quinta-feira, 3 de julho de 2014

Recessão técnica
Apesar de a produção industrial ter caído em maio exatamente o 0,6% projetado pelos analistas, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, depois de aberta em seus detalhes, ampliou a apreensão dos mercados
Luiz Sérgio Guimarães luiz.sergio@brasileconomico.com.br
A sirene soou nas mesas: se a recessão se caracteriza tecnicamente por dois trimestres consecutivos de queda do PIB, a economia pode ter conhecido uma no semestre que terminou na segunda-feira. Não se trata mais de uma simples “desaceleração”, mas sim de uma “retração”. O pregão de juros futuros da BM&F compreendeu a gravidade da situação e só não se manteve em declínio pois surgiram imperativos mais urgentes, a alta do dólar e dos juros longos americanos. Mas, a rigor, não se trata mais de manter a Selic estável em 11% no “horizonte da política monetária”, como gosta de dizer o Banco Central. Trata-se de baixá-la.
Maio foi o terceiro mês em sequência de queda da produção industrial, sendo que o retrocesso de abril foi revisto pelo IBGE de 0,3% para 0,5%. No acumulado do ano, a baixa foi de 1,6%, e falta muito pouco para zerar a alta de 0,26% em 12 meses. Quando se compara maio de 2014 com o mesmo mês de 2013, tem-se um tombo de 3,2%. Mas por que esse dado industrial induz a suspeita de que a economia esteja em recessão? Quem responde é o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves:
“Com dados fracos de indústria, comércio e emprego divulgados até o momento, contínua deterioração das expectativas e perda de dias úteis em junho e julho com a Copa do mundo, tudo indica uma retração do PIB no segundo trimestre junto com um dado do primeiro revisado também para o campo negativo”. Oficialmente, o PIB de janeiro a março cresceu 0,2%. É esse número que o economista espera que seja revisado.
Ainda não seria uma “recessão” digna do nome. O Itaú projeta para o segundo trimestre um PIB 0,2% menor. Se o dado do primeiro for corrigido para -0,1% se estará diante de um quadro mais de estagnação do que recessão, embora tecnicamente a queda consecutiva do produto por dois trimestres já seja suficiente para tipificá-la. O problema não é de nomenclatura. O problema é que como os índices de confiança são um proxy da produção, do comércio e dos serviços, e como estão em queda alarmante, o futuro se mostra brumosamente sombrio. Não será um pacotinho de manutenção de alíquotas de IPI que conseguirá dissipar a névoa.
Assim que o IBGE divulgou a PIM, a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2017 recuou dos 11,43% do fechamento da véspera para 11,40%, mas mudou de direção, fechando em 11,49%, diante da elevação dos juros americanos impulsionada por um dado inesperado de fortalecimento do mercado de trabalho dos EUA, responsável também pela valorização do dólar. O raciocínio do DI futuro é o seguinte: a anorexia econômica brasileira requer que o Copom entre em prontidão vigilante no sentido oposto ao que exerceu de abril de 2013 a abril de 2014, mas se o dólar começar a subir, adeus flexibilidade monetária. Alexandre Tombini reforçou em entrevista interna ao BC dois pontos que impedem a queda da Selic, apesar do esgotamento do choque dos alimentos e do IPCA mensal cadente: a taxa de câmbio e os preços administrados.
Contraditoriamente, o BC deu ontem uma forcinha para a alta do dólar. A moeda fechou em alta de 0,88%, cotada a R$ 2,2243, porque, primariamente, houve uma valorização global da moeda americana decorrente do resultado imprevisto da pesquisa de emprego do setor privado americano feita pela consultoria ADP. Em junho, as empresas, capitaneadas pelas pequenas e médias, criaram 281 mil novos postos de trabalho, superando largamente a previsão dos analistas de geração de somente 205 mil. A taxa da T-Note de 10 anos avançou de 2,57% para 2,62%. Se havia alguma dúvida no mercado a respeito da tendência de alta do dólar, foi dirimida com a divulgação pelo BC do fluxo cambial na semana passada, negativo em US$ 934 milhões.
O fluxo de junho, que prometia fechar com um espetacular superávit por causa das captações externas de US$ 7 bilhões, amarga um déficit de US$ 856 milhões até o dia 27. O dinheiro das emissões ainda não entrou, se é que entrará. A balança cambial já não exibe o mesmo vigor de meses anteriores a despeito do pagamento pelo Brasil do juro real campeão do mundo. E, apesar desses fatores tendentes a depreciar a moeda nacional, o BC resolveu reduzir a oferta de contratos de swaps cambiais destinados a rolar os que irão vencer. Ou seja, agiu para estimular a alta do dólar.
Durante a maior parte de junho, ele vendeu 10 mil swaps por dia para dosadamente rolar os US$ 10,06 bilhões que venceram na terça-feira. Ao todo, revalidou US$ 8,76 bilhões, levando ao vencimento apenas US$ 1,3 bilhões. Mas, este mês, reduziu a oferta diária para 7 mil contratos. Mantido esse ritmo, irá rolar este mês US$ 7,35 bilhões dos US$ 9,457 bilhões que irão vencer em 1° de agosto. Ou seja, a fatia não renovada dos lotes subirá de 12,92% em junho para 21,96% em julho.
A favor do BC deve-se observar que também em junho iniciou o mês oferecendo uma quantidade menor de swaps, estratégia destinada a testar o apetite do mercado. Como a reação foi negativa – tanto que o dólar disparou 1,55% no dia 2 de junho, para R$ 2,2755 --, rapidamente reverteu a sinalização e inundou o câmbio com esses títulos. Isso também pode acontecer agora, sobretudo se o “payroll” – o relatório oficial sobre o mercado de trabalho dos EUA – de junho, a ser divulgado hoje, aprontar surpresa positiva do tamanho da armada pela ADP.



