quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

EUA se prepara “seriamente” para guerra com Coreia do Norte
Conforme parlamentar, preparativos para eventual conflito estão em curso

Eventual guerra é projetada pelo Exército dos Estados Unidos, segundo parlamentar | Foto: AFP / CP
As Forças Armadas dos Estados Unidos estão se preparando “muito seriamente” para uma possível guerra com a Coreia do Norte, afirmou na terça-feira o legislador americano Mac Thornberry, desejando que estes preparativos não sejam postos em prática.
“A administração examina muito seriamente as opções militares que poderiam entrar em jogo com relação à Coreia do Norte”, disse a jornalistas Thornberry, presidente da comissão das Forças Armadas da Câmara de Representantes. “Os treinamentos são muito sérios”, acrescentou. “Há preparativos em curso e tomara que não sejam necessários.”
O secretário da Defesa, Jim Mattis, insistiu em que os esforços para resolver a crise norte-coreana devem ser principalmente diplomáticos, mas também afirmou que o Pentágono deve estar preparado para qualquer eventualidade. Em declarações à imprensa antes da cúpula no Canadá sobre a Coreia do Norte, Mattis declarou na véspera que “o esforço neste momento está firmemente na área diplomática”, mas as opções militares permanecem. “Queremos que os diplomatas saibam que estão apoiados pela força das armas”, disse.

As tensões com Pyongyang pioraram no ano passado após a proliferação do lançamento de mísseis balísticos norte-coreanos, capazes de transportar uma ogiva nuclear e atingir o território americano. Foram abrandadas com as conversações que começaram há uma semana entre Seul e Pyongyang. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

'Contaminação de tropas federais por facções criminosas preocupa'
Comandante do Exército vê negligência dos Estados e critica uso frequente das Forças Armadas em ações de segurança pública
Entrevista com
Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército
Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo
15 Janeiro 2018 | 03h00
O general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
BRASÍLIA - A atuação frequente das Forças Armadas em operações de segurança pública nos Estados “preocupa muito” pela possibilidade de infiltração do crime organizado nas tropas, afirma o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. Em entrevista ao Estado, o general diz que por isso quer evitar o uso frequente das Forças Armadas e cita um caso registrado no Rio. “Foi pontual. Está infinitamente distante de representar um problema sistêmico, mas temos preocupação e estamos permanentemente atentos em relação a isso.”
Para o comandante, houve “negligência” em grande parte dos Estados em relação à segurança pública. Ele avalia que o uso das tropas federais “não tem capacidade” de solucionar os problemas e se mostra incomodado com a possibilidade de “uso político” das Forças Armadas nas eleições. O comandante avalia que, no dia 24, quando está sendo anunciada uma grande mobilização para acompanhar o julgamento do ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, em Porto Alegre, a Brigada Militar do Estado tem “plenas condições” de controlar a situação.
A seguir, a entrevista:

