sábado, 20 de janeiro de 2018

Conflito no Sudão do Sul afeta futuro de milhões de crianças, alerta chefe do UNICEF em visita ao país
Após uma visita de dois dias ao Sudão do Sul, país africano devastado pelo conflito e onde 250 mil crianças estão severamente desnutridas e em risco iminente de morte, a chefe do UNICEF disse que apenas o fim das hostilidades pode trazer esperança e segurança para as crianças e os jovens.
Henrietta H. Fore observou que os combates não mostram sinais de diminuir e as necessidades humanitárias são enormes: 2,4 milhões de crianças foram forçadas a fugir de suas casas.

Após uma visita de dois dias ao Sudão do Sul, país africano devastado pelo conflito e onde 250 mil crianças estão severamente desnutridas e em risco iminente de morte, a chefe da agência das Nações Unidas para a infância disse que apenas o fim das hostilidades pode trazer esperança e segurança para as crianças e os jovens.
“Acabei de passar dois dias no Sudão do Sul, onde vi em primeira mão como quatro anos de conflito provocados pelo homem deixaram as crianças doentes, com fome e à beira da morte”, disse Henrietta H. Fore, diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), na quinta-feira (18) na capital Juba, ao encerrar sua visita.
Ela destacou que o impacto da violência “implacável” tem sido “devastadora”. Fore lembrou um encontro com uma mãe que teve que caminhar por dias para obter tratamento para o bebê desnutrido. Relatando outro incidente sombrio, ela disse que falou com um menino que foi forçado a se juntar a um grupo armado com apenas 10 anos de idade.
Ao mesmo tempo, acrescentou que viu “sinais de esperança” que nascem das famílias que experimentam o horror.
“O UNICEF e outras agências humanitárias estão trabalhando localmente em algumas das condições mais perigosas para proporcionar às crianças e aos jovens necessidades básicas. Este não é um feito pequeno”, disse.
Ela lembrou que o Sudão do Sul como o lugar mais perigoso do mundo para agentes humanitários. No total, 28 trabalhadores humanitários foram mortos só no ano passado.
Forças leais ao presidente Salva Kiir e seu ex-vice-presidente Rieck Machar estão se enfrentando durante os últimos cinco anos. O que começou em 2013 como uma rivalidade política se tornou um conflito de enormes proporções, deixando cerca de 7 milhões de pessoas precisando de assistência e proteção imediata. Os combates também forçaram mais de 2 milhões a fugir para países vizinhos.
Fore observou que os combates não mostram sinais de diminuir e as necessidades humanitárias são enormes: 2,4 milhões de crianças foram forçadas a fugir de suas casas. Mais de 250 mil crianças estão gravemente desnutridas e em risco iminente de morte.
Além disso, mais de 19 mil crianças foram recrutadas para o conflito. Pelo menos uma em cada três escolas foi danificada, destruída, ocupada ou fechada. Mais de 1.200 casos de violência sexual contra crianças foram documentados.
“Os números continuam. São negadas a uma geração inteira de jovens as oportunidades que elas tão desesperadamente precisam para contribuir para construir sua sociedade”, disse ela.
À medida que a estação seca se aproxima, as necessidades – e ameaças – continuarão a crescer.
“Somente o fim das hostilidades pode trazer esperança e segurança às crianças e aos jovens do Sudão do Sul. Até então, precisamos de acesso incondicional e sustentável das partes em conflito e mais recursos dos doadores”, disse. “Sem isso, as vidas e os futuros de milhões de crianças no Sudão do Sul continuarão incertos.”
ONU e União Africana condenam violações de acordo
Comissão da União Africana e as Nações Unidas condenaram nesta semana (15) recentes violações ao Acordo de Cessação das Hostilidades, Proteção de Civis e Acesso Humanitário, no Sudão do Sul.
Em nota, o secretário-geral António Guterres e o presidente da Comissão Africana, Moussa Fali Mahamat, pediram a todas as partes do conflito que evitem novas ações militares e executem os compromissos assumidos.
O acordo, firmado em dezembro, prevê acesso irrestrito e seguro aos civis além de aderir às leis humanitárias e ao direito internacional.
Os líderes da União Africana e da ONU reafirmaram que apenas uma solução política pode solucionar o conflito no Sudão do Sul.
Eles pediram a todos que demonstrem vontade política para negociar um acordo permanente de cessar-fogo e atualizar o Acordo sobre a Resolução do Conflito no Sudão do Sul. O objetivo é acabar com o sofrimento ultrajante imposto à população do país.

No Sudão do Sul, a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta H. Fore, e o chefe de nutrição da agência, Joseph Senesie (de azul), falam com pacientes no Hospital Al Sabbah, na capital Juba, onde o UNICEF está implementando um programa de nutrição. Foto: UNICEF/Prinsloo