quarta-feira, 2 de julho de 2014

Brasil bate recorde em homicídios e fica em sétimo lugar entre 100 países

As principais vítimas são jovens do sexo masculino e negros. Ao todo, foram vítimas desse tipo de morte 30.072 jovens, com idade entre 15 e 29 anos. O número representa 53,4% do total de homicídios do país. Também, desse total, 91,6% eram homens.
Os dados de 2012, último ano da série projetada pelo mapa, mostram ainda que, a partir dos 13 anos de idade, o percentual começa a crescer. Passa de quatro homicídios a cada 100 mil habitantes para 75, quando se chega aos 21 anos de idade.
Os homicídios também vitimam majoritariamente negros, isso é, pretos e pardos. Foram 41.127 negros mortos, em 2012, e 14.928 brancos. Considerando toda a década (2002 – 2012), houve “crescente seletividade social”, nos termos do relatório. Enquanto o número de assassinatos de brancos diminuiu, passando de 19.846, em 2002, para 14.928, em 2012, as vítimas negras aumentaram de 29.656 para 41.127, no mesmo período.
Ao todo, ao longo dessa década, morreram 556 mil pessoas vítimas de homicídio, “quantitativo que excede largamente o número de mortes da maioria dos conflitos armados registrados no mundo”, destaca o texto. Comparando 100 países que registraram taxa de homicídios, entre 2008 e 2012, para cada grupo de 100 mil habitantes, o estudo conclui que o Brasil ocupa o sétimo lugar no ranking dos analisados. Fica atrás de El Salvador, da Guatemala, de Trinidad e Tobago, da Colômbia, Venezuela e de Guadalupe.
O Brasil já ocupou posições piores no ranking. A situação foi amenizada tanto por políticas de enfrentamento à violência desenvolvidas internamente, que frearam o crescimento exponencial das mortes, quanto pelo fato de países, especialmente da América Central, estarem vivendo “uma eclosão de violência”. Sobre isso, o relatório destaca que mesmo os países com menores taxas da América Latina, quando comparados com os da Europa ou da Ásia, assumem posições intermediárias ou mesmo de violência elevada. Nesses continentes, segundo a pesquisa, os índices não chegam a três homicídios em 100 mil habitantes.
Entre as políticas desenvolvidas internamente, o estudo destaca a Campanha do Desarmamento e o Plano Nacional de Segurança Pública, em nível nacional, e ações em nível estadual, como as executadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, que geraram quedas nos índices de homicídio em meados dos anos 2000. A magnitude desses lugares pesou na redução dos índices e possibilitou a leve melhora na posição do país no ranking mundial.
Mesmo assim, a situação é preocupante, de acordo com o Mapa da Violência, que é baseado no Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e em outros dados do Ministério da Saúde.
Entre 2002 e 2012, houve crescimento dos homicídios em 20 das 27 unidades da Federação. Sete delas tiveram crescimento explosivo: o Maranhão, Ceará, a Paraíba, o Pará, Amazonas e, especialmente - registra o estudo -, o Rio Grande do Norte e a Bahia. Nos dois últimos, as taxas de mortalidade juvenil devido a homicídios mais que triplicaram.
Nesse último ano, houve aumento das mortes, especialmente entre os jovens. No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, ocorreram 56,5 homicídios por grupo de 100 mil jovens, em 2012.
Na década, as unidades que diminuíram as taxas foram: Mato Grosso, o Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pernambuco e, com mais intensidade, o Rio de Janeiro e São Paulo. Apenas seis estados tiveram queda entre 2012 e 2011. Um deles, Pernambuco, diminuiu 6,8%. Os números, todavia, mostram o desafio: nesse estado, foram 73,8 homicídios a cada 100 mil jovens.

Uma mulher paquistanesa deslocada pela onda de violência na fronteira com o Afeganistão. Foto: ACNUR/Q.K.Afridi
Agências da ONU auxiliam cerca de 500 mil pessoas na fronteira entre o Paquistão e Afeganistão
2 de julho de 2014 · Notícias - ONU

Desde que uma grande ofensiva militar paquistanesa foi anunciada no dia 15 de junho para enfrentar insurgentes armados afegãos, mais de 400 mil pessoas foram obrigadas a abandonar os seus lares na região fronteiriça do Waziristão do Norte. As agências da ONU calculam que 74% das pessoas deslocadas são mulheres e crianças.
“A estimativa é que milhares de pessoas continuem deslocadas, já que é possível que as operações militares se estendam para outras áreas”, alertou o porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jens Laerke, em Genebra.
Laerke disse que as Autoridades Regionais de Gestão de Desastre estabeleceram dois acampamentos para receber as pessoas que fogem do conflito, porém apenas uma pequena porcentagem das 468 mil deslocadas procuraram os abrigos. Segundo o porta-voz, a maioria “prefere ficar com os seus parentes ou amigos, ou em acomodações alugadas onde podem ter melhor acesso à água e eletricidade”.
Ao registrar-se nesses acampamentos, cada família recebe uma ajuda financeira estimada em 400 dólares por um mês, para cobrir gastos médicos, de apoio financeiro para o aluguel e outras necessidades, incluindo um pacote de mercadorias para o Ramadã. Após esse primeiro auxílio, as famílias passam a receber 150 dólares.
A porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Elisabeth Byrs, anunciou que a agência está distribuindo comida em seis localidades para alcançar o maior número de famílias. As rações devem durar um mês, mas o tamanho das famílias, que incluem entre 11 e 13 integrantes, é maior do que o habitual.

batalha pelo Sudeste
Com a escolha de Aloysio Nunes Ferreira para seu vice, Aécio Neves fez mais do que reeditar a tradicional aliança “café com leite” que marcou os tempos da República Velha
Octávio Costa ocosta@brasileconomico.com.br
A opção pela chapa puro-sangue com o senador paulista mostra que o PSDB está apostando todas as fichas numa vitória por larga diferença em São Paulo. Tudo indica que os estrategistas tucanos acreditam que podem abrir ali margem suficiente para cobrir a ampla diferença que se desenha a favor da presidente Dilma Rousseff no Norte e no Nordeste. Também fazem parte de seus prognósticos vitórias de Aécio em Minas Gerais e talvez no Rio de Janeiro, mas a cartada crucial será jogada em São Paulo, com seus 32 milhões de eleitores, cerca de um quarto do eleitorado nacional.
A aposta do PSDB faz sentido. Enquanto no Nordeste e no Norte estão redutos eleitorais fiéis às políticas sociais dos governos petistas, em São Paulo o partido comandado pelo ex-presidente Lula vive momento difícil. Desgastada desde as manifestações de junho do ano passado, a administração Fernando Haddad não recuperou a imagem. Amarga índices de aprovação baixíssimos, inferiores a 20%.
A candidatura do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, escolhida a dedo por Lula, também não decolou. Patina em 3% das intenções de voto. Há quem diga que tudo vai mudar com o horário eleitoral e que se repetirá este ano o avanço de Haddad na reta final em 2012. Pode ser, mas é inegável que a situação de Padilha, nesses dias de economia em banho-maria, é bem mais complexa.
Raposa política das mais matreiras, o ex-governador Paulo Maluf, por exemplo, desistiu do apoio ao ex-ministro de Dilma e acaba de anunciar a adesão à candidatura do empresário Paulo Skaf, do PMDB. O ex-prefeito Gilberto Kassab, da base aliada, também reforçou o time de Skaf, como candidato ao Senado. A própria Dilma tem se aproximado do presidente licenciado da Fiesp, ao mesmo tempo em que mantém distância prudente da campanha de Alexandre Padilha.
Não é sem motivo que muitos analistas recorrem ao exemplo histórico de Cristiano Machado, nas eleições presidenciais de 1950. Candidato do PSD, Cristiano foi traído por líderes de seu partido que, apesar do apoio formal, fizeram campanha aberta pelo ex-ditador Getúlio Vargas. São fortes os rumores de que Padilha terá o mesmo destino e será “cristianizado”.
Para além da questão regional, a indicação de Aloysio Nunes pode dividir os votos que são atraídos pelas ligações da presidente Dilma com os grupos de esquerda que pegaram em armas contra a ditadura militar. Aloysio tem trajetória semelhante. Deixou o Partido Comunista Brasileiro em 1968 para ingressar na ALN, de Carlos Marighella, do qual se tornou motorista e guarda-costas. Sob o codinome Mateus, participou dos assaltos ao trem pagador da antiga Estrada de Ferro Santos Jundiaí e ao carro-pagador da Massey-Ferguson. Com pedido de prisão preventiva, foi enviado para Paris, onde se filiou ao Partido Comunista Francês. Condenado à revelia, só voltou ao Brasil em 1979, graças à Lei da Anistia.
Com o lançamento de José Serra ao Senado ontem, o PSDB amarrou de vez seu pacote paulista. O PT, porém, não está indiferente. Sabe do peso de São Paulo, mas, pelos movimentos de Dilma nos últimos dias, quer fazer do Rio o principal enclave no Sudeste. Não é partido de entregar os pontos. Vai à luta.

terça-feira, 1 de julho de 2014


Militares do Brasil apoiam polícia haitiana em operação de cerco a Bellecourt

Porto Príncipe (Haiti), 01/07/2014 – O Batalhão de Infantaria de Força de Paz do 20º Contingente no Haiti (BRABAT 20) participou, nesse sábado (28), da Operação Musketeer. Conduzida pela MINUSTAH, a missão de paz da ONU para a estabilização do país, a ação realizou um cerco, durante a madrugada, na região de Bellecourt, dentro do bairro de Cité Soleil, para assegurar que a Polícia Nacional Haitiana fizesse buscas e cumprisse mandados judiciais no local.



A Operação, além de auxiliar o trabalho da polícia local, garantiu a segurança da população durante toda a atividade, que culminou na detenção de 29 suspeitos de cometeram delitos na região. Desses, 16 eram membros das gangues que atuam na área.

Participaram da Musketeer as 2ª e 4ª Companhias de Fuzileiros de Força de Paz e o Esquadrão de Fuzileiros Mecanizado, além de tropas especializadas e do pessoal de Coordenação Civil-Militar. O BRABAT recebeu, também, reforço de uma Companhia do Exército da Bolívia (BOLCOY).

O Force Commander da MINUSTAH, General de Divisão José Luiz Jaborandy Júnior, acompanhou pessoalmente as ações e percorreu a pé, com o comandante do BRABAT, coronel Vinícius Martinelli, a área de Bellecourt alvo da operação.

Fotos: ComSoc 20º Brabat
Com informações: ComSoc 20º Brabat
Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa

Isis anuncia criação de califado entre Iraque e Síria

Agência ANSA
Nele, os membros do Isis exigiram que todos os muçulmanos "jurem lealdade" ao novo governante e se oponham à "democracia e outros tipos de lixo" do Ocidente. O califado se estende de Aleppo, na Síria, até a província de Diyala, no Iraque, e foi formado após avanços territoriais do Isis nas últimas semanas. O intuito do Isis é formar um governo único, sem fronteiras, do Mediterrâneo ao Golfo Pérsico, como existia nos tempos medievais. 
A conquista de territórios tem preocupado governos locais e países do Ocidente, como os Estados Unidos, que estudam formar uma aliança com o Irã para conter o grupo. O Exército iraquiano também tem feito ofensivas para conter o movimento. O Isis, que era ligado à Al-Qaeda até o movimento se dissociar, tem cometido ataques sangrentos e aterrorizado a região. De acordo com um relatório, o grupo reivindicou mil mortes em 2013.

Empresa traz tecnologia da ficção para a vida real
Multinacional norte-americana Agilent equipa unidade móvel do Exército montada para prevenir ataques químicos durante a Copa
Rodrigo Carro rodrigo.carro@brasileconomico.com.br
Quem já acompanhou as aventuras dos especialistas forenses Gil Grissom e Sara Slide no seriado americano “CSI: Investigação Criminal” provavelmente conhece, mesmo sem saber, a multinacional americana Agilent. Com frequência, equipamentos fabricados pela companhia fornecem pistas decisivas para a solução dos crimes fictícios investigados pelo Departamento de Polícia de Las Vegas. Por detrás de nomes complicados, como o do espectrofotômetro infravermelho, está uma empresa presente em mais de cem países, com um total de 20,6 mil funcionários, e que só no ano fiscal de 2013 faturou US$ 6,8 bilhões.
No Brasil, a tecnologia da Agilent já era utilizada pela Polícia Federal e pelo Instituto de Criminalística de São Paulo, mas — com a Copa do Mundo — chegou ao entorno do Maracanã. A partir de equipamentos adquiridos na segunda metade do ano passado, o Exército Brasileiro montou um laboratório móvel de testes capaz de identificar e medir substâncias tóxicas presentes no ar, facilitando a reação a um possível ataque com armas químicas, por exemplo. As máquinas tornam possível ainda reconhecer com exatidão materiais tão distintos como cocaína e antrax, entre outros. O laboratório móvel — um furgão do Exército onde estão instalados os equipamentos — fica estacionado nos arredores do Maracanã em dias de jogos.
“Nos Estados Unidos, as polícias de Nova York e do Alabama contam com esse tipo de unidade. Aqui, é o primeiro laboratório móvel com equipamentos nossos”, diz o químico André Santos, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Agilent no país.
Embora atue no Brasil desde 1999, a Agilent ainda é bem menos conhecida no país do que a companhia da qual se originou: a HP. Quando foi fundada, em 1939, a Hewlett-Packard — hoje fabricante de computadores — atuava principalmente na área de equipamentos de medição eletrônica. Ao longo das décadas, essa área cresceu, mesmo com a diversificação dos negócios da companhia. Em 1999, os executivos da HP decidiram focar no segmento de computadores e fizeram um cisão corporativa, criando uma empresa separada — a Agilent — dedicada às áreas de medição analítica, análise química, biociências, diagnósticos, eletrônica e comunicações. “Na época, o faturamento total da HP era de US$ 48 bilhões, sendo que US$ 40 bilhões vinham do negócio de computadores e US$ 8 bilhões de medições químicas e eletrônicas”, conta Santos.
No país, a empresa tem duas divisões principais: a de medições eletrônicas e a de biociências (englobando ciência forense, análise química e segurança alimentar, entre outras). Na parte de medições químicas, a tecnologia é usada para identificar a presença de contaminantes na água e em alimentos. São equipamentos que permitem medir, por exemplo, a presença, no suco de laranja industrializado, de resíduos dos pesticidas usados na citricultura.
Apoiadora da “CSI: The Experience”, exposição interativa de ciências baseada na série transmitida pela CBS, a Agilent fabrica equipamentos capazes de identificar o uso contínuo de drogas, por meio de análise de fios de cabelo. “Os testes de urina e sangue conseguem detectar apenas se a pessoa consumiu drogas nos últimos dias, num prazo de no máximo uma semana”, explica Santos. O processo é possível porque substâncias secundárias oriundas da metabolização da droga pelo organismo vão se acumulando no cabelo ao longo dos anos.
A análise química em nível molecular é útil também para identificar drogas que as autoridades ainda desconhecem. “As drogas sintéticas são, muitas vezes, geradas a partir de alterações no nível molecular de substâncias já conhecidas, como o THC (tetrahidrocanabinol, o princípio ativo da maconha)”, diz o gerente de Desenvolvimento de Negócios. “À medida que novas drogas são identificadas, as autoridades ampliam a lista das substâncias proibidas”. Foi justamente numa cena de apreensão de drogas, em “CSI: Investigação Criminal”, que o executivo reconheceu um dos aparelhos da Agilent. “Vejo CSI muito raramente”, diverte-se Santos. “Os aparelhos não funcionam de verdade mas são idênticos aos reais”, conclui.