terça-feira, 27 de maio de 2014


Vizinhança em Trípoli, capital da Líbia. Foto: IRIN/Anja Pietsch

ONU alerta para ‘crescente mobilização militar’ em Trípoli e pede diálogo

26 de maio de 2014 · Notícias -ONU

 

Neste sábado (24), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou preocupação com a crescente mobilização militar dentro e ao redor de Trípoli”, capital da Líbia, e pediu a todos os envolvidos e líderes militares para que se comprometam com suas obrigações legais e morais pela defesa e a proteção dos civis.

Em comunicado por meio de seu porta-voz, Ban afirmou que o confronto armado “põe em risco os sacrifícios do povo líbio”, especialmente em um momento crítico de transição política.

Na semana passada, a missão da ONU no país (UNSMIL) já havia alertado para a recente onda de violência, bem como pedido às autoridades para que solucionassem o cenário de ilegalidade da nação.

Além de solicitar o retorno do diálogo entre os lados em conflito, o chefe da ONU assegurou que estará preparado para facilitar tal processo em nome da paz e da unidade nacional.

Enquanto luta para realizar sua transição democrática, a Líbia tem vivenciado um cenário de deterioração da segurança. Segundo o chefe da UNSMIL, Tarek Mitri, houve um dramático aumento da violência em todo o país no primeiro trimestre do ano, com crimes variando de assassinatos seletivos, bombardeios, sequestros e ataques contra instituições oficiais e civis.

 

Darfur: membro de força de paz da ONU é morto e três ficam feridos em tentativa de mediar a paz

26 de maio de 2014 · Notícias - ONU

 

Tropas da UNAMID patrulham Darfur do Norte. Foto: UNAMID/Albert Gonzalez Farran

Homens armados em Darfur do Norte, conturbada região do Sudão ocidental, mataram um capacete-azul ruandês e feriram três outros membros da Missão Conjunta das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (UNAMID), neste sábado (24). O assassinato ocorreu quando os membros da força de paz mediavam uma disputa entre membros da etnia Fur e uma milícia árabe.

Segundo a UNAMID, “os milicianos árabes ficaram agressivos e começaram a disparar contra os boinas-azuis”, incitando um contra-ataque por parte deles. Os três feridos se encontram em estado crítico em um hospital da Missão na cidade de Kabkabiya.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviou seus pêsames à família e ao governo de Ruanda. O representante especial da UNAMID, Mohamed Ibn Chambas, condenou “o detestável ato criminoso nos termos mais fortes possíveis”.

“Nossos capacetes-azuis tentavam mediar uma disputa com boa fé e, infelizmente, seus esforços foram desprezados”, disse. Pedindo justiça, Chambas afirmou que o ato representa “um crime contra a humanidade, pelo qual os perpetradores devem ser responsabilizados”.

Desde a criação da UNAMID, em 2007, cerca de 60 membros da missão de paz foram mortos.

 

CPLP: Brasil está disposto a cooperar na formação militar de Guiné-Bissau

Lisboa, 26/05/2014 – O Brasil está disposto a cooperar no treinamento e na formação dos militares de Guiné-Bissau para auxiliar o país a prover a segurança necessária à sua estabilidade política e a seu desenvolvimento socioeconômico. A afirmação foi feita hoje (26) pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, durante reunião da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa, Portugal.

Guiné-Bissau realizou, em abril deste ano, as primeiras eleições presidenciais após o golpe de Estado que levou os militares ao poder, em 2012. O pleito foi acompanhado por observadores internacionais, entre eles integrantes da CPLP, que o consideraram válido, tendo ocorrido em clima de liberdade e transparência.

Diante da perspectiva de retorno à normalidade democrática, Amorim manifestou o apoio brasileiro ao país da costa ocidental africana. “O Brasil está muito empenhado em ajudar assim que as condições permitirem”, disse ele.

O ministro brasileiro lembrou que, antes do golpe de Estado de 2012, o Brasil havia destacado oficiais de suas Forças Armadas para auxiliar o processo de formação das polícias e das forças armadas guineenses, ação que foi interrompida em razão dos acontecimentos de então.

