segunda-feira, 5 de maio de 2014


Genocídio é ameaça real no Sudão do Sul, alerta ONU

5 de maio de 2014 · Destaque  - ONU




Segundo alertas ONU no Sudão do Sul, realizados nesta sexta-feira (02), o país presencia uma drástica deterioração dos direitos humanos, com crescimento de violência étnica, assassinatos como revanche e indícios de genocídio. Representantes da ONU no local exigiram uma ação do Conselho de Segurança para prevenir o aprofundamento da crise na nação mais jovem do mundo.

“Caso os combatentes não demonstrem intenções claras de acabar com a violência e os ataques a civis”, disse o assessor especial do secretário-geral sobre Prevenção de Genocídios, Adama Dieng, “creio que o Conselho deve tomar medidas adicionais para prevenir a deterioração da situação.”

Desde dezembro de 2013, rivalidades entre apoiadores e opositores do governo desencadearam lutas armadas que já custaram milhares de vidas. Segundo Dieng, há também indícios de incitação ao genocídio e a outras atrocidades, como políticas se separação de civis por etnia e disseminação de mensagens de ódio via rádio.

“Como aqueles que apoiam Riek Machar [líder oposicionista] pertencem à etnia Nuer e os são favor do presidente Kiir são predominantemente Dinka, o risco de ataques sistemáticos com base na etnia aumentou”, alertou Dieng. “Essa polarização é reforçada por relatos de exclusão e discriminação étnica pelo país.”

 

Dilma está perdendo a condição de ser candidata", diz Antônio Lavareda

Para o cientista político, a reeleição da presidenta está ameaçada pelo desgaste do PT, baixa popularidade e a percepção pessimista dos eleitores sobre os rumos da economia, além da forte rejeição do mercado financeiro

Eduardo Mirandaeduardo.miranda@brasileconomico.com.br , Octávio Costaocosta@brasileconomico.com.br e Paulo Henrique de Noronhapaulo.noronha@brasileconomico.com.br

Especialista em marketing eleitoral e comunicação institucional, o cientista político Antônio Lavareda considera a eleição de outubro a mais imprevisível desde a volta do país à democracia. E aponta dificuldades especialmente no caminho da presidenta Dilma Rousseff. Em sua opinião, a reeleição de Dilma está ameaçada por três fatores: a popularidade em baixa, a percepção pessimista dos eleitores sobre os rumos da economia e o desgaste do PT, após quase 12 anos no poder. Essa, diz, é a explicação para a queda da presidenta nas pesquisas de opinião. Além disso, ela enfrenta forte rejeição do mercado financeiro. “Desde 1989, era das eleições presidenciais democráticas no Brasil pós-ditadura, nunca houve um candidato que tenha sido eleito ou reeleito sob o antagonismo manifesto do mercado”, constatou Lavareda, em entrevista ao Brasil Econômico. Com base nessa equação, afirma que “Dilma está perdendo as condições de ser candidata” e pode ser substituída pelo ex-presidente Lula até as convenções de junho. “Se o declínio nas pesquisas continuar, será extremamente difícil o PT deixar no banco de reservas sua principal estrela”. Ele não chega a cravar uma aposta na oposição, mas ressalta que Aécio Neves e Eduardo Campos são identificados com o desejo de mudança por serem “candidatos do Século 21”.

Como o sr. está vendo o cenário eleitoral, com o crescimento de Aécio Neves na última pesquisa de intenção de votos?

O americano Thomas Holbrook (cientista político e professor da Universidade Wisconsin-Milwaukee), estudando fatos que vêm antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos — um país onde o processo eleitoral tem uma série histórica mais longa, que permite inferir as estatísticas de forma mais robusta — elegeu três variáveis como as mais importantes para segurar, ou não, a reeleição de um incumbente (titular do cargo) à Presidência.

Quais são essas variáveis?

