês Pierre Gadonneix na liderança do WEC.
"É um problema econômico e um problema educacional porque sem luz não se pode estudar à noite e sem corrente elétrica não há internet. Além disso, é um problema de pobreza e de saúde", afirmou, por sua vez, a diretora-geral da Agência Internacional de Energia (AIE), Maria van der Hoeven, em entrevista à AFP.
"Muitos países têm feito grandes progressos, como o México, a Tailândia, a China e a Índia, mas quando se sabe que na Indonésia 30% da população não têm acesso à eletricidade, é evidente que ainda há muito a fazer", afirma.
De acordo com a AIE, cerca de 1,5 bilhão de pessoas não têm acesso à energia elétrica e 2,8 bilhões cozinham com combustíveis altamente poluentes (madeira, querosene, carvão), cuja fumaça produzida na combustão pode provocar graves consequências para a saúde.
"A contaminação do ar dentro das casas devido à falta de acesso à energia provoca quatro milhões de mortes prematuras por ano", cuja maioria é de crianças e mulheres, destacou Kandeh Yumkella, que dirige o programa "Energia duradoura para todos", lançado no ano passado pela ONU.
"Para combater a pobreza, é preciso resolver primeiro o problema do acesso à energia", acrescenta.
Para isso, de acordo com especialistas, todas as tecnologias necessárias precisam ser utilizadas para levar energia elétrica para as zonas rurais e isoladas.
Vijay Iyer, diretor do Banco Mundial, cita os exemplos do Vietnã e da Tunísia, que têm realizado programas de ampliação do acesso à eletricidade bem-sucedidos.
O amplo acesso à energia é possível, mas exige um esforço enorme e precisa ser alinhado em todos os níveis, do governo aos cidadãos, passando pelas empresas e as instituições internacionais.
O WEC convocou todos os governos a se esforçar para o cumprimento desta tarefa. Segundo seus cálculos, no ritmo em que o acesso à energia tem sido ampliado, "entre 730 e 880 milhões de pessoas continuarão sem acesso à eletricidade em 2030, principalmente na África subsaariana". Em 2050, serão entre 319 e 530 milhões de habitantes nessa situação.
Não se trata de caridade, diz Yumkella, que incentiva as multinacionais de energia a aproveitarem as "oportunidades econômicas e de investimento na criação de novos mercados e empregos”.
Isso depende de uma mobilização local, ressalta Bunker Roy, fundador da ONG indiana Barefoot College, que treina "idosos africanos analfabetos para torná-los uma espécie de engenheiros solares", capazes de instalar painéis fotovoltaicos em seus povoados.

Brasil e Rússia decidem ampliar cooperação em defesa

Brasília, 16/10/2013
- Os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e da Rússia, Sergei Shoigu, decidiram hoje ampliar a cooperação entre os dois países na área militar. Após reunião realizada na sede do Ministério da Defesa, em Brasília (DF), ambos anunciaram a criação de grupos de trabalho nos setores de segurança cibernética e espacial.



A partir de uma proposta feita por Amorim, e aceita por seu contraparte russo, também foi acertado o estabelecimento de um diálogo político-estratégico entre as duas nações nas áreas de defesa e segurança internacional.

Como parte dos entendimentos mantidos no encontro, o Brasil enviará, em até dois meses, uma equipe técnico-militar ao país asiático para dar início à fase final das negociações para aquisição dos sistemas de defesa antiaérea russos de curto e médio alcance (Igla e Pantsir-S1).

A autorização presidencial para o começo das tratativas com vistas à compra de cinco sistemas de defesa antiaéreos ocorreu em fevereiro deste ano, durante visita oficial do primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev à Brasília. Os novos equipamentos deverão ser utilizados nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. A previsão é de que o contrato seja assinado até meados de 2014.

Durante a reunião, Amorim afirmou que a intenção do Brasil em relação à cooperação bilateral com a Rússia vai além da compra eventual de equipamentos militares. “Queremos buscar uma parceria estratégica voltada ao desenvolvimento tecnológico conjunto”, afirmou.

Segundo o ministro brasileiro, a experiência com a aquisição dos sistemas antiaéreos e dos helicópteros de ataque MI-35 (o Brasil encomendou 12 unidades, das quais nove já foram entregues à Força Aérea) servirá de baliza para futuros projetos comuns. “Se essa cooperação correr bem, poderemos pensar em novos projetos de maior escopo, maior envergadura”, observou.

Intercâmbio e grandes eventos

O intercâmbio de oficiais nas escolas militares também foi tratado durante o encontro. Houve entendimento comum sobre a necessidade de ampliar a cooperação nessa área, com o aumento do número de militares a serem enviados para estudo nos dois países.

O detalhamento sobre cronograma e composição dos grupos de trabalho nos campos cibernético e espacial ficará a cargo dos estados-maiores conjuntos de ambos os países.

O compartilhamento de experiências na realização de grandes eventos também esteve em pauta. A comitiva russa ofereceu a troca de know-how no tema. E convidou o Brasil a enviar observadores às Olimpíadas de Inverno que acontecerão no país, em fevereiro de 2014. Como contrapartida, Amorim convidou o país asiático a enviar observadores à Copa do Mundo do ano que vem.

Aviação militar

Os ministros também trataram brevemente na reunião do tema aviação militar. E sobre esse propósito, Amorim lembrou que está em curso no país o processo para a aquisição de caças de 4ª geração (FX-2). O ministro brasileiro disse, no entanto, que o Brasil está aberto a conversas sobre eventuais parcerias para o desenvolvimento de caças de 5ª geração.