Ele defendeu que a CPLP realize ações conjuntas na área de segurança para auxiliar Guiné-Bissau, mas ponderou que isso deve ser feito levando em conta o ponto de vista dos países situados no entorno geográfico da nação africana.

Segundo Amorim, também é necessário realizar a desmobilização dos atuais militares de Guiné-Bissau. “É algo que tem que ocorrer progressivamente, de maneira negociada”, afirmou. “E tem que ser adequadamente financiada porque isso tem um custo”, completou.

Para o ministro, o país africano requer a formação de forças armadas profissionais, organizadas e modernas, capazes de desempenhar funções essenciais como a defesa da pátria, além de combater ilícitos.

As eleições guineenses e a perspectiva de retomada da normalidade institucional no país dominaram as discussões ocorridas na XV Reunião dos Ministros da Defesa da CPLP. Durante o encontro, o ministro da Defesa de Portugal, José Pedro Aguiar-Branco, destacou a importância da manifestação conjunta dos países-membros da CPLP sobre Guiné-Bissau, algo que, segundo ele, deverá levar a ações concretas no sentido de auxiliar o país a consolidar o resultado das eleições livres. “Os sinais que vem do país são encorajadores”, afirmou.

O assunto também foi objeto de manifestações de todos os demais ministros da Defesa presentes à reunião: Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Defesa Cibernética

Durante a reunião, ocorrida na histórica Fortaleza de São Julião da Barra, os ministros da Defesa discutiram temas diversos no âmbito da cooperação militar multilateral. Na abertura do encontro, o ministro da Defesa de Moçambique fez um breve relato dos trabalhos realizados durante o período em que seu país presidiu o fórum, que agora passa a ser conduzido por Portugal.

Após fazerem observações sobre a conjuntura internacional e seu reflexo nas questões político-militares dos países-membros da CPLP, os ministros aprovaram a agenda proposta para o encontro, que continha, entre outros, temas relacionados à saúde militar e a operações militares conjuntas, a exemplo da Operação Felino, cuja última edição ocorreu no ano passado no litoral do estado do Espírito Santo, no Brasil.

Em breve intervenção no início da reunião, o ministro Celso Amorim propôs o aprofundamento da discussão e da troca de experiências entre os países lusófonos sobre ações no campo da defesa cibernética. O Brasil criou um Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), em 2012, e desde que vieram à público, no ano passado, denúncias de espionagem eletrônica, tem tomado uma série de medidas para reforçar a proteção das redes das instituições da Defesa, como as Forças Armadas.

Em resposta à Amorim, o ministro português afirmou que esse é um tema prioritário para a defesa de seu país. Em seguida, como concordando com o colega brasileiro, o primeiro-ministro e titular da pasta da Defesa do Timor-Leste, Xanana Gusmão, mencionou episódio de ataque às redes informatizadas de seu país.

Ao final do encontro, os ministros aprovaram declaração conjunta com resumo dos principais pontos discutidos. A próxima reunião dos ministros da CPLP ocorrerá dentro de um ano, em São Tomé e Príncipe.
Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa

 

Um péssimo exemplo

De repente, os responsáveis por greves e ameaças de paralisação de algumas categorias profissionais passaram a se comportar como os jovens anarquistas das manifestações de junho do ano passado

Octávio Costaocosta@brasileconomico.com.br

Há algo de estranho ocorrendo no movimento sindical brasileiro. De repente, os responsáveis por greves e ameaças de paralisação de algumas categorias profissionais passaram a se comportar como os jovens anarquistas das manifestações de junho do ano passado. Não bastassem os prejuízos que a suspensão de determinados serviços provoca, os ativistas concluíram que também é preciso chamar a atenção de toda a população, com os métodos de fazer inveja aos black blocs. Trata-se de uma nova estratégia que vai muito além dos tradicionais piquetes. Se as negociações com os empresários ou com o Estado não avançam, adota-se a arma mais radical do momento, que é a de infernizar a vida da maioria da população.

