quinta-feira, 31 de maio de 2012

MALÁRIA

Estudo aponta que a genética está diretamente ligada a contração de malária
 Em 2011 mais de 61 mil pessoas foram infectadas pela malária no Amazonas, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS)
Manaus, 31 de Maio de 2012
MARIANA LIMA

Dr. Marcus Lacerda coordena o estudo pela UEA e Fundação de Medicina Tropical (Euzivaldo Queiroz)
Parece impossível, mas não é: algumas pessoas podem ser imunes à malária. Independente da transmissão feita pelo mosquito, algumas pessoas não contraem a doença por que não têm predisposição genética para isso. É o que indica um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em parceria com a Fundação de Medicina Tropical (FMT).
A pesquisa indica que a possibilidade de identificar as pessoas que possuem maiores chances de contrair ou não a doença está diretamente ligada ao tipo sanguíneo, o que pode facilitar, daqui a alguns anos, um tratamento mais efetivo para a doença.
Durante cinco anos, aproximadamente 800 pessoas de uma comunidade localizada no município do Careiro Castanho (a 83 quilômetros de Manaus) tiveram amostras de sangue retiradas para contribuir com o estudo. O doutor em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília em parceria com a Universidade de Nova York, Marcus Lacerda, que coordena o projeto, explica que a tipificação do sangue é o primeiro passo de uma longa caminhada de estudos.
Para isso, ele usou uma tipificação diferente do sistema ABO Rh, mais conhecido pela população. A tipificação Duffy, explica Lacerda, não tem relação direta com a mais usual e facilita o estudo da contaminação da célula pelo vírus. Segundo estudos anteriores, os portadores de sangue Duffy Negativo não contraem malária do tipo Plasmodium Vivax, espécie mais comum no Brasil, devido à sua característica sanguínea. “As pessoas que possuem Duffy negativo tem uma espécie de ‘tranca’ na célula que impossibilita a contaminação do vírus”, explica o pesquisador.
O tipo Plasmodium Vivax é o mais comum em Manaus. Dados da FMT apontam que 99% dos casos registrados na capital amazônica no ano passado são desse tipo. O restante – 1% - é do tipo Plasmodium Falciparum. Estes são os dois vírus causadores da malária mais comuns da região Amazônica. O site do Ministério da Saúde aponta ainda a existência de outros dois tipos de vírus: a Plasmodium Malarie, pouco frequente no País; e a Plasmodium Ovale, que só existe na África.
Segundo o pesquisador, “há casos de pessoas que moram em áreas de contaminação, que possuem sangue Duffy Negativo, que nunca tiveram a doença e possivelmente não a terão”. Ele alerta sobre os outros fatores que podem propiciar a contaminação pela picada do agente transmissor da doença, o mosquito Anopheles como o cheiro que a pessoa exala, a idade que possui, entre outros fatores. “Atualmente estamos estudando apenas a questão genética do indivíduo”, conclui.
A próxima etapa do estudo, segundo o pesquisador, consiste em avaliações de tratamentos durante a aplicação de dois tipos de remédios nos moradores de Careiro Castanho que contraíram a doença.
Ocorrência mundial
Cerca de 300 milhões de novos casos de malária e um milhão de mortes, a maioria em crianças com menos de cinco anos e grávidas africanas, são registrados no mundo a cada ano, conforme dados do Ministério da Saúde.
Novo tipo?
Segundo ele, apesar da característica peculiar das células do sangue tipo Duffy Negativo, estudos recentes apontam que algumas pessoas com esse tipo de sangue estão sendo contaminados pelo vírus e estamos tentando entender o porquê, diz Lacerda.

EUA cogitam ação sem aval da ONU na Síria
NOVA YORK - A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, sugeriu nesta quarta-feira a possibilidade de agir contra o regime de Bashar al-Assad na Síria mesmo sem respaldo do Conselho de Segurança da ONU. A condição para tanto seria a falha do plano de paz do enviado especial Kofi Annan - já considerado pelos rebeldes como um fracasso - e o transbordamento do conflito para outros países da região.
A possibilidade, carregada com as ressalvas do linguajar diplomático, foi delineada pela diplomata como a terceira e última opção a ser tomada para tentar resolver um conflito que já se desenvolve há 14 meses e deixou mais de 10 mil mortos. A primeira seria Assad aderir ao plano de paz, retirar o armamento pesado das ruas, pôr o Exército de volta nos quartéis e iniciar diálogos políticos para uma transição.
Os recentes desenvolvimentos tornam essa hipótese, por enquanto, pouco provável. Mesmo com a presença de 250 monitores internacionais no país, relatos de mortes de civis são rotineiros. No pior episódio, no último fim de semana, mais de 100 pessoas foram mortas em Houla - sendo 49 crianças - o que levou um cônsul honorário da Síria nos EUA a anunciar ontem estar deixando o cargo para não ficar numa posição "eticamente e moralmente" inaceitável. Ontem foram descobertos 13 corpos com as mãos amarradas em Assukar.
A segunda opção citada por Rice seria o Conselho de Segurança da ONU impor sanções contra a Síria. Mas a Rússia, que tem poder de veto, rejeita a imposição dessas punições. Ontem, enquanto o Japão se tornava o décimo país a expulsar o embaixador sírio nós últimos dois dias, os russos criticaram.
Somada ao impasse nessas duas alternativas, a possibilidade de o conflito "envolver países da região, tomar formas cada vez mais sectárias, e levar a uma grande crise não só na Síria mas também na região" - cenário definido por Rice como o mais provável - deixaria uma única alternativa, na avaliação da embaixadora americana:
- Os membros deste conselho e os membros da comunidade internacional são deixados com a única opção de ter de considerar se estão preparados para adotar ações fora do plano de Annan e da autoridade deste Conselho.
A diplomata não deixou claro que tipo de ações seriam, nem se os EUA estariam dispostos a liderá-las. Nas duas grandes intervenções militares recentes sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU - o ataque à Sérvia na Guerra do Kosovo, em 1999, e a invasão do Iraque, em 2003 - os EUA estiveram na linha de frente.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

MAPLE FLAG – Aeronave da FAB lança paraquedistas alemães

A aeronave C-130 Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) que participa do exercício Maple Flag, em Cold Lake, Canadá, realizou nesta quarta-feira (30/5), o lançamento de uma tropa paraquedista das forças especiais do Exército Alemão. Esta é a primeira vez que uma aeronave de transporte brasileira cumpre esse tipo de missão em um exercício operacional internacional.
Durante a manobra, o avião do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1o GTT) realizou navegação à baixa altura e se infiltrou no terreno inimigo, buscando um ponto estratégico para o salto da tropa. Quando a aeronave alcançou 2100 metros de altitude, os militares alemães saltaram, para logo em seguida abrir o paraquedas e pousar em segurança no exato ponto demarcado.
O Suboficial do Exército Alemão Ralf Kohr, mestre de salto da tropa, foi o responsável pela coordenação e planejamento do salto. Com experiência de quem participou de conflitos na Somália, Kosovo e Congo, ele elogiou a tripulação brasileira, principalmente pela flexibilidade. Segundo Kohr, os militares brasileiros cumpriram muito bem a missão.
As forças especiais alemãs têm vasta experiência em conflitos armados, tendo realizado diversas missões no Afeganistão. "Devido às limitações geográficas da Alemanha, esse tipo de treinamento só é possível de ser realizado em exercícios como a Maple Flag, que utiliza uma vasta área de treinamento", disse o Suboficial alemão.
A infiltração de paraquedistas faz parte da chamada "missão composta", em que o objetivo é suprir a tropa e lançar forças especiais em território inimigo sem ser detectado. Além das aeronaves de transporte, diversos caças, helicópteros e aviões radares participam ao mesmo tempo de diferentes missões no teatro de operações
"É um orgulho enorme estar representando o Brasil e participar deste feito histórico para aviação de transporte. Acredito que essa experiência irá incrementar nossa doutrina, já que estamos lidando com países membros da OTAN, com experiência em conflitos reais", afirma o Capitão Aviador Rogério Vieira, piloto do 1o GTT.
Nos próximos dias de exércicio, mais missões de salto de tropas estrangeiras estão previstas para o esquadrão brasileiro.


Brasil, Colômbia e Peru vão ampliar cooperação militar para segurança da tríplice fronteira



Manaus, 30/05/12
— Brasil, Colômbia e Peru reforçaram, em âmbito militar, o compromisso de proteger a fronteira comum contra ilícitos transnacionais. Em reunião tripartite dos chefes dos Estados-Maiores Conjuntos das Forças Armadas realizada ontem (29), em Manaus (AM), representantes dos três países concordaram em fortalecer políticas de cooperação multilateral para combater crimes como narcotráfico, mineração ilegal e contrabando.

"A palavra chave é cooperação", disse o anfitrião do encontro, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi. Segundo ele, o apoio mútuo entre as nações é fundamental para que a América do Sul encontre soluções para ameaças comuns, sobretudo na área fronteiriça. "Mas não podemos esquecer da nossa missão principal: a defesa da pátria e garantia da soberania nacional", ressalvou.

Durante a reunião, realizada na sede do Comando Militar da Amazônia (CMA), De Nardi e os chefes das delegações do Peru e da Colômbia, almirante Jose Cueto Aservi e general Leonardo Alfonso Barrero Gordillo, respectivamente, debateram propostas para incrementar a proteção da área da tríplice fronteira, além de medidas que possam gerar cooperação na luta contra crimes transnacionais.

Ao avaliar a evolução de medidas já adotadas pelos três países, o chefe do EMCFA defendeu que o fortalecimento do intercâmbio de inteligência se dê não apenas na esfera política — entre ministros de Estado ou envolvendo a alta cúpula das Forças Armadas —, mas também na "linha de frente", entre as próprias unidades fronteiriças. "Os comandantes de batalhão precisam se comunicar", afirmou. Para De Nardi, é preciso criar mecanismos que permitam replicar, em outros escalões, a aproximação obtida por Brasil, Colômbia e Peru em nível institucional.

A necessidade de incrementar a interação de informações também foi abordada pelas demais delegações. Além da troca de dados de inteligência, o almirante peruano Jose Cueto Aservi propôs a implementação de programas de treinamento conjunto em setores como inovação tecnológica militar, operações especiais (do tipo reconhecimento e combate noturno) e sistemas de simulação.

Já o general Barrero Gordillo, falando pelos colombianos, mencionou a importância do intercâmbio para manutenção e revitalização de equipamentos militares — como os veículos brasileiros Urutu e Cascavel, utilizados em seu país —, além da necessidade de contar com instâncias que permitam a troca de informações "em tempo real".

Ao debater algumas das ideias apresentadas, o general De Nardi lembrou que o tratamento de questões de segurança nas fronteiras não está restrito à atuação das Forças Armadas, e que uma abordagem mais ampla para o trato dos problemas enfrentados envolve a participação de outros atores institucionais, como o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Justiça, no caso do Brasil.

Defesa cibernética

Ao longo da programação, militares brasileiros fizeram apresentações sobre temas diversos, recorrendo ao uso de slides e vídeos. A primeira delas tratou da questão da defesa cibernética no país e abordou desde a estrutura do setor, hoje sob responsabilidade do Exército Brasileiro, até os programas e projetos em andamento. Segundo o panorama apresentado, o núcleo do recém-criado Centro de Defesa Cibernética, em vias de ser ativado, deve multiplicar por quatro o número de profissionais empregados nos próximos dois anos.

Recentemente, cerca de R$ 20 milhões foram investidos pelo governo federal para a segurança cibernética da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece daqui a duas semanas, no Rio de Janeiro. Investimentos na montagem de sistemas de proteção semelhantes devem ser feitos para outros grandes eventos, como a Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo, no ano seguinte.

Em outra apresentação, o chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, general João Carlos Vilela Morgero, falou das lições aprendidas na Operação Ágata, de combate a ilícitos nas fronteiras. Após fazer um balanço geral das quatro edições já realizadas, Vilela destacou o substancial aumento da participação de órgãos públicos na iniciativa, que integra o Plano Estratégico de Fronteiras. De acordo com o general, enquanto a Operação Ágata 1, realizada há menos de um ano, teve a participação de três ministérios, a Ágata 4, concluída há duas semanas, teve a participação de dez ministérios e cerca de 40 órgãos públicos federais e estaduais.

Militares colombianos e peruanos foram apresentados também ao "Guarani", nova família de blindados sobre rodas que começou a ser produzida no Brasil. E tiveram a oportunidade de realizar visitas ao Centro Regional do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) em Manaus, ao Cindacta 4 e ao Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS).

Esta foi a segunda reunião tripartite realizada pelos chefes dos Estados-Maiores Conjuntos das Forças Armadas do Brasil, da Colômbia e do Peru. A primeira ocorreu em outubro de 2010, na cidade de Leticia, na Colômbia. A próxima edição do evento está prevista para acontecer no primeiro semestre de 2013, em cidade ainda a ser definida, no Peru.


Assessoria de Comunicação

Ministério da Defesa

terça-feira, 29 de maio de 2012

Reunião em Manaus aborda combate ao narcotráfico na tríplice fronteira
Chefes de Estado-Maior das Forças Armadas do Brasil, Colômbia e Peru debatem estratégias de combate não só contra o tráfico, bem como a outros crimes comuns na região fronteiriça
Manaus, 29 de Maio de 2012
ACRITICA.COM

Avião da FAB sobrevoa área de fronteira no Amazonas (Divulgação/FAB)
O intercâmbio dos dados de inteligência, para combater os impactos negativos gerados pelo narcotráfico e o terrorismo, na região de tríplice fronteira Brasil, Colômbia e Peru é um dos temas da reunião entre os Chefes de Estado-Maior das Forças Armadas dos referidos países, nesta terça-feira (29), em Manaus.
Os resultados da II Reunião Tripartite Brasil-Colômbia-Peru, realizada na sede do Comando Militar da Amazônia (CMA), localizado no bairro Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, deverão ser divulgados nesta quarta-feira (30).

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O problema estrutural dos profissionais ligados à educação no Brasil
Posted: 28 May 2012 06:00 AM PDT
No Japão, os professores são os únicos que não precisam reverenciar o Imperador, o que demonstra o seu prestígio na sociedade japonesa. Na Suécia, os docentes são os profissionais muito bem pagos, considerados parte da elite, essenciais para o futuro do país. Uma das grandes receitas de sucesso em diversos países, como na Coréia do Sul, é o investimento em educação e, consequentemente, nos professores.  A China tem investido grandemente em educação, acreditando que esta é a chave do sucesso no longo prazo.
No Brasil, apesar dos recentes investimentos de expansão do ensino superior, o capital humano tem sido relegado a um segundo plano. Investe-se nas obras, mas não nos pilares que as mantêm. Se este quadro se perpetuar, os melhores cérebros que habitam os corredores das universidades tenderão a migrar para outros espaços, como a iniciativa privada longe da pesquisa.
Naturalmente, o problema não habita no fato de pessoas inteligentes e capacitadas se localizarem em outros espaços: a sociedade precisa disso. O problema é quando essa tendência vira regra e existirem cérebros em outras instâncias em agudo detrimento da permanência de bons professores nas universidades, aprofundando a carência de formadores de quadros para o futuro do Brasil. Dadas estas questões, a greve dos professores traz à tona esse velho e importante debate*. Qual futuro queremos?
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Fonte:
* Ver:

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Brasil passa de estrela a lanterninha dos BRICs
NOVA YORK - O mesmo Brasil que até pouco tempo era incensado por investidores do mundo todo parece ter sido mandado para a coxia. Entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), ele é o que está crescendo menos, a aversão a risco em relação ao País só aumenta e o Brasil passou de estrela a lanterninha do grupo.
'Há uma desaceleração considerável no Brasil e alguns investidores estão pensando: 'hei, deve haver algum problema aí'', comentou o estrategista Albert Ades, do Bank of America Merrill Lynch (BofAML), em entrevista à Agência Estado.
Enquanto a China cresceu 8,1% no quarto trimestre de 2011, a Índia teve expansão de 6,1% e o PIB da Rússia aumentou 4,9%, a economia do Brasil avançou apenas 1,4%. Isso mesmo com um ciclo de relaxamento monetário - iniciado em agosto do ano passado, e que derrubou a taxa Selic de 12% para o patamar de 9% - e com todas as medidas de estímulo que vêm sendo adotadas pelo Ministério da Fazenda, controlado por Guido Mantega.
'Qualquer um com um pouco de senso de história sabe que quando o Brasil começa a reduzir demais os juros, é preciso ficar atento ao risco de inflação. E neste momento, nenhum investidor quer ser pego por estar no lado errado', explicou o diretor da EPFR Cameron Brandt.
Parte desse movimento negativo tem a ver com a aversão a risco por causa do cenário de incerteza na Europa, que afeta todos os emergentes. A outra parte está relacionada com as novas medidas que vêm sendo adotadas pelo governo e que têm gerado insegurança.
'O governo está usando medidas temporárias, no lugar de olhar o cenário mais amplo para avançar em reformas que possam fazer a diferença num prazo mais longo, num nível mais duradouro', disse a diretora de ratings soberanos da Standard and Poor's, Lisa Schineller.
Esse movimento de aversão a risco entre os emergentes fica claro no MSCI Emerging Markets Index, que é um índice criado pelo Morgan Stanley para medir ao desempenho do mercado de ações em 26 economias emergentes. Esta semana, esse índice chegou a cair 2,4%, a 896,96 pontos, a maior queda desde 23 de novembro do ano passado. Do final de janeiro até o início de maio, o MSCI havia se mantido acima do nível de 1.000 pontos.
O iShares MSCI Emerging Markets Index Fund, que é o fundo de ETFs da Blackrock que acompanha o desempenho do MSCI, estava hoje em queda de 0,27%, tendo perdido 0,13% em um mês e com retração de 1,87% no acumulado do ano até esta tarde. Já o iShares MSCI Brazil Index Fund hoje está em movimento de reduzir perdas recentes e subia 1,90%, com queda acumulada de 14,88% em um mês e de 9,24% no ano.
Uma fonte em Nova York disse à Agência Estado que outro ponto que está sendo observado e desperta cautela entre os investidores é a participação do governo, em especial, do BNDES nos investimentos do País. Segundo essa fonte, o papel do governo segue muito forte e gera incertezas, uma vez que se espera uma participação maior do setor privado.
Outros analistas, no entanto, dizem que, no longo prazo, os fundamentos do País são bons. Mauro Roca, estrategista para emergentes do Deutsche Bank, por exemplo, não concorda com os que dizem que os dias de glória do Brasil ficaram para trás. 'Não podemos julgar o Brasil apenas pelo que está acontecendo neste momento. O potencial do País ainda é enorme. Mas ainda faltam as reformas', disse.
Roca admite, no entanto, que na comparação com seus concorrentes latinos o País não está no topo do ranking. Segundo ele, além do Chile, que está em melhor situação, mas que também está em nível mais alto de grau de investimento do que seus vizinhos, a Colômbia tem se mostrado hábil na condução de reformas e mudanças no país, incluindo a melhora da segurança, assim como o Peru, que pode não estar tão bem preparado como Chile e Colômbia, mas se mostra na direção de consolidação fiscal e reformas. O México, assim como o Brasil, ainda tem de fazer reformas, mas está sendo beneficiado no momento pela melhora na economia dos EUA.
Para o analista sênior para emergentes da América Latina do HSBC, Bertrand Delgado, de fato, as mudanças frequentes de políticas têm tido peso negativo, mas ele acredita que o Brasil ainda tem potencial para ter um bom desempenho econômico no longo prazo. Para este ano, ele espera que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 3,2%, a inflação fique em 5,2% e o dólar ao redor de R$ 2.
Albert Ades, do BofAML, acredita que o dólar ficará na faixa de R$ 1,84 a R$ 2,20 nos próximos seis meses e recomenda a seus clientes que façam suas apostas em derivativos levando esse cenário em conta. 'Com o dólar nessa faixa, será possível eles fazerem dinheiro', diz.
Ades disse que o Brasil ainda tem vários fatores favoráveis para que consiga superar esse momento de crescimento menor, entre eles as perspectivas promissoras no setor de energia, especialmente com o petróleo do pré-sal. 'Vejo bom potencial no Brasil no médio e longo prazo. Mas o País tem desafios no lado fiscal, tem de fazer as reformas necessárias', ponderou.