A primeira é a popularidade do governante; a segunda, a percepção da população sobre a economia; e a terceira, o tempo que o partido do incumbente está no poder. Do ponto de vista da popularidade, Dilma está vendo aproximar-se o início da campanha eleitoral em viés perigosamente de baixa de sua avaliação positiva. As medições mais recentes apontam apenas 33% de ótimo e bom, contra 31% de ruim e péssimo. É um percentual baixo. Em segundo lugar, a percepção da economia, que neste momento é predominantemente negativa: 79% dos brasileiros dizem que o custo de vida aumentou nos últimos seis meses, segundo a pesquisa CNT/MDA. Sendo que 70,8% dizem que o principal item cujos preços viram aumentar nos últimos seis meses foi a alimentação. Ou seja, a inflação chegou à mesa dos brasileiros, e isso tem um potencial de produzir irritação muito grande. Ainda pela proposição do Holbrook, quanto mais tempo um partido passa no poder, menos chances terá o incumbente de se reeleger. Nos EUA, de 1952 para cá, em todas as eleições realizadas à época da televisão, somente uma vez um partido conseguiu uma sequência de três mandatos. Foi o Partido Republicano, que elegeu Ronald Reagan em 1980, reelegeu-o em 1984 e conseguiu eleger seu vice-presidente, George Bush (pai), em 1988. Mas não conseguiu produzir um quarto mandato: Bush perdeu para Bill Clinton em 1992. Assim, levando em conta essas três variáveis, vê-se que o cenário é bastante adverso, hoje, para a presidenta Dilma. Seria preciso que a economia melhorasse substancialmente, levando junto a percepção da população, e tudo isso se refletisse em sua popularidade. Mas é difícil que ocorra.

O tempo é curto, de três, quatro meses...

E há outro fator, que emite um sinal ainda mais preocupante para Dilma. Desde 1989, era das eleições presidenciais democráticas no Brasil pós-ditadura, nunca houve um candidato que tenha sido eleito ou reeleito sob o antagonismo manifesto do mercado. Há uma manifestação objetiva e cotidiana do mercado nos índices da bolsa de valores. Sintomaticamente, todas as vezes em que a presidenta Dilma tem enfrentado dificuldades e assistido à queda de seus índices de preferência, a bolsa de valores tem subido, automática e simetricamente. Isso é inédito. Não estou dizendo que o mercado indica o presidente, mas que, até hoje, não houve um candidato ou presidente vitorioso que tivesse um visível antagonismo do mercado. Em 1989, quando Fernando Collor começou a crescer, o mercado assistiu à sua ascensão aliviado, pois não queria Brizola e muito menos Lula. Em 1994 e 1998, o mercado assistiu e refletiu a satisfação com a ascensão de Fernando Henrique. Em 2002, até maio, o mercado tinha hostilidade com relação ao pré-candidato Lula, mas, exatamente por isso, ele confeccionou a “Carta ao Povo Brasileiro”. A partir de junho, tanto a oposição a Lula na mídia impressa quanto o próprio mercado arrefeceram na hostilidade ao candidato. Em 2006, podemos dizer que o mercado preferia A ou B, mas não havia sinais de hostilidade a Lula. Em 2010, o mercado até assistia, com boa vontade, o crescimento da candidata de Lula, então com 75% de avaliação em ótimo/bom e, sobretudo, comandando o país em uma fase de crescimento do PIB de 7,5%, sob os aplausos e a felicidade em larga latitude do mercado. Agora, pela primeira vez, temos um candidato à reeleição sobre quem o mercado manifesta desapreço.

Seria o caso de ela fazer uma nova “Carta aos brasileiros”?

Essa questão da carta era adequada a um candidato fora do poder. Para Dilma, essa recomposição com o mercado teria de ser sinalizada de forma mais objetiva. Por exemplo, pela substituição do ministro da Fazenda por um nome mais sintonizado com o mercado, um Henrique Meirelles da vida, em relação ao qual ela se comprometesse a garantir o máximo de autonomia e, sobretudo, sua permanência em um eventual segundo mandato. Mas isso não tem ocorrido, e ela está perdendo tempo. E o pacote de 1º de maio é um fator que agrava ainda mais a situação da presidenta com o mercado.

Mas não fortalece a base de sustentação dela no Nordeste e nas classes C, D e E?

Obviamente, a presidenta fez uma aposta de estancar o sangramento de seus índices de intenção de voto e deter, com isso, o “Volta, Lula”, que vem ganhando volume. Ela sabe da leitura que o mercado fez do seu pacote e imagina que pode ter chances de se reeleger a despeito da postura e da compreensão do mercado em relação a ela. É óbvio que ela fez uma aposta. O tempo dirá se foi correta, ou não.