É possível entender que comunidades desassistidas, na periferia de São Paulo ou nos morros do Rio de Janeiro, fechem vias públicas e queimem pneus para chamar a atenção da opinião pública sobre seus problemas ou sobre a violência da polícia. Mas nada justifica que motoristas de ônibus, durante greves de 24 horas, depredem mais de 700 veículos e ameacem com igual violência os que insistem em trabalhar. Mais grave ainda é o abandono de ônibus sem as chaves na ignição em cruzamentos vitais das cidades, com o objetivo de impedir a circulação de automóveis. Fica evidente que esse tipo de ação vai muito além da justa reivindicação por reajustes salariais ou melhores condições de trabalho. Longe de buscar o apoio da sociedade, a intenção é provocar a revolta dos usuários. Acredita-se que do caos nascerá o acordo.

No caso dos ônibus, o radicalismo foi atribuído a grupos de oposição que não concordaram com acordos coletivos fechados pela direção dos sindicatos. Apesar de minoritários nas assembleias, eles têm o domínio de garagem importantes e partiram para o confronto com agressividade incomum. Se as ações dos motoristas espanta, o que dizer, então, das iniciativas do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, do Rio de Janeiro, o Sepe? Na quinta-feira passada, os professores que protestavam em frente ao Palácio Guanabara, não satisfeitos em fechar o trânsito local, decidiram bloquear a entrada do Túnel Santa Barbara, que liga a Zona Sul ao Centro, em pleno horário do rush. O resultado foi um colossal engarrafamento.

Na segunda-feira, o mesmo Sepe reuniu cerca de 300 manifestantes na portas do hotel no Galeão onde os jogadores da seleção brasileira se apresentaram. Em meio às palavras de ordem, o ônibus da delegação foi atacado. “A nossa manifestação não é contra seleção, mas estamos aqui para chamar a atenção pelas nossas péssimas condições de trabalho e a falta de diálogo do governador Luiz Fernando Pezão e do prefeito Eduardo Paes com a categoria”, explicou a coordenadora Suzana Gutierrez. Pelo mesmo motivo, houve protesto dos professores em frente à concentração da Granja Comary, em Teresópolis.

Quando cruzam os braços, os profissionais de educação da rede pública acionam um poderoso mecanismo de pressão: deixam sem aula milhares de alunos, para desespero de pais e mães. Por que motivo o Sepe agora resolveu se comportar como as alas mais radicais do sindicalismo e partir para a agitação gratuita? Pelo andar da carruagem, daqui a pouco vamos ver professores quebrando vidraças e virando automóveis. A greve é um direito legítimo, as manifestações são garantidas pela Constituição, mas a estratégia do caos não leva a nada. É um péssimo exemplo.

 

segunda-feira, 26 de maio de 2014


Feira de negócios apresenta inovações para o transporte na Amazônia, em Manaus


Cargueiro para 52 toneladas, filtro que recicla óleo de carro e balsa coberta foram alguns dos projetos expostos durante a II TranspoAmazônia

Manaus (AM), 24 de Maio de 2014

JULIANA GERALDO

 

Marcelo Felippes, representante da Airship do Brasil, apresenta modal durante a II TranspoAmazônia (Érica Melo)

Superar as dificuldades logísticas da região amazônica sempre esteve entre as prioridades de empresários interessados em realizar investimentos no Amazonas, sobretudo na área industrial. Além dos incentivos fiscais exclusivos oferecidos pela Zona Franca de Manaus (ZFM), soluções para facilitar o transporte e a logística podem trazer ainda mais negócios e recursos para a economia local.

Algumas dessas inovações foram apresentadas ao público de Manaus entre os dias 21 e 23 de maio na II TranspoAmazônia – feira e congresso internacional de transporte e logística, realizado no Studio 5 Centro de Convenções. ACRÍTICA foi até lá conferir as novidades.

A solução que mais chamou a atenção do público foi o protótipo do dirigível cargueiro da Airship do Brasil, idealizado com a Transportes Bertolini e a Engevix (foto acima). Com a promessa de resolver gargalos logísticos, o modelo estava suspenso para mostrar um novo modal aéreo para a região.

Para o diretor de relações estratégias e institucionais da Airship do Brasil, Marcelo Felippes, que trabalha no projeto há 30 anos, o meio de transporte é um Zeppelin repaginado que pode diminuir em mais da metade do tempo, o transporte de produtos acabados do polo industrial para outras regiões do País.

