Ataque contra shopping
deixa 68 mortos no Quênia; militantes mantêm reféns
NAIRÓBI,
22 Set (Reuters) - Militantes islâmicos mantinham reféns neste domingo em um
shopping center em Nairóbi, onde pelo menos 68 pessoas foram mortas em um
ataque do grupo somali Al Shabaab, ligado à Al Qaeda, que exigiu do Quênia a
retirada de suas tropas da Somália.
Breves
saraivadas de tiros e uma explosão interromperam a calmaria de várias horas. Um
correspondente da Reuters observou uma movimentação de seguranças e, com o
anoitecer, dois helicópteros voaram baixo sobre o shopping Westgate, que possui
várias lojas de proprietários israelenses e é frequentado por quenianos
prósperos e estrangeiros.
Os sinais
de telefonia móvel começaram a falhar na área no começo da noite. O presidente
do Quênia, Uhuru Kenyatta, jurando continuar firme contra os militantes
somalis, foi cauteloso sobre o resultado, dizendo que as chances de
"neutralizar" os criminosos eram "tão boas... quanto se podia
esperar".
"Vamos
punir os mentores de forma rápida e dolorosa", acrescentou. Além dos
mortos, mais de 175 pessoas foram feridas no ataque que começou perto do
meio-dia no sábado, quando o shopping estava cheio de consumidores.
O foco de
atenção neste domingo era a filial do supermercado Nakumatt no shopping, umas
das maiores redes do Quênia. Um voluntário da Cruz Vermelha disse que nove
corpos foram levados para fora da loja, aumentando o número de mortos para 68.
As
autoridades não disseram quantos reféns estavam sendo mantidos, mas um canal de
televisão queniano citou o número de 30.
Ataques
anteriores semelhantes a este, como um na Rússia, os ataques de 2008 em Mumbai
ou o ataque da Al Qaeda em janeiro contra uma usina de gás da Argélia, somente
terminaram após muitos reféns terem perdido suas vidas.
O
primeiro-ministro britânico, David Cameron, confirmou que três britânicos
haviam morrido e disse: "Devemos nos preparar para mais más
notícias."
O
presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou para Kenyatta para
expressar suas condolências sobre o que a Casa Branca chamou de "ataque
terrorista" do Al Shabaab e ofereceu seu apoio para levar os criminosos à
Justiça.
Outros
estrangeiros, incluindo uma mãe francesa e sua filha além de dois diplomatas,
do Canadá e de Gana, foram mortos no ataque que começou sábado, cuja autoria
foi reivindicada pelo Al Shabaab. Outras vítimas eram da China e Holanda.
Cidadãos norte-americanos ficaram feridos.
Logo após
o disparo dos tiros, tropas camufladas se aproximaram, agachadas, de um
restaurante com terraço na fachada do edifício. No momento do ataque, o
estabelecimento estava lotado de clientes.
Horas
após o ataque, alguns mortos permaneciam jogados em cima de mesas e refeições
inacabadas. Em uma hamburgueria, um homem e uma mulher jaziam enlaçados em um
último abraço, antes que seus corpos fossem removidos.
Dezenas
de quenianos se reuniram neste domingo em um local com vista para o shopping, à
espera do que deverá ser um desfecho violento. "Eles entraram por meio do
sangue, que é como eles vão sair", disse Jonathan Maungo, um guarda de
segurança privada.
Kenyatta,
enfrentando seu primeiro grande desafio de segurança desde que foi eleito em
março, disse que perdeu familiares no ataque e prometeu derrotar os militantes.
Em
discurso, ele pediu que os governos ricos não alertem seus cidadãos contra visitar
o país, que é fortemente dependente das receitas turísticas, insistindo que ele
não irá retirar as tropas quenianas da Somália:. "Nós não iremos ceder à
guerra contra o terror."
Dizendo
que todos os atiradores estavam concentrados em um lugar, Kenyatta acrescentou:
"Com os profissionais no local, eu asseguro aos quenianos de que nós temos
uma chance tão boa quanto podemos esperar de neutralizar com sucesso os
terroristas".
Governos
estrangeiros, incluindo Israel, ofereceram ajuda.
Mas o
grupo de atiradores bem armados e disciplinados não tem mostrado nenhuma
hesitação em matar civis.
O
porta-voz das operações militares do Al Shabbab disse à Reuters na Somália que
seu grupo não tinha nada a temer: "Onde Uhuru Kenyatta vai arranjar o
poder com o qual nos ameaça?" disse Sheikh Abdiasis Abu Musab.
O ataque
é o maior já visto no Quênia desde que a célula da Al Qaeda no leste da África
bombardeou a embaixada norte-americana em Nairóbi em 1998, matando mais de 200
pessoas,
(Reportagem
de Richard Lough e Edmund Blair)