Mas a gente pode chegar a um ponto que tenha um perfil do eleitorado como se vê, por exemplo, na Venezuela, em que você tem uma clara divisão entre as classes?

Nossa cultura política produziu um eleitorado menos ideologizado do que em outros países latino-americanos, como Argentina, Uruguai e, hoje, Venezuela. Nosso eleitorado é mais pragmático. Os partidos têm pequena inserção na sociedade. O único partido que consegue ultrapassar dois dígitos na preferência é o PT. Apenas ele.

Aécio Neves, pelo que se vê, tem o apoio do mercado, já que, quando ele sobe nas pesquisas, o mercado sobe também...

Não é bem um apoio do mercado ao Aécio. Na verdade, o movimento do mercado, diametralmente oposto, é associado à presidenta Dilma: o mercado não escolheu seu candidato, mas já definiu sua rejeição. E percebo que há poucas chances de a presidenta fazer um movimento de recomposição com o mercado.

E as outras candidaturas?

Os candidatos Aécio e Eduardo têm pontos em comum. O principal deles é que, pelo corte geracional, ambos são candidatos do século 21. A eleição de 2010, por exemplo, era entre dois candidatos que tinham combatido a ditadura. Agora não, você tem dois candidatos mais jovens. No caso de Aécio Neves, ele tem um partido e alianças com maior tempo de TV e que é melhor estruturado em áreas importantes do país — Minas Gerais, São Paulo, no Norte, onde tem o governo do principal estado, e no Sul, tem o Estado do Paraná, que é importante na região. É o partido que tem a melhor estrutura, maior número de quadros e maior tempo de TV. Já Eduardo tem a seu favor um posicionamento que não bate de frente com o lulismo. Ele tem essa postura de terceira via, fortalecida pela presença de Marina Silva na chapa.

Aécio, no programa de TV da semana retrasada, deu muita ênfase ao fato de ser neto de Tancredo Neves. Até com imagens dele ao lado do avô nas Diretas Já. Isso é um trunfo?

Quando você tem nomes desconhecidos na política, é natural que seus marqueteiros divulguem referências que facilitem e ajudem a promover o conhecimento sobre aquele candidato para o eleitorado. O fato de Aécio ser neto de Tancredo ajuda o eleitor comum a encaixar, no seu quadro de referências, essa figura do ex-governador de Minas. Isso dá uma marca de qualidade. Assim como o governador Eduardo Campos, quando se refere a seu avô, Miguel Arraes. Não é que isso tudo dê votos, mas aumenta sua taxa de conhecimento e confiabilidade.

O sr. acredita que a entrada de Lula na campanha de Dilma pode reverter a situação?

Lula teve um peso decisivo na eleição de Dilma em 2010, por dois fatores: ela era pouco conhecida e, com um governo Lula muito bem avaliado, a população desejou a continuidade desse governo e declarou isso em pesquisas. Agora, na mente dos eleitores, não se trata de recuar a 2010 com Lula fazendo uma reapresentação de Dilma. O apoio dele continua sendo importante, mas é um apoio político. Lula é o capitão do time que apoia a presidenta. Mas o que será tratado basicamente pelos eleitores são os sentimentos despertados pela administração Dilma durante esses quatro anos. Uma questão importante: Lula e a equipe de marketing da então candidata Dilma a apresentaram ao país como uma grande gerente, com uma bagagem técnica, a mãe do PAC, e o cargo de ministra-chefe da Casa Civil emprestava credibilidade.

E qual é o fator de agora?

É ver como ficou a imagem de gerente que o eleitorado “comprou” e sufragou maciçamente em 2010. Se essa imagem, na campanha, permanecer como está hoje, Dilma enfrentará severas dificuldades. Na pesquisa CNT/MDA, 22% responderam que Dilma é boa gerente, 31% que não é boa gerente e 45% disseram que ela é uma gerente regular. “Gerente regular” não é um atributo adequado para um presidente.

E como ficam, então, Aécio e Eduardo, dado que o povo não conhece bem esses candidatos?