Novo Zeppelin                            

Com investimento superior a R$ 110 milhões e capacidade para transportar de 30 a 52 toneladas, o modal inicialmente vai operar a 1.200 pés (400 metros). Segundo Felippes, a capacidade de armazenamento e transporte equivale ao carregamento de sete carretas de caminhão.

Entre as vantagens, o executivo explicou que o modal não exige infraestrutura aeroportuária, uma vez que é necessária apenas uma área para o pouso, tem um custo operacional inferior ao de carretas e navios e é mais rápido.

A primeira rota prevista para o cargueiro vai ligar Manaus a Goiânia, no Centro-Oeste, reduzindo o tempo do percurso de 15 dias para 23 horas. “As primeiras 20 unidades foram encomendados pela própria Bertolini e o tempo para o início do funcionamento deles é de até quatro anos”, adiantou.

Novidades terrestres e fluviais

Os recursos tecnológicos apresentados no evento vão do setor marítimo ao terrestre, bem como a preservação do meio ambienteMas as soluções apresentadas não ficaram apenas no modal aéreo. Para as estradas, a empresa paraense Trabolbrás apresentou em seu estande, uma inovação para carros, ônibus e caminhões, visando preservar o meio ambiente. “Um filtro dotado de celulose especial permite ao motorista praticamente não precisar mais trocar o óleo.

O aparelho recicla o óleo por até 20 mil quilômetros rodados e impede o descarte no meio ambiente. Para quem trabalha com grande volume de veículos, o produto pode ser bastante útil”, detalhou o representante da empresa, Charles Vieira, que projeta economia de 40% a 50% na comparação com o modelo comercializado hoje

Nas águas, a Transportes Bertolini levoupara a feira, a proposta da balsa coberta. O gerente de navegação da divisão da empresa, Mácio Verdini Rosa, contou que o diferencial da estrutura de 62 metros de comprimento por 12 metros de largura, é possuir uma cobertura móvel , para armazenar até 2,5 mil toneladas de produtos sem o risco de perda em função das variações do tempo.

“Com apenas um comando a parte superior da balsa se abre para o recebimento dos itens e se fecha logo em seguida”, informou, ao projetar o valor do investimento em R$ 3,5 milhões.

Já a Beconal, especializada em construções navais, aproveitou o evento para divulgar os empurradores produzidos pela empresa. As estruturas que servem de apoio para balsas ganharam sistema automatizado, que pode ser controlado à distância. Entre as vantagens, estão segurança e menos custo com mão-de-obra.

 

Defesa terá 57 mil militares na segurança da Copa do Mundo Fifa 2014

Brasília, 23/05/2014 – As Forças Armadas vão atuar com 57 mil militares durante a Copa do Mundo Fifa 2014. O emprego das tropas será em eixos exclusivos de defesa, como o controle aeroespacial e do espaço aéreo, marítimo e fluvial, segurança de estruturas estratégicas, defesa cibernética, contraterrorismo e defesa química, biológica, radiológica e nuclear. Desse total, 21 mil vão compor a força de contingência, preparada para agir em caso de eventualidade.  A afirmação foi feita pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, na tarde de hoje, em coletiva de imprensa internacional, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).


Na ocasião, Amorim explicou que, deste total, serão 35 mil homens do Exército, 13 mil da Marinha e nove mil restantes da Aeronáutica. “Nossas tropas estão absolutamente treinadas e equipadas para o ambiente específico da Copa. E, no momento, elas estão realizando os últimos exercícios conjuntos, inclusive com as outras forças do Ministério da Justiça.”

O ministro explicou como será a governança do plano de ação da Defesa. O planejamento está dividido em um comando nacional, a cargo do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), em Brasília. Esse órgão instituído se desdobrará em 12 Centros de Coordenação de Defesa de Área (CCDA) nas cidades-sede do evento esportivo. Como algumas seleções irão para centro de treinamento em Vitória (ES), Aracaju (SE) e Maceió (AL), essas cidades estarão operando sob coordenação dos CCDAs do Rio, Salvador e Fortaleza, respectivamente.