Em algumas comunidades, as organizações criminosas têm conseguido eleger candidatos e fazer indicações políticas para cargos públicos. Há preocupação da indicação política em polícias militares nos Estados?
A escolha de um comandante da Polícia Militar sempre tem o caráter político. O problema é que houve distorção e adquiriu caráter político-partidário. Isso acaba provocando sectarismos, divisões e perda da coesão em instituições militares. A Constituição de 1988 permitiu que houvesse direito de associações com caráter de sindicato, o que atrapalhou a hierarquia e disciplina, porque ela é mecanismo de conter a violência e mantém a coesão das instituições. Sempre que uma instituição perde sua coesão, ela traz desgraças para ela própria e para a sociedade a que serve.
Há preocupação de que indicações políticas possam levar o crime para as instituições?
As facções criminosas no Rio e em São Paulo, que se estendem para outros Estados e produzem filhotes, e essa estruturação do crime, principalmente em relação ao narcotráfico e associações internacionais, aumentam em muito a capacidade de contaminação das instituições. Realmente preocupa porque isso pode se estender, claramente, em todo o processo político, de forma que eles coloquem pessoas ligadas a eles ou a seus próprios integrantes em cargos públicos importantes.
Existe essa contaminação do crime nas tropas federais?
Há preocupação de contaminação das tropas, e por isso queremos evitar o uso frequente das Forças Armadas. Recentemente, no Rio, verificamos desvios do nosso pessoal. Foram pontuais, restritos a um ou outro indivíduo, de nível hierárquico baixo. Está infinitamente distante de representar um problema sistêmico ou institucional. Mas temos preocupação e estamos permanentemente atentos.
O senhor teme o uso político das Forças Armadas para segurança pública próximo das eleições?
Há preocupação de uso político das Forças Armadas com a proximidade das eleições porque governos, não querendo sofrer desgastes políticos com a população e em determinadas situações por comodidade, solicitam intervenção federal.
Como o senhor classifica a situação da segurança pública do País?
Tem havido negligência em relação à segurança pública no País. Mas também é surpreendente uma certa passividade da população em relação a isso. Nenhum conflito no mundo hoje faz perder o número de vidas que temos no Brasil, onde são assassinadas 60 mil pessoas por ano. Há negligência em grande parte dos Estados. Mas a questão da segurança é muito profunda e está claro que o simples emprego das Forças Armadas não tem capacidade, por si só, de solucionar problemas de segurança pública que estamos vivendo.
Onde a situação é pior?
Nos Estados do Nordeste, os índices de criminalidade são mais altos do que no Rio de Janeiro. Só que o Rio é uma caixa de ressonância. Por isso, é difícil dizer onde é mais grave ou não. No Rio Grande do Norte, de onde sairemos neste fim de semana (a entrevista foi feita na sexta-feira), fomos empregados pela terceira vez e, neste espaço de tempo, estruturalmente nada foi feito na segurança pública do Estado. Sabemos que, ao sairmos de lá, os problemas continuarão, o que indica que proximamente poderemos ser chamados a intervir. É preciso que se modifique os aspectos na conduta dos governos locais em relação à segurança pública. Acho que é inevitável que o governo federal terá de chamar para si a responsabilidade, pelo menos parcialmente, porque o crime extrapola as fronteiras e o combate está sem integração. Há Estados que nitidamente negligenciam essas preocupações e, nesse caso, o governo federal tem de intervir, usando Forças Armadas e Força Nacional de Segurança Pública.
Como resolver esta questão da criminalidade que afetou a segurança pública?
Somos um País carente de disciplina social, que prioriza os direitos individuais em relação ao coletivo e ao interesse social. E um ambiente de pouca disciplina favorece à diluição das responsabilidades. Por isso, há uma certa resistência a que se busque o saneamento das condutas individuais e coletivas. Por outro lado, estamos vivendo uma imposição do politicamente correto, vivendo uma verdadeira ditadura do relativismo e com uma tendência a que não se estabeleçam limites nas condutas. Isso vai numa onda e volta em um refluxo que atinge as pessoas e a sociedade como um todo. Isso está na raiz dos problemas, insisto, do politicamente correto, privilegia e atua reforçando o seu caráter ideológico e não apresentando a solução dos problemas. Quando nós vemos agressões a mulheres, abusos, quando vemos desrespeito, na raiz disso está a falta de limite e de disciplina que existe na sociedade. Precisamos de muito mais educação e responsabilidade por parte de todos e cada um precisa cumprir efetivamente seu papel e assumir suas responsabilidades até em relação à segurança.
É necessário o uso das Forças Armadas em Porto Alegre no dia 24 de janeiro durante o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
Este é um problema essencialmente de segurança pública. Não precisa de decretação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para isso. Assim como no Paraná foi muito efetiva a atuação do governo estadual na estrutura de segurança pública, o Rio Grande do Sul tem plenas condições de fazer face a essa questão. A Brigada Militar gaúcha é uma corporação capacitada. A estrutura de segurança pública tem condições de resolver o problema e o pedido do prefeito de tropas federais é inconstitucional.
Há uma banalização do uso das Forças Armadas?
Há uma tendência à banalização do uso da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e isso acarreta desvio de emprego das Forças Armadas.
Qual sua avaliação das eleições este ano? 
As eleições, de certa forma, representarão um plebiscito em relação à Lava Jato.