Mais do que avaliação, a presunção de competência de Aécio e Eduardo será processada pela população a partir das respectivas campanhas, e do que mídia e adversários vão falar negativamente. As experiências de Aécio, no Congresso e no governo de Minas, e de Eduardo Campos, no governo de Pernambuco e no Ministério da Ciência e Tecnologia, serão avaliadas e, a partir daí, vai ser construída uma imagem de maior ou menor competência, assim como a população elaborou sua avaliação de competência gerencial da então candidata Dilma.

Há riscos de Dilma não passar ao segundo turno?

Um candidato incumbente tem, praticamente, um passaporte carimbado para o segundo turno. Isso é verdade aqui e em outros países. Raramente ocorre de o presidente ou o candidato apoiado por ele não chegar ao segundo turno. Mas isso ocorre em situações onde a avaliação positiva caiu tanto, que o presidente ou o candidato por ele apoiado perdeu as condições objetivas de apoio político e subjetivas do eleitorado para chegar lá. No Brasil, isso ocorreu na primeira eleição do ciclo de disputas democráticas, em 1989, com os candidatos Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves, dois pilares da Nova República. Mesmo que estivessem unidos, o somatório da votação de ambos não os colocaria no segundo turno. Na França, em maio de 2002, o primeiro-ministro Lionel Jospin, do Partido Socialista, foi candidato, mas foi ultrapassado por Jean-Marie Le Pen (Frente Nacional) e a França assistiu, perplexa, ao segundo turno entre o candidato da extrema-direita e Jacques Chirac (UMP), com o Partido Socialista de fora da disputa. A eventualidade desse viés de queda da presidenta Dilma avançar numa reta linear de agora até o final da campanha eleitoral a coloca no segundo turno. Acho que a possibilidade de ela não ir para o segundo turno é menor que a possibilidade de ela ser substituída pelo ex-presidente.

O sr. acha que ela ainda pode ser substituída por Lula?

Acho que sim. Por enquanto, Lula ratifica a candidatura da presidenta. Mas há de convir que se você perguntasse ao PT, à base de partidos aliados, aos candidatos a deputado estadual e federal, a senador e a governador o que facilitaria suas campanhas eleitorais, se Dilma ou Lula, a resposta seria o ex-presidente Lula. Se o declínio de Dilma continua, será extremamente difícil deixar no banco de reservas sua grande estrela, que é o Lula. O “Volta, Lula” seria a manifestação mais elementar da racionalidade do PT e de seus aliados.

Então não seria uma decisão dela, mas do partido...

De nenhum dos dois. As lideranças políticas conduzem seus adeptos, seus aliados, mas, em momentos cruciais, são conduzidas pelos interesses das respectivas bases. Como líderes, eles não podem se furtar a ouvir determinadas conclamações.

Dilma afirmou, semana passada, que sai candidata com ou sem base aliada.

Foi um escorregão retórico da presidenta, porque o processo de indicação da candidatura envolve partidos, alianças, tempo de televisão, compromissos com aliados. Se não houver a concordância dos aliados, não haverá a candidatura de Dilma.

Qual é o peso real do Bolsa Família na eleição?

O Bolsa Família foi importante em 2006 e 2010. Em 2014, ele tem sua inegável importância, mas o bom senso nos diz que o mesmo fator usado reiteradamente ao longo do tempo — são quase 10 anos da existência do Bolsa Família — vai perdendo sua utilidade eleitoral, a capacidade do programa de influenciar as pessoas. O país já assistiu a isso antes, com o Plano Real, que foi importantíssimo no discurso de 1998; em 2002, já não se mostrou decisivo; e, em 2006, granjeou poucos votos ao então candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Há uma utilidade declinante nesse programa, como em quaisquer programas. A presidenta tem outros programas, do ponto de vista da opinião pública, muito mais novos e com impacto maior, como o Mais Médicos, que tem apoio de 75% da população. O Mais Médicos veio ao encontro de uma demanda enorme da população, que queria exatamente a presença de mais profissionais de saúde na rede pública. O Bolsa Família já rendeu dividendos eleitorais lá atrás é sua paternidade é creditada ao Lula. 

O sr. acredita em aumento da abstenção por conta de desilusões políticas surgidas nas manifestações de 2013?