Além disso, quatro comandos centralizados vão trabalhar na defesa aeroespacial, fiscalização de explosivos, segurança de defesa cibernética e prevenção ao terrorrismo.

Celso Amorim lembrou que a Marinha, o Exército e a Aeronáutica têm experiência na realização de eventos do tamanho do mundial. “Tivemos observadores militares atuando em eventos internacionais, como a Copa de 2010, na África do Sul, e as Olimpíadas de Londres, em 2012.” E completou dizendo que as Forças trabalharam na Conferência Rio+20, Copa das Confederações e Jornada Mundial da Juventude, que incluiu a visita do Papa Francisco, o que proporcionou aprendizado e segurança de grandes líderes internacionais e chefes de Estado, além da população civil.

Durante a coletiva, Amorim citou os meios que serão empregados pelas Forças. De aeronaves serão: 24 Super Tucano (A 29), dez caças F-5, três aviões radares (E-99), 47 helicópteros (sendo 36 para fiscalização e 11 exclusivos para defesa do espaço aéreo) e 29 aeronaves de apoio. Veículos navais: quatro fragatas, uma corveta, 21 navios-patrulha, um navio de desembarque e 183 lanchas.

A coletiva contou com a presença do chefe do EMCFA, general José Carlos De Nardi; do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; e do secretário extraordinário de Grandes Eventos, Andrei Rodrigues.

A cargo da Justiça, 100 mil homens de órgãos de segurança pública federal, estadual e municipal terão a responsabilidade de proteger a sociedade. Sobre isso, o ministro Cardozo acrescentou: “O melhor momento para a integração é a Copa do Mundo. O Brasil sai diferente em termos de segurança pública depois disso. Começamos a construir uma nova realidade de cooperação entre forças policiais”.

Assessoria de Comunicação social (Ascom)
Ministério da Defesa

Ajuda dos EUA na Nigéria é justificativa para a militarização da África

O manto da preocupação humanitária vai dando lugar, abertamente, ao objetivo maior a cargo do Comando Norte-Americano na África (AFRICOM), criado por Bush em 2007

Heloísa Villela heloisa.vilela@brasileconomico.com.br

Pobres meninas nigerianas. Se soubessem o quanto está se fazendo em nome delas... E não necessariamente no bom sentido. Não falo da campanha midiática pela libertação do grupo ou da operação militar em busca do cativeiro onde se encontram. As mais de duzentas jovens sequestradas pelo grupo terrorista Boko Haram, na Nigéria, são a mais recente justificativa do governo norte-americano para a rápida expansão militar na África, um processo que começou no governo George W. Bush mas ganhou velocidade estonteante na administração do Afro-americano Barack Obama. A reportagem de capa do último fim de semana, no site da rede NBC, explica tudo.

A manchete alerta: “Washington preocupada que Boko Haram esteja planejando ataques a interesses dos EUA na África”. Como sempre citando fontes anônimas do governo, a reportagem deixa bem claras as intenções da Casa Branca. Assim, o manto da preocupação humanitária vai dando lugar, abertamente, ao objetivo maior a cargo do Comando Norte-Americano na África (AFRICOM), criado por Bush em 2007 e descrito, na época, como um programa para defender os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos no continente.

No mundo pós-onze de setembro, quando era ainda mais fácil justificar qualquer expansão militar, o governo norte-americano montou uma ofensiva pelo controle da África, território e recursos naturais que disputa, acirradamente, com os chineses. A Nigéria é hoje a maior economia africana, produz 70% do petróleo do continente e os Estados Unidos já compram mais petróleo da África do que do Oriente Médio.