sábado, 13 de janeiro de 2018

Havaí envia por engano alarme sobre ataque de mísseis e causa pânico
Reprodução/Twitter/TulsiGabbard
'Ameaça de mísseis balísticos atingindo o Havaí. Procure abrigo imediatamente. Isto não é um teste', diz a mensagem enviada por engano pela Agência de Gestão de Emergências do Estado
DE SÃO PAULO
13/01/2018  17h32 - Atualizado às 19h45
Os moradores do Havaí receberam na manhã deste sábado (13) uma mensagem de alerta do serviço de emergência do arquipélago avisando que a região estava sob um ataque de mísseis e pedindo que a população procurasse abrigo. Só que a informação era falsa.
"Ameaça de mísseis balísticos atingindo o Havaí. Procure abrigo imediatamente. Isto não é um teste", dizia a mensagem, toda escrita em caixa alta e enviada pela Agência de Gestão de Emergências do Estado.
O aviso levou o caos à região, com muitas pessoas usando as redes sociais para questionarem se o ataque era verdadeiro.
Segundo a rede de TV CNN, se passaram 38 minutos até a agência perceber o erro e emitir um novo comunicado informando que o alarme era falso e que o Havaí não estava sob ataque.
O Comando militar americano no Pacífico também disse que não havia detectado nenhum míssil voando em direção ao arquipélago ou a outra parte do país.
O governador do Havaí, o democrata David Ige, pediu desculpas e classificou o caso como "infeliz e lamentável". Ele afirmou que vai pedir a agência que crie novas regras para que o problema não volte a acontecer.
Vern Miyagi, que comanda a agência, disse que a mensagem foi enviada devido a um erro humano durante uma troca de turno.
O pânico causado pelo aviso é decorrência da história da região, que na Segunda Guerra foi alvo do ataque japonês contra Pearl Harbour —a base militar fica próxima a capital havaiana, Honolulu. Na ocasião, o sistema de alarme não funcionou.
Em novembro de 2017, o governo havaiano também decidiu reativar o sistema de sirenes que alertam sobre um possível ataque nuclear contra o arquipélago, que tinha sido suspenso após o fim da Guerra Fria.
A medida foi tomada devido ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte.


Reintegração de 14 mil ex-combatentes é desafio para paz na Colômbia, diz especialista da ONU
Outro problema são os relatos de violações do cessar-fogo entre o governo e outra entidade paramilitar, o Exército de Liberação Nacional (ELN). Representante máximo da ONU no país disse, em pronunciamento no Conselho de Segurança, que organismo internacional “acompanhará de perto” a situação.

Em reunião no Conselho de Segurança da ONU, o representante máximo da Organização na Colômbia, Jean Arnault, alertou nesta semana (10) que a inclusão socioeconômica de ex-soldados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) permanece um desafio para a paz no país. Outro problema são os relatos de violações do cessar-fogo entre o governo e outra entidade paramilitar, o Exército de Liberação Nacional (ELN). Enviado das Nações Unidas disse que organismo internacional “acompanhará de perto” a situação.
“Enquanto as peças da estabilização estão se encaixando, não podemos perder de vista os desafios da reintegração”, frisou Arnault, que lembrou a realização futura de eleições parlamentares e presidencial.
Na avaliação do dirigente, o pleito, previsto para este ano, será uma oportunidade para consolidar o estabelecimento das FARC como partido político e permitir à antiga organização de guerrilha conquistar assentos no governo.
Em menos de dois anos, a Colômbia também realizará eleições para províncias e outras localidades.
“Mas continuamos a ver com preocupação a integração socioeconômica dos 14 mil ex-combatentes”, disse Arnault, explicando que muitos deles ainda estão na prisão e se sentem extremamente frustrados com o processo de reintegração.
O representante da ONU no país descreveu como importante a decisão do presidente colombiano Juan Manuel Santos de reconhecer o acesso a terra como incentivo fundamental ao processo de reinserção social dos rebeldes. Já os membros das FARC demonstraram de forma concreta que estão dispostos e capazes de trabalhar com agricultura, proteção ambiental e substituição de safras.
Para Arnault, que lidera a Missão de Verificação da ONU na Colômbia, decisões são “desdobramentos promissores”, mas não mais do que isso. Os próximos meses têm de ser a ocasião para “virar a página” e tornar mais consistente um processo ainda frágil.
A missão começou a operar em 26 de setembro de 2017, com o propósito de monitorar o cumprimento de compromissos do governo e das FARC em reintegrar tropas à sociedade colombiana e garantir a segurança em territórios afetados pelo conflito armado.
ELN volta a atacar tropas do governo e propriedades
A respeito do cessar-fogo temporário entre o governo e o ELN, Arnault enfatizou que o clamor pela suspensão prolongada de ações militares foi unânime no país. O representante da ONU reiterou a necessidade de manter reduzido o nível de violência, como foi visto ao longo dos últimos três meses de trégua. Todavia, cobrou um cessar-fogo mais sólido e com termos mais claramente definidos.
“Infelizmente, foi anunciado há pouco que ataques contra oleodutos pelo ELN foram retomados. Acompanharemos de perto os desdobramentos e manteremos o Conselho informado”, acrescentou o dirigente.