As pesquisas têm apresentado um percentual inusual de eleitores que não votarão em nenhum candidato. O que pode ocorrer é que, à medida que esses eleitores forem conhecendo candidatos alternativos a Dilma (que já é conhecida por 99% dos entrevistados), podem, eventualmente, direcionar o apoio a esses candidatos e essa desilusão ser apenas momentânea. Ou não — dependendo das campanhas desses candidatos, a decepção que produz tais percentuais nas pesquisas pode vir a se consolidar e mostrar a maior taxa de alienação da história das eleições no período democrático.

A abstenção favorece Dilma?

Depende de onde parte essa abstenção. Se a abstenção se faz mais intensa nas camadas D e E, isso prejudica a presidenta Dilma. Numa pesquisa recente, o Ibope perguntou se as pessoas votariam caso o voto não fosse obrigatório. Metade votaria, a outra, não. Então, se o não-voto assumisse uma grande proporção, faria o resultado dessa eleição uma grande interrogação.

O sr. concorda com a tese de que essa eleição será a mais difícil da história, inclusive nos estados?

Há um fator que não é lembrado diariamente, que são as manifestações de junho, a crise de representação que não desapareceu da cabeça do brasileiro. Como, durante a Copa, vai se reacender aquele tipo de desejo que a população expressou em 2013, de passar a limpo a política, de maior e melhor participação? Não sabemos ainda com que características isso voltará à superfície. Quando você pergunta nas pesquisas de opinião se haverá novas manifestações, mais de 60% dizem que sim, mas ninguém sabe qual a dimensão, quais as características, como isso vai interagir com a Copa do Mundo e desaguar na campanha eleitoral. É um conjunto de indagações. Portanto, temos as eleições, se não as mais complexas, com certeza as mais imprevisíveis pós-ditadura.

Se o Brasil perder no início da Copa, isso é um agravante?

A Copa nunca esteve relacionada ao resultado de eleições presidenciais, mas há o fato de a Copa ser no Brasil, onde a capacidade de organização do país está sendo muito discutida. Se houver uma onda de manifestações, uma vitória do Brasil pode ajudar a atenuar insatisfações. Já uma derrota, pode ser um pouco mais de água no copo cheio de indignação do povo. Não é que a vitória na Copa seja um excepcional resultado para o governo; é que ela ajudaria a desanuviar espíritos negativos.

Lula foi um presidente político e Dilma popularizou-se como uma gerente. Ser gerente já não traz uma carga inerente de impopularidade?

A avaliação dos governantes é sempre parametrizada pela avaliação retrospectiva dos antecessores. Se Dilma tivesse sucedido um Lula impopular, ela não teria sido eleita, mas seria beneficiada com isso. Governantes que sucedem líderes impopulares têm uma chance maior de desfrutar de uma boa avaliação ao longo do percurso, assim como o inverso é verdadeiro. Dilma, por seu estilo e pelas dificuldades que enfrentou, tem ainda como agravante uma comparação inconsciente que a população faz o tempo todo com Lula. E a comparação é sempre negativa para ela. Ainda assim, isso não a impediu de, por boa parte do seu mandato, ter patamares de aprovação bem elevados. Era impossível imaginarmos, um ano atrás, que as coisas sobre as quais estamos conversando pudessem vir a ocorrer. Em maio de 2013, a situação era muito diferente. Em junho de 2013, a avaliação positiva de Dilma era de 54%, segundo a pesquisa CNT/MDA. Hoje, está reduzida a 33%. A partir de julho, Dilma sofreu essa inflexão e, por volta de outubro, houve uma reação, mas ela já iniciou o ano em viés de baixa. É importante lembrar que a avaliação de governador e prefeito em todo o país está longe de ser positiva. Os governadores têm, hoje, em conjunto, 34,2% de avaliação entre ótima e boa e os prefeitos, 29,8%.

Então, o sr. não acredita que a presidente se reeleja...

O que eu acho é que ela está perdendo as condições de se manter como candidata. Isso é até mais grave.