Paul Craig Roberts já foi editor do Wall Street Journal e também subsecretário do tesouro americano. Em 2011, em artigo publicado na internet, já dizia que "Washington briga pela hegemonia mundial sob a capa seletiva da intervenção humanitária e de levar a liberdade e a democracia aos povos oprimidos". Naquela época, o Africom já estava em plena implementação mas enfrentava algumas resistências. Primeiro, nenhum país africano aceitou ser a base do programa, ainda hoje sediado em Stuttgart, na Alemanha. Depois, enquanto 49 países do continente já concordavam em participar do Africom de uma maneira ou de outra, alguns poucos resistiram bravamente: Líbia, Sudão, Eritreia, Zimbábue e Costa do Marfim. Em todos estes países, com exceção do Zimbábue, houve, então, algum tipo de intervenção militar do Ocidente. A mais desastrosa e feroz de todas, sem dúvida, na Líbia, que provocou uma série de problemas. De imediato, a desestabilização seguida de golpe no Mali. E também uma correria pela posse do arsenal de Muammar Kadaffi. Hoje se sabe que boa quantidade das armas que sumiram da Líbia foram parar nas mãos do Boko Haram, justamente o grupo que sequestrou as meninas nigerianas. Paul Craig Roberts dizia, há três anos, que “mais cedo ou mais tarde Washington terá que admitir que esta busca pelo império levou o país à falência”.

Único país do mundo que divide o planeta em comandos militares, os Estados Unidos estão investindo continuamente na militarização do continente africano e as crises justificam a ação. O investimento de dinheiro público é gigantesco que volta para as mãos de empresas norte-americanas contratadas para tocar as obras planejadas no Pentágono. O jornalista Nick Turse, autor do livro “Kill Anything that Moves: The Real American War in Vietnam” (poderia ser traduzido como matar tudo que se move: a verdadeira guerra americana no Vietnã), na lista dos mais vendidos do New York Times, é o maior especialista nos projetos semi-secretos do Africom. Há poucos dias ele conseguiu entrar, como pagante, em um seminário das forças armadas para as grandes empreiteiras que trabalham para exército, marinha e aeronáutica dos Estados Unidos. No seminário, ele ouviu o que não consegue arrancar das autoridades quando se apresenta como jornalista. Enquanto o General David Rodriguez, Comandante do Africom, dizia, em entrevista à imprensa, que os Estados Unidos têm uma presença muito pequena no continente africano, o Capitão Rick Cook, chefe da divisão de engenharia do Africom, pintava um quadro bem distinto para os empresários. Nick Turse reproduziu as palavras do Capitão no site TomDispatch: “Nos 18 meses que já passei aqui, estivemos em guerra o tempo todo. Estamos tentando dar oportunidades ao povo africano para que enfrente os desafios africanos. Agora, infelizmente, operações na Líbia, no Sudão do Sul e no Mali, nos últimos dois anos, provaram que existe sempre algo acontecendo na África”. Ou seja, sempre surgem novas oportunidades de bons negócios, gastos militares, motivos para aumentar a presença bélica no continente. E foi justamente o que Rick Cook ofereceu aos empresários. Acesso aos grandes planos que o país tem para a África.

Oficialmente, os Estados Unidos têm apenas uma base no continente, em Djibuti. Mas Turse descobriu que além da expansão prevista para a próxima década em Djibuti, existem planos de instalação de um quartel general em Níger, uma cadeia de bases para vigilância em todo o norte da África e um outro complexo no Mali. O departamento de engenharia do Africom também contratou a construção de estruturas no Senegal e na Republica dos Camarões e esta financia alguns projetos com verba designada ao combate às drogas e ao terrorismo. Os Estados Unidos já têm acordos com 29 aeroportos internacionais na África para servirem de centro de reabastecimento. O modelo que está sendo adotado é o do Iêmen. Drones para vigilância e ataques aéreos vão aos poucos ganhando os céus do continente.

O Africom, filhote de Bush e Donald Rumsfeld, impulsionado no governo Obama, nada mais é do que a continuação, na prática, da Doutrina Carter. Em 1980, o democrata da Georgia determinou que o petróleo do Oriente Médio era um interesse vital dos Estados Unidos e o acesso a ele seria garantido, custasse o que custasse. Agora, é a vez da África.

A imagem da primeira dama Michelle Obama, com um cartaz pedindo a libertação das meninas da Nigéria correu o mundo. Não poderia haver simbolismo mais adequado do que usar a primeira inquilina Afro-americana da Casa Branca para reforçar, no imaginário coletivo da nação, a necessidade de manter as tropas à mão na África porque nunca se sabe do que serão capazes aqueles bárbaros!