Os representantes dos dois países conversaram ainda sobre temas da conjuntura internacional (Afeganistão e Síria), e também a cerca de aspectos relativos à segurança cibernética. Sobre este último assunto, houve consenso da necessidade de discussão de uma normatização internacional, a partir de um acordo global, que assegure a proteção das redes informatizadas e infraestruturas dos países.

Sobre isso, Amorim manifestou a preocupação brasileira com a evolução de uma regulamentação internacional que “congele” as diferenças hoje existentes entre os países nesse campo. “Temos que estudar maneiras de controlar o uso de armas cibernéticas, mas sem restringir o uso criativo necessário ao desenvolvimento tecnológico”, disse.

Estiveram presentes na reunião os comandantes da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto; do Exército, general Enzo Martins Peri; e da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito; o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, além do secretário-geral do MD, Ari Matos.

Fotos: Jorge Cardoso e Paulo Henrique
Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Presidenta Dilma indica general do MD para Secretaria Nacional de Defesa Civil

Brasília, 17/10/2013 –
A presidenta Dilma Rousseff indicou o chefe de Logística do Ministério da Defesa (MD), general Adriano Pereira Júnior, para assumir a Secretaria Nacional de Defesa Civil (SEDEC). Militar experiente, o general Adriano foi comandante Militar do Leste (CML) entre maio de 2010 e agosto de 2012, período em que se destacou na pacificação do Complexo do Alemão e na Conferência das Nações Unidas para a Sustentabilidade, a Rio+20.

A nomeação do general consta no Diário Oficial desta quinta-feira. A partir de agora, o militar pode assumir o novo cargo a qualquer momento. Inicialmente, ele entra na condição de agregado do Exército, porque ainda continuará na ativa da Força. Depois de março de 2014, Adriano entrará para a reserva e permanecerá no cargo de secretário como servidor civil.

A SEDEC está sob o guarda-chuva do Ministério da Integração Nacional. Para o general, a facilidade para lidar com o setor civil possibilitou que ele agisse como interlocutor militar junto a prefeitos e governadores, entre outros, quando comandou lugares em que representava a autoridade militar máxima. "Vou atuar numa área em que gosto de trabalhar e sempre estive envolvido, que é o planejamento logístico", disse ele sobre a nomeação.

Ao longo da carreira no Exército, Adriano Pereira Júnior participou de ações que tiveram por objetivo melhorar o cotidiano da população e amenizar o sofrimento de comunidades. É o caso do papel que assumiu durante as enchentes que assolaram as cidades fluminenses de Petrópolis e Nova Friburgo, em 2011. "Fui coordenador do emprego militar no socorro às vítimas do desastre", lembrou.

Sobre a nova responsabilidade, o general disse ter noção do espectro de atividades a cargo da Defesa Civil. "Não é só cuidar de desastres naturais. A SEDEC é o órgão que coordena, por exemplo, toda a distribuição de água para as regiões de seca no Nordeste". E completou: "É um desafio gerenciar a Defesa Civil em um território do tamanho do Brasil. Nos últimos anos, o setor passou por evolução em sua estrutura e eu pretendo dar continuidade a isso".

A Secretaria

De acordo com o sítio eletrônico da SEDEC, a proteção e defesa civil no Brasil estão organizadas sob a forma de sistema, denominado de Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC), composto por vários setores.

A Secretaria de Defesa Civil é o órgão central desse sistema, responsável por coordenar as ações de proteção e defesa civil em todo o território nacional. Essas atividades têm o objetivo de reduzir os riscos de desastre e compreendem ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação, e se dão de forma multissetorial e nos três níveis de governo federal, estadual e municipal – com ampla atuação da comunidade.

O MD tem participação nas áreas de logística da secretaria, como por exemplo, a distribuição de água por meio de carros-pipa em municípios da região Nordeste do país. Ou mesmo em apoio às cidades que sofreram desastres naturais, como os causados pelas chuvas.
Trajetória profissional
Natural de Rio Grande (RS), o general Adriano nasceu em 29 de maio de 1948. Ele iniciou a carreira militar em 1968, ao ser matriculado na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ), sendo declarado aspirante-a-oficial da Arma de Cavalaria em 1971.

Durante seus 45 anos de carreira, realizou os cursos de Manutenção de Viaturas; de Aperfeiçoamento de Oficiais; de Altos Estudos Militares e de Política e Estratégia e Alta Administração do Exército.

Em seu currículo, diz que, como oficial superior, desempenhou os seguintes cargos: oficial de Operações da 12ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Caçapava (SP); subcomandante da Escola de Sargentos das Armas, em Três Corações (MG); e oficial de Gabinete do Ministro do Exército, em Brasília (DF).

Foi também assessor especial do interventor da Polícia Militar de Alagoas; chefe do Estado-Maior da 1ª Divisão de Exército, no Rio de Janeiro (RJ); comandante do 8º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, no posto de major; e comandante do 12º Regimento de Cavalaria Mecanizado, como coronel, em Jaguarão (RS).

Já no exterior exerceu os cargos de subcomandante do Grupo de Observadores Militares da Organização das Nações Unidas, na Guatemala, e de adido Naval e do Exército na República do Equador.
Foi promovido a general-de-brigada em 2002; a general-de-divisão em 2006; e a general de exército em março de 2010. Como oficial-general, exerceu os cargos de: comandante da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, em Uruguaiana (RS); diretor de Manutenção no Departamento Logístico, em Brasília (DF); comandante da 3ª Divisão de Exército, em Santa Maria (RS); diretor do Departamento de Mobilização do Ministério da Defesa; e comandante Militar do Leste, no Rio de Janeiro (RJ).

Foto: Tereza Sobreira
Assessoria de Comunicação Social (Ascom)

Ministério da Defesa