 

sexta-feira, 2 de maio de 2014


Marinha incorpora dois navios para ações na região do Pantanal

Brasília 02/05/2014 - A Marinha do Brasil (MB) passou a contar com duas novas embarcações para suas ações sociais e de patrulhamento na região do Pantanal. Na manhã desta sexta-feira (2), o Comando do 6° Distrito Naval, no município de Ladário (MS) incorporou os navios Transporte Fluvial “Almirante Leverger” e Aviso Hidroceanográfico Fluvial “Caravelas”. A cerimônia de Incorporação à Armada aconteceu às 9h no Comando da Flotilha de Mato Grosso e contou com a presença de autoridades militares e civis.

Com a capacidade de transportar equipamentos e 130 militares componentes da Força de Emprego Rápido, o “Almirante Leverger” será utilizado, prioritariamente, no transporte fluvial, na execução de tarefas de apoio às operações ribeirinhas, atendimentos médicos e odontológicos. Além da assistência cívico-social, o navio pode aperar em patrulhas fluviais, inspeções navais e atividades de apoio à Defesa Civil. Antes denominado “Albatroz”, a embarcação pertencia a Empresa Arara Pantaneira Transporte Fluvial e Turismo, o navio passa a fazer parte das dez embarcações subordinadas ao Comando da Flotilha de Mato Grosso.

Já o Aviso Hidroceanográfico Fluvial “Caravelas”, chamado anteriormente de “Sereia do Pantanal”, da Empresa Drefhi Turismo LTDA – ME, tem capacidade de transportar 30 militares e executará atividade de cartografia, hidrografia e manutenção. Também será utilizado na instalação de sinalização náutica, contribuindo, assim, para elevar o nível de segurança do tráfego aquaviário na região pantaneira. O navio ficará subordinado ao Serviço de Sinalização Náutica do Oeste.

A MB realizou as aquisições destes navios no final de 2013. A cerimônia de incorporação contou com a presença do Comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto; do Chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Carlos Augusto de Sousa; e do comandante de Operações Navais, almirante Wilson Barbosa Guerra.

Adaptações das embarcações para uso militar

Os navios adquiridos passaram por modificações para o cumprimento das tarefas militares. O “Caravelas”, por exemplo, contará com dois modernos ecobatímetros (espécie de radar) adequados para operação em águas rasas. A embarcação terá também um posicionador satélite, de tecnologia de ponta, capaz de obter e corrigir a posição real do navio. A utilização conjunta desses equipamentos contribuirá para o reconhecimento do relevo do leito dos rios desta região, possibilitando obter a exata localização dos perigos à navegação, tais como pedras, fundo do rio e bancos de areia.

 

Características dos navios
Navio de Transporte Fluvial “Almirante Leverger”:


- Comprimento total: 44m
- Boca: 10m
- Calado moldado de projeto: 1,10m
- Deslocamento leve: 231,9 ton
- Deslocamento carregado: 285,9 ton
- Raio de ação: 1800 milhas náuticas
- Velocidade de serviço: 12 km/h
- Autonomia: 30 dias de operação
- Capacidade de operar com aeronave de asa rotativa
Aviso Hidroceanográfico Fluvial “Caravelas”:


- Comprimento total: 25,84m
- Comprimento entre perpendiculares: 24,87m
- Boca moldada: 7,00m
- Pontal moldado: 1,30m
- Calado moldado de projeto: 0,79m
- Deslocamento leve: 77,96 ton
- Deslocamento carregado: 100,36 ton
- Velocidade de serviço: 7 nós

Fotos: Marinha do Brasil
Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa

 






Forças ucranianas iniciam operação para retomar cidade de separatistas


Militares estão em Slaviansk e teriam sofrido resistência de pró-russos.
Ministério da Defesa da Ucrânia diz que dois helicópteros foram abatidos.


As Forças Armadas da Ucrânia começaram na madrugada desta sexta-feira (2) uma operação militar em Slaviansk, no sudeste do país, para retomar o controle da cidade, que está nas mãos dos separatistas pró-russos, segundo meios russos e ucranianos.

De acordo com as agências russas, os milicianos pró-Moscou derrubaram dois helicópteros e um piloto morreu, enquanto outro foi capturado, de acordo com o autoproclamado prefeito da cidade, Viacheslav Ponomariov.

O Ministério do Interior da Ucrânia confirmou que as aeronaves foram destruídas e que dois militares morreram e vários ficaram feridos na operação até o momento.

O porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, disse que o Kremlin estava "extremamente preocupado" porque não tinha notícias de um representante que Putin enviara à cidade para ajudar a libertar reféns estrangeiros.

Ele disse que uma "operação punitiva" organizada por forças ucranianas acabou com um plano de paz acertado com potências ocidentais duas semanas atrás.

O líder das chamadas "forças de autodefesa", Igor Strelkov, afirmou que a cidade está agora bloqueada pelas tropas ucranianas, que utilizaram 20 helicópteros na ofensiva.

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Helicóptero militar ucraniano pousa em um posto de controle da Ucrânia, perto da cidade de Slaviansk (Foto: AFP)

"Todas as estradas estão interrompidas e de todas as direções chegam blindados e soldados. Eles estão utilizando contra nós até 20 helicópteros, de combate e de transporte de tropas. O inimigo bloqueou a cidade totalmente, as entradas e as saídas", disse Strelkov ao canal russo de televisão 'Rossia 24'.

Outros meios informam que uma sirene soou na cidade e que era possível ouvir tiros e explosões.

Um porta-voz dos pró-russos disse à agência 'RIA Novosti' que "o ataque tem como alvos vários postos de controle ao mesmo tempo. Chegaram alguns blindados e veículos militares, e soldados desembarcaram de helicópteros e atacaram os postos de controle".

Segundo a 'Interfax', há vários feridos entre os milicianos pró-russos.

Slaviansk se transformou no bastião do levante pró-russo no sudeste da Ucrânia contra o governo de Kiev. Seis inspetores militares europeus e um intérprete continuam retidos nessa cidade, acusados pelos separatistas de serem espiões da Otan.

O governo de Kiev não confirmou a operação e os meios ucranianos fazem seus relatos com base nas informações da imprensa russa.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia advertiu que se autoridades de Kiev fizessem uma ofensiva no sudeste da Ucrânia poderia trazer "consequências catastróficas". - EFE

 

 


Presidente chinês promete "ações decisivas" após novo ataque em Xinjiang

Ação ocorreu após "visita de inspeção" do presidente Xi Jinping nesta grande região do oeste da China, de maioria muçulmana

AFPredação@brasileconomico.com.br

O presidente chinês Xi Jinping prometeu tomar "ações decisivas" após um ataque que matou três pessoas e deixou dezenas de feridos na estação de trem de Xinjiang.

O ataque ocorreu após o que a mídia local tem chamado de "visita de inspeção" do presidente Xi nesta grande região do oeste da China, de maioria muçulmana. A batalha para combater a violência e o terrorismo não autoriza nenhuma covardia, e ações decisivas deverão ser tomadas para que possamos dar o exemplo a estes terroristas", reagiu Xi Jinping, citado pela agência de notícias Xinhua.

Segundo a agência, na noite de quarta-feira agressores esfaquearam e bateram em dezenas de usuários e detonaram artefatos explosivos na estação de trem de Urumqi, capital de Xinjiang. De acordo com a Xinhua, trata-se de um "ataque terrorista violento", ainda que nenhuma reivindicação tenha chegado às autoridades até o momento.

Ao longo de sua visita a Xinjiang, Xi Jinping pediu um reforço regional na luta contra o terrorismo. Ele também encorajou que medidas para facilitar a assimilação de minorias étnicas sejam tomadas.

Xinjiang é a "linha de frente" do combate de Pequim contra o "terrorismo", declarou o presidente chinês. Xi garantiu que o país colocaria em prática "uma política apropriada para melhorar a harmonia étnica e a prosperidade comum de todos os grupos étnicos".

A região de Xinjiang, constituída principalmente pela etnia do uigures, muçulmanos de língua turca, é o palco de violências denunciadas por Pequim como atos "terroristas" imputados por movimentos separatistas e islamistas.

Em março, 29 pessoas morreram e 143 ficaram feridas após um ataque com facas na estação de trem de Kunming, capital da província chinesa de Yunnan (sudoeste). O governo chinês atribui o ataque a separatistas de Xinjiang.