Jean Arnault, representante máximo da ONU na Colômbia, em pronunciamento no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Foto: ONU/Manuel Elias
Ataques do Boko Haram são crescente ameaça na África Ocidental e no Sahel, diz ONU
A situação de segurança na África Ocidental e na região do Sahel continua alarmante, disse o enviado especial das Nações Unidas para a região, Mohammed Ibn Chambas, na quinta-feira (11). Apesar de avanços políticos do último ano, os ataques por parte do grupo terrorista Boko Haram têm aumentado de maneira preocupante.

No nordeste da Nigéria, meninas preparam alimentos. A crise causada pela milícia Boko Haram ameaça minar o desenvolvimento regional. Foto: UNFPA Nigéria/Ololade Daniel
A situação de segurança na África Ocidental e na região do Sahel continua alarmante, disse o enviado especial das Nações Unidas para a região, Mohammed Ibn Chambas, na quinta-feira (11). Apesar de avanços políticos do último ano, os ataques por parte do grupo terrorista Boko Haram têm aumentado de maneira preocupante.
“Após uma notável diminuição de ataques por parte do Boko Haram durante a primeira metade de 2017, os incidentes aumentaram novamente desde setembro, cobrando a vida de 143 civis apenas no mês de novembro, no ponto mais crítico”, disse Chambas, representante especial do secretário-geral e diretor do Escritório da ONU para a África Ocidental e o Sahel (UNOWAS).
De acordo com o relatório apresentado ao Conselho de Segurança, o número de casos de crianças usadas para ataques suicidas a bomba tem aumentado cinco vezes em relação a 2016, chegando a 135 casos em 2017.
Em relação ao Mali, Chambas informou que terroristas lançaram um complexo ataque em Kidal contra os postos de segurança da missão da ONU no país, a Missão Multidimensional Integrada para a Estabilização do Mali (MINUSMA), matando um soldado das forças de paz. Além disso, foram registradas as mortes de três soldados malineses devido a explosões em Niono. Ataques na fronteira com Burkina Faso também foram registrados.
“Os ataques no Mali e na tríplice fronteira entre Mali, Níger e Burkina Faso se atribuem principalmente a grupos afiliados ao Al-Qaeda e ao Estado Islâmico no Grande Sahara”, disse o enviado especial da ONU.
No Níger, o aumento dos incidentes de segurança tem obrigado o governo a ampliar o gasto público para o setor de segurança, cujo efeito negativo na qualidade dos serviços sociais tem causado protestos na capital.
O enviado especial da Organização apontou que, embora 700 pessoas sequestradas pelo Boko Haram tenham conseguido fugir, o grupo armado continua sequestrando pessoas. Mais de 2 milhões de deslocados aguardam “desesperadamente” uma solução para a crise da região da Bacia do Lago Chade, ocupada pelo grupo e assolada pela violência e pelas secas que afetam os campos de cultivo.
Cumprimentando os esforços da Força-Tarefa Multinacional na região, Chambas destacou que toda ação tomada para conter a ameaça do Boko Haram deve contar com o apoio da comunidade internacional.
O enviado do secretário-geral explicou que o G5 — formado pelos cinco países que fazem parte da região do Sahel, Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger — tem feito progressos significativos para operacionalizar sua força conjunta, incluindo o estabelecimento da estrutura do seu comando militar e do quartel general em Sevarÿ. A força conjunta do Sahel, formada em agosto do ano passado, tem a missão de combater o terrorismo na região.
Finalmente, Chambas informou sobre o crescente problema do tráfico de pessoas, cuja atividade tem se transformado numa das atividades ilegais mais lucrativas do mundo, principalmente após o surgimento de grandes fluxos migratórios. A região do Sahel e da África ocidental são alvo de redes de criminosos ativas ao longo do continente e do Oriente Médio.
“O combate ao tráfico humano precisa continuar sendo uma das prioridades máximas em 2018, como o secretário-geral afirmou”, finalizou Chambas.

No nordeste da Nigéria, meninas preparam alimentos. A crise causada pela milícia Boko Haram ameaça minar o desenvolvimento regional. Foto: UNFPA Nigéria/Ololade Daniel


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018