segunda-feira, 26 de janeiro de 2015


Mercado vê inflação próxima de 7% e crescimento econômico menor

De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), IPCA fechará 2015 em 6,99%. Já a estimativa de expansão do PIB deste ano recuou de 0,38% para 0,13%

Agência Brasilredação@brasileconomico.com.br

Brasília - Os investidores e analistas do mercado financeiro continuam vendo a inflação resistente em 2015. Eles elevaram para 6,99% a projeção de fechamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) este ano, a quarta alta consecutiva. O teto da meta da equipe econômica para o IPCA é 6,5%. O mercado também voltou a reduzir a projeção de crescimento da economia em 2015, de 0,38% para 0,13%. Os dados são do boletim Focus, divulgado hoje (26) pelo Banco Central (BC).

O levantamento da última semana também voltou a elevar a estimativa para os preços administrados, que sofrem algum tipo de influência do governo. De 8,2%, a projeção passou a 8,7%. Com relação à taxa básica de juros, a Selic, a previsão para 2015 permanece em 12,5% ao ano. Em reunião na última quarta-feira (21), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu elevar a Selic em 0,5 ponto percentual, de 11,75% para 12,5% ao ano.

A projeção de câmbio foi mantida em R$ 2,80. A estimativa da dívida líquida do setor público ficou em 37% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país). A projeção do déficit em conta-corrente, que mede a qualidade das contas externas, seguiu em US$ 78 bilhões.

O saldo projetado para a balança comercial caiu de US$ 5 bilhões para US$ 4,5 bilhões. Os investimentos estrangeiros estimados passaram de US$ 58,2 bilhões ao patamar de US$ 60 bilhões das projeções anteriores. A previsão de crescimento da produção industrial caiu de 0,71% para 0,69%.

O Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central, e as estimativas divulgadas hoje são avaliações feitas por instituições financeiras na semana passada.

 

domingo, 25 de janeiro de 2015


Muçulmanos se sentem humilhados pelo Ocidente, diz ex-Nobel da Paz

Egípcio Mohamed ElBaradei deu entrevista a jornal austríaco.
Jihadistas são fáceis de recrutar em ambiente discriminatório, afirmou.

Da EFE

 

Mohamed ElBaradei ganhou o Nobel da Paz em 2005 (Foto: AP)

O prêmio Nobel da Paz 2005, Mohamed ElBaradei, considera que o aumento do terrorismo islamita se deve ao fato de muitos muçulmanos se sentirem tratados "como lixo" pelo Ocidente.

Em entrevista publicada neste domingo (25) pelo jornal austríaco "Die Presse", o diplomata egípcio assegura que "não é desculpa para o que ocorreu em Paris, é horrível, mas os jihadistas são fáceis de recrutar neste ambiente".

ElBaradei se refere ao sentimento de humilhação dos muçulmanos em países como o Afeganistão, Síria, Líbia e Palestina como raiz da radicalização.

"Temos que entender por que estas pessoas não são o Dalai Lama, mas terroristas suicidas", disse ElBaradei, que tem sua residência em Viena.

ElBaradei afirma que o Ocidente é "disfuncional" e "míope", e usa como exemplo a prioridade dada nos meios de comunicação ao ataque contra a revista satírica "Charlie Hebdo" no dia 7 de janeiro em Paris com relação ao silêncio acerca do massacre de centenas de nigerianos pelas mãos do grupo terrorista Boko Haram por volta dssa data.

"Quanto se informou sobre este fato?", pergunta-se o ex-diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica, a agência nuclear da ONU, com sede em Viena.

EUA e Afeganistão
Por outra parte, ElBaradei diz indiretamente que os Estados Unidos são a raiz dos problemas do Afeganistão.

"Agora todos dizem: Oh Deus, temos o Estado Islâmico (EI). Mas, quem criou o EI?. Quem abriu a porta da religião na política? Olhem para o Afeganistão. Quem apoiou aos mujahedins contra os russos?", comenta.

"Seria possível uma grande mudança se as pessoas do Afeganistão e na Índia tivessem a sensação de que nos preocupamos por eles. Se solucionamos alguns de seus problemas e não apoiamos regimes repressivos. Caso contrário, estas bombas sociais e políticas explodirão em nossas caras", adverte o egípcio.

Após sua passagem pela agência nuclear de Nações Unidas, que dirigiu durante 12 anos até final de 2009, ElBaradei tentou participar da democratização do Egito.

Durante um mês, no verão de 2013, foi vice-presidente do Egito, mas renunciou perante a forte repressão contra os seguidores do então deposto presidente islamita Mohammed Mursi.

 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015


Território: Sara Ocidental

Status: território disputado reivindicada por Marrocos e saharauis buscando a auto-determinação

População: 260.000 (estimativa)

Principal cidade: Laayoune

Área: 252.120 km ² (97.344 milhas quadradas)

Grande língua: Árabe

Principal religião: o Islã

Expectativa de vida: 62 anos (homens), 66 anos (mulheres) (ONU)

Recursos econômicos: depósitos de fosfato, pesca, possivelmente de petróleo

Moeda em uso: Dirham marroquino

Perfil

Um território deserto, principalmente no noroeste da África, o Saara Ocidental é o tema de uma disputa de décadas entre o Marrocos ea Frente Polisário argelino-backed.

O território é rico em fosfato e acredita-se que os depósitos de petróleo offshore. A maioria dos que tem estado sob controlo marroquino desde 1976.

Saara Ocidental caiu sob o domínio espanhol, em 1884, tornando-se uma província espanhola, em 1934. O nacionalismo surgiu na década de 1960, como nômades saarianos, ou saharauis, se instalaram na região.

Polisário foi criada em 10 de Maio de 1973 e estabeleceu-se como o único representante do povo do Saara. Cerca de 100.000 refugiados ainda vivem em campos Polisario na Argélia.

Acordo de Madrid

Em outubro de 1975, o Tribunal Internacional de Justiça rejeitou as reivindicações territoriais por Marrocos e Mauritânia. O tribunal reconheceu o direito dos saharauis "à auto-determinação e Espanha concordaram em organizar um referendo.

Mas, em novembro de 1975, o rei Hassan II de Marrocos ordenou uma "Marcha Verde" de mais de 300.000 marroquinos para o território. Espanha recuou e negociou um acordo com Marrocos e Mauritânia, conhecido como o Acordo de Madrid.

Assinado em 14 de novembro de 1975, o acordo dividiu a região. Marrocos adquiriu dois terços no norte e Mauritânia o terço restante. Espanha concordou em acabar com o domínio colonial.

Polisário declarou a República Democrática Árabe Sahariana (RASD) em 27 de Fevereiro de 1976 e anunciou seu primeiro governo, em 4 de março.

O presidente atual RASD, Mohamed Abdelaziz, foi eleito secretário-geral da Frente Polisário, em agosto de 1976.

Em agosto de 1978, um mês após um golpe de Estado, um governo da Mauritânia assinaram um novo acordo de paz com Polisario e renunciou todas as reivindicações territoriais.

Marrocos se mudou para ocupar áreas destinadas à Mauritânia. Argélia, por sua vez permitiu refugiados a se estabelecer em sua cidade do sul de Tindouf, onde Polisário ainda tem a sua base principal.

Polisário liderou uma guerra de guerrilha contra forças marroquinas até 1991.

Referendo

Em abril de 1991, a ONU estabeleceu Minurso, a Missão das Nações Unidas para um Referendo no Sahara Ocidental. Sua breve era implementar um plano de paz delineado em 1990 uma resolução do Conselho de Segurança. Em setembro de 1991 um cessar-fogo mediado pelas Nações Unidas foi declarado.

O plano de paz prevê um período de transição, levando a um referendo em janeiro de 1992. Saarianos ocidentais que escolher entre a independência ea integração em Marrocos.

Minurso foi Total 1.000 1.700 civis e militares. Sua tarefa era para monitorar o cessar-fogo, o confinamento das partes beligerantes para áreas designadas ea troca de prisioneiros.

Enquanto o cessar-fogo realizado, a missão nunca foi totalmente implantado. Nem foi o período de transição já concluída. Um ponto chave era um "processo de identificação", para decidir quem era elegível para votar.

Identificação era para ser com base em um censo realizado pela Espanha em 1973. Polisário queria descartar marroquinos que se instalaram no Sahara Ocidental após a Marcha Verde.

Em maio de 1996, a ONU suspendeu o processo de identificação e recordou mais Minurso pessoal civil. Os militares ficaram para supervisionar a trégua.

As tentativas iniciais para reanimar o processo fracassou sobre preocupações de Marrocos que um referendo não serve os seus interesses.

Plano Baker

A paz voltou à prancheta de desenho quando enviado especial da ONU, James Baker mediada em conversações entre Polisário e Marrocos em Londres, Lisboa e Houston, em 1997, e depois em Londres novamente em 2000.

Foram celebrados acordos sobre a libertação de prisioneiros de guerra, um código de conduta para a campanha do referendo, a autoridade da ONU, durante um período de transição -, mas não sobre a elegibilidade do eleitor. Novas negociações foram realizadas em Berlim e Genebra, em 2000, mas novamente teve problemas.

Em uma nova tentativa de romper o impasse, James Baker apresentou um "acordo-quadro", conhecida como a Terceira Via, em junho de 2001.

É prevista autonomia para saharauis sob soberania marroquina, um referendo depois de um período de transição de quatro anos, e os direitos de voto de colonos marroquinos residentes no Sahara Ocidental por mais de um ano.

Esta fórmula foi rejeitada pela Polisário ea Argélia. Então, em julho de 2003, a ONU adoptou uma resolução de compromisso propondo que o Saara Ocidental se tornar uma região semi-autônoma de Marrocos para um período de transição de até cinco anos.

Um referendo seria então ter lugar na independência, semi-autonomia ou integração com Marrocos.

Este compromisso foi visto como resposta às preocupações de Marrocos, em uma tentativa de seduzir-lo a concordar com um referendo.

Impasse

Polisário a sua disponibilidade para aceitar, mas Marrocos rejeitou o plano, citando preocupações de segurança. Enviado James Baker renunciou em junho de 2004 e do processo da ONU permanece num impasse.

Fala retomado entre Marrocos ea Frente Polisario, em Março de 2008 em Nova York, com a Mauritânia e Argélia também participar. Eles fizeram nenhum progresso.

EUA A secretária de Estado, Condoleezza Rice, procurou quebrar o impasse durante uma visita à África do Norte, em setembro, mas a busca da al-Qaeda redes em Marrocos e na Argélia tinha precedência.

Em janeiro de 2009 Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon, nomeou diplomata dos EUA Christopher Ross como seu novo enviado especial para lidar com o Sahara Ocidental. Sr. Ross já foi embaixador dos EUA para a Argélia.

Em novembro de 2010, várias pessoas foram mortas em confrontos violentos entre forças de segurança marroquinas e manifestantes perto da Laayoune capital, pouco antes da ONU mediadas discussões sobre o futuro do território foram devido a abrir em Nova York.

Datas-chave

1884: Espanha coloniza o Sahara Ocidental

1973: Polisário configurar

1975: regras Mundo pessoas tribunal deve decidir sobre a soberania

1975: "Marcha Verde", a Espanha compromete-se a entregar ao Marrocos, Mauritânia

1976: Espanha se retira, declarou RASD

1979: Marrocos partes anexos da Mauritânia

1976 -1991: A guerra de guerrilha

1991: Minurso estabelecido

1991: Cessar-fogo declarado

1996: movimentos da ONU suspende referendo

2001: plano Baker

2007-8: Talks não chegarem a resolução

Fonte: www.bbc.co.uk

 

MISSÃO DE PAZ

Brasileiro assume comando de base da ONU no Saara Ocidental

O militar lidera um grupo de 15 observadores de 12 diferentes países

Publicado: 23/01/2015 11:32h


Fonte: Agência Força Aérea

O Major Intendente Adriano Maia Ribeiro de Azevedo, da Força Aérea Brasileira, assumiu nesta semana o comando de uma base da Missão de Paz da ONU no Saara Ocidental. Localizada no meio do deserto, a base está na vila de Tifariti, palco de batalhas durante a guerra travada entre 1975 e 1991. A passagem de comando aconteceu na última segunda-feira (19/1).

O brasileiro lidera um grupo de 15 observadores militares de 12 diferentes países. "São muitos os desafios, mas liderar de forma harmônica uma equipe com tamanha diversidade de origens, culturas e religiões é sem dúvidas o maior deles. É necessário que todos estejam em sintonia", conta o militar brasileiro. Também há o trabalho de gerenciar a logística de água, comida e de combustível.

Tifariti é uma das nove bases sob o comando da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO). O grupo de 15 observadores militares é responsável pelo monitoramento de uma área de 12.000 quilômetros quadrados na fronteira com a Mauritânia. "São realizadas patrulhas diárias e visitas regulares às unidades militares sediadas na região, de modo a se atestar o cumprimento dos acordos firmados", explica o Major Adriano.

"O contato com a população que sofreu as barbáries de uma guerra, e que até hoje apresenta resquícios daquele período, não só me torna um profissional melhor, mas principalmente uma pessoa melhor", conta. Formado pela Academia da Força Aérea em 2001, ele foi voluntário para a missão e está no país africano desde o dia 1° de setembro.

A MINURSO atua desde 1991 e conta atualmente com 225 militares de 34 países. "Como militar brasileiro, sinto-me muito honrado em poder contribuir para solidificar ainda mais o nome do Brasil nas missões de paz da ONU. É com muito orgulho que percebo o quão respeitado é o militar brasileiro hoje em sua participação internacional, sempre tido como exemplo de profissionalismo, imparcialidade e boa convivência", afirma o Major.

 

Petrobras anuncia produção de biodiesel a partir de óleo de peixe

Em usina no Ceará, produção será feita a partir do óleo extraído de vísceras de peixe. Biodiesel pode beneficiar 300 piscicultores familiares e garantir a compra de 15 toneladas de resíduos e gorduras de peixe por mês

Rio de Janeiro (RJ), 22 de Janeiro de 2015

NIELMAR DE OLIVEIRA (AGÊNCIA BRASIL)

Inicialmente, 300 piscicultores familiares podem ser beneficiados com medida (Tomaz Silva/ABr)

A Petrobras vai começar a produzir ainda este mês biodiesel a partir do óleo de peixe. Por meio de nota, a estatal informou que a produção do biodiesel a partir dessa matéria-prima vai beneficiar inicialmente 300 piscicultores familiares e garantir a compra de 15 toneladas de resíduos e gorduras de peixe, por mês, de piscicultores cearenses.

A produção será feita pela Petrobras Biocombustíveis na Usina de Quixadá, no Ceará, a partir do óleo extraído de vísceras de peixe, conhecido como OGR (óleos e gorduras residuais) de peixe. A companhia recebeu, em dezembro, 4,55 toneladas do produto para produção de biodiesel.

Segundo informações da estatal, o volume é resultado do primeiro contrato de compra firmado com a Cooperativa dos Produtores do Curupati, em Jaguaribara, região centro-sul do estado, em 18 de dezembro de 2014. Na ocasião, também foi assinado convênio com a Secretaria da Pesca e Aquicultura do Ceará para assistência técnica aos piscicultores dos açudes do Castanhão e de Orós.

As informações indicam ainda que, até o fim do ano, o projeto poderá alcançar metade dos 600 piscicultores familiares que trabalham nos dois maiores açudes da região: o Castanhão, que tem áreas produtivas nos municípios de Jaguaribara, Jaguaretama e Alto Santo; e o Orós, nos municípios de Orós e Quixelô, ambos na bacia hidrográfica do Rio Jaguaribe.

Na avaliação da Petrobras, o uso do óleo extraído das vísceras do pescado na produção traz vantagens a ambas as partes. Para a companhia, assegura biodiesel com matéria-prima de qualidade, além de a iniciativa estar alinhada ao Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, condição necessária para garantir o Selo Combustível Social do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Já para os piscicultores, gera valor de mercado para um subproduto, o que proporciona renda extra. Ao mesmo tempo, fortalece a cadeia produtiva do pescado, transformando um possível passivo ambiental em matéria-prima para a produção de biodiesel.

A introdução do óleo de peixe na cadeia produtiva do biodiesel é uma parceria da Petrobras Biocombustível, do Ministério da Pesca e Aquicultura, da Secretaria de Pesca e Aquicultura do Estado do Ceará, da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), do Núcleo Tecnológico da Universidade Federal do Ceará, do Banco do Nordeste, do Banco do Brasil, do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) e das prefeituras de Jaguaribara e de Orós.

 

General Jaborandy (à frente) inspeciona operação em área violenta e pobre do Haiti (Foto: UN)

Haiti pode 'se deteriorar rapidamente', diz brasileiro comandante de missão

Protestos, disputa de áreas por gangues e instabilidade política preocupam.
Brasil lidera desde 2004 missão de paz da ONU no país caribenho.

Tahiane Stochero Do G1, em São Paulo

 

Protestos violentos, disputas de território entre gangues e incertezas políticas estão entre as principais preocupações do general do Exército brasileiro José Luiz Jaborandy Júnior, comandante militar da missão da ONU no Haiti. O país vive uma crise derivada da renúncia do premiê e da dissolução do Parlamento.

Desde 2004, quando uma crise institucional culminou com a queda do então presidente Jean Bertrand-Aristides, o Brasil comanda a operação de paz no país caribenho, trocando a cada seis meses mais de 1.000 soldados que mantém lá.

“A situação atual do Haiti, em função da instabilidade política, está frágil e volátil, podendo se deteriorar rapidamente. Há manifestações por todo o país e por razões distintas, como melhoria das condições de ensino e aumento salarial para os professores, falta de energia elétrica, falta de água, carência na assistência médico-hospitalar, dentre outras”, afirmou o general em entrevista exclusiva ao G1 a partir de Porto Príncipe.

Na capital haitiana, ele lidera mais de 5.000 militares da missão da ONU para estabilização do Haiti (Minustah). “Temos que admitir que realmente a situação política está passando por um momento de instabilidade e a comunidade internacional está acompanhando de perto”, acrescentou.

Em dezembro, o então primeiro-ministro Laurent Lamothe renunciou em meio a um período de agitação liderado pela oposição, que reivindica também a renúncia do presidente Michel Martelly, acusado de corrupção e de realizar prisões arbitrárias de opositores.

 

No início de janeiro, o Parlamento foi dissolvido após o fracasso das negociações para estender o mandato dos seus membros. País mais pobre das Américas e com metade da população analfabeta, o Haiti não tem eleições legislativas ou municipais há três anos, devido a diversos adiamentos. A falta de um Parlamento efetivo faz com que o presidente na prática governe por decreto.

 “Na capital, a população tem se mobilizado nas ruas em demonstrações tanto pró como contra o governo. Em sua maioria apresentam um viés político e, normalmente, começam de maneira pacífica mas, por vezes, tornam-se violentas, sendo necessária a intervenção do poder público haitiano por meio da Polícia Nacional do Haiti (PNH)”, afirma o general brasileiro.

Cerca de 70% da população do país não possui emprego formal, segundo dados da ONU.

“Quanto aos riscos políticos, posso dizer que sempre existirão e que fazem parte do amadurecimento do processo democrático. A Minustah existe exatamente para auxiliar nesse processo", diz.

"Do ponto de vista das operações militares, o que mais nos preocupa é o incremento da violência entre gangues rivais na disputa de áreas de influência. Temos tomado as medidas cabíveis”, afirma. "Temos conseguido manter a segurança no país, mesmo com este cenário de instabilidade política".

Protestos tomam ruas do Haiti contra falta de água, luz e baixos salários (Foto: Hector Retamal/AFP)

Antes de comandar a tropa no Haiti, o general esteve à frente da região militar responsável pela defesa do Pará e atuou em duas operações das Nações Unidas na América Central.

Questionado sobre se há temores de excesso de autoritarismo e ameaças à democracia, diante do cenário frágil, o oficial respondeu que era “difícil dizer”, mas que “acreditava que não”.

“Tanto a comunidade internacional, como a própria oposição, estão bastante vigilantes quanto a isso. Penso que qualquer indício poderá comprometer os investimentos e o aporte financeiro internacional”, entende o general Jaborandy.

Redução do efetivo da ONU
Segundo o brasileiro, o Conselho de Segurança da ONU deve votar em março o prosseguimento do cronograma de redução das tropas internacionais do país, que poderá cair a quase metade do efetivo atual e ficar em apenas 2.370 soldados. Logo após o terremoto que devastou o país em 2010, a ONU chegar a ter mais de 14 mil militares no Haiti.

  • O general diz que não se pode afirmar categoricamente se a ONU vai ou não manter o planejado, diante da situação atual.

“Qualquer que seja a decisão do Conselho de Segurança da ONU, estaremos prontos para executar. Temos plena confiança que nossa tropa saberá dar continuidade ao legado dos seus antecessores e que as forças haitianas saberão conduzir seus próprios destinos”, acredita Jaborandy.

Em 2 de janeiro deste ano, um soldado brasileiro de 21 anos foi baleado na perna em Cité Soleil, a maior e mais violenta favela de Porto Príncipe, pacificada pela tropa brasileira em 2007. O suspeito de acertar o brasileiro estava escondido e fugiu. A situação de segurança no local voltou a se deteriorar após esse processo.

“Cité Soleil é a região mais desfavorecida socialmente da capital do Haiti. A maior parte de seus habitantes são pessoas simples e humildes. Pessoas de bem. Porém, a marginalidade que existe em toda grande cidade, se esconde nas vielas das favelas de Cité Soleil”, explica o general, salientando que o soldado está em recuperação e deve voltar às atividades em algumas semanas.

 

Ministro Braga diz que País terá "problema grave" de energia se reservatórios chegarem a 10%

Governo já sinalizou que poderá tomar as “medidas necessárias”, que podem incluir o racionamento de energia

 

Brasília (DF), 23 de Janeiro de 2015

SABRINA CRAIDE (AGÊNCIA BRASIL)

 

Ministro de Minas Energia, Eduardo Braga (Divulgação)

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse na quinta-feira (22) que, se os reservatórios das hidrelétricas chegarem a níveis menores que 10% da capacidade máxima, o país poderá ter "problemas graves", e o governo tomará as “medidas necessárias”, que podem incluir o racionamento de energia. Atualmente, os reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste estão em 17,43% de sua capacidade máxima e os da Região Norte estão em 17,18%.

“Mantido o nível que temos hoje nos reservatórios, temos energia para abastecer o Brasil. É óbvio que se tivermos mais falta de água, se passarmos do limite prudencial de 10% nos nossos reservatórios, estamos diante de um cenário que nunca foi previsto em nenhuma modelagem”, disse Braga. Segundo o ministro, esse é o limite estabelecido pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) para o funcionamento das usinas hidrelétricas. "A partir daí, teríamos problemas graves, mas estamos longe disso", ressaltou.

Segundo o ministro, o país enfrenta atualmente uma situação hidrológica pior do que a verificada em 2001, quando foi decretado um racionamento de energia no país. Ele informou que o governo está monitorando o consumo de energia, e que não há previsão de outro pico de demanda, porque a temperatura está amenizando, o que reduz gastos com equipamentos como ar-condicionado.

Para o ministro, o consumidor brasileiro tem capacidade de administrar o gasto de energia. “Esperamos que, de forma inteligente, o povo brasileiro, que sempre soube cuidar da sua economia, possa definir qual o consumo ele quer, porque tem um preço a pagar por esse consumo, e ele está sendo informado sobre isso”, disse.

Braga minimizou a importação de energia da Argentina nos últimos dois dias. Ele explicou que a importação não foi feita por falta de energia no Brasil, e que havia energia sobrando no Nordeste, mas que, por limitações de transmissões, não tinha como ser levada para as outras regiões do país naquele momento. “Temos um intercâmbio desde 2006. É normal nós usarmos energia deles e eles a nossa. Isso sequer é tratado como compra de energia, é uma compensação de energia”.

Na última terça-feira (20), o Brasil importou um total de 165 megawatts (MW) médios da Argentina para contribuir no atendimento do Sistema Interligado Nacional. Ontem (21), foram importados 90 MW médios.