Quatro sobreviventes do grupo de assassinos, chamado pelas autoridades de "bando terrorista", foram considerados culpados e serão provavelmente condenados à pena de morte pela participação ao que muitos chamam de "11 de setembro" chinês.

A explosão foi registrada por volta das 19h (horário local), na estação de trens do sul de Urumqi, capital de Xinjiang, "em bagagens abandonadas entre a saída da estação e um ponto de ônibus".

Segundo o Jornal do Povo, que cita fontes próximas às investigações, duas pessoas assassinadas eram criminosos que iam detonar suas bombas. A terceira seria um passageiro.

O acesso à estação, a mais movimentada de Xinjiang, foi reaberto por volta das 21h (hora local), depois da retirada das pessoas presentes no momento da explosão, disse a Xinhua.

A televisão oficial divulgou nesta quinta-feira imagens do presidente Jinping durante sua visita a Xinjiang ao lado dos responsáveis pelas forças de segurança, moradores locais e estudantes.

"Os postos de polícia locais são nosso punhos e nossos punhais, por isso temos que realizar um bom trabalho e tomarmos conta de nossos policiais", disse Xi Jinping.

"Espero que vocês mostrem excelentes resultados em sua missão de serviço à população e de manutenção da estabilidade social", reforçou o presidente.

Segundo Dilxat Raxit, porta-voz do Congresso Mundial Uigur, organização de defesa dos uigures com sede em Munique (Alemanha), quase 100 membros da comunidade foram presos após o ataque à estação de Urumqi, em março.

Raxit convidou o presidente chinês a visitar "o Turquistão oriental", nome usado pelos uigures para designar a região de Xinjiang, "para fazer propostas realmente construtivas para a melhora da situação".

Mas "o fato é que Pequim continua a encorajar a repressão armada aos uigures", disse o porta-voz da minoria em comunicado.

 

Almirante Guerra assume o Comando de Operações Navais (CON) no Rio

Rio de Janeiro, 30/04/2014 – O almirante Wilson Barbosa Guerra assumiu, nesta quarta-feira (30), o Comando de Operações Navais (CON) e a diretoria geral de Navegação da Marinha. Na cerimônia, realizada a bordo do Navio Aeródromo São Paulo, o ministro da Defesa, Celso Amorim, destacou a importância da Força Naval nas missões de paz no Brasil e no exterior.


“A Marinha do Brasil segue a todo vapor. Tem sido importante em operações como a que ocorre no Líbano (Unifil), bem como na garantia da lei e da ordem (GLO) no Complexo da Maré, aqui no Rio”, afirmou o ministro.

O almirante Guerra assume um dos mais importantes postos da Marinha. Ele substitui o almirante Luiz Fernando Palmer Fonseca. O evento levou ao Arsenal de Marinha do Rio oficiais-generais também do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB), além de autoridades civis. O comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, comandou o ato de passagem de comando.

Operação Naval

Para o evento, o Arsenal de Marinha na capital fluminense montou uma operação especial. Da entrada do local até o porta-aviões, militares foram posicionados para indicar o ponto de concentração dos convidados. Duas rampas permitiam o acesso o navio.

Fundeados na Baía de Guanabara, outras embarcações e um submarino guarneciam o espaço da cerimônia de posse, iniciado com a chegada do ministro Amorim e do comandante Moura Neto. Entre discursos e substituição das bandeiras dos almirantes Palmer e Guerra, ocorreu uma salva de 17 tiros de canhão.

Já no posto máximo do CON, o almirante Guerra assistiu ao desfile das tropas. O Comando de Operações Navais é composto pelas Forças Navais, Aeronavais e de Fuzileiros Navais, totalizando 275 organizações militares. O CON dispõe de 23 navios de médio porte e um de grande porte, o porta-aviões São Paulo.

Novas embarcações

Na próxima sexta-feira (2), o comandante da Marinha, almirante Moura Neto o Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Carlos Augusto e o almirante Guerra recebem os navios: Navio-Transporte Fluvial “Almirante Leverger” e Aviso Hidroceanográfico Fluvial “Caravelas” em cerimônia que acontecerá no 6º Distrito Naval, no município de Ladário (MS). As novas embarcações serão empregadas como transporte fluvial e na segurança do tráfego aquaviário na região.

Fotos: Felipe Barra
Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa