Sudão do Sul: ‘O que vi foi um horror’, diz
secretário-geral assistente da ONU para direitos humanos
17 de janeiro de 2014 · Destaque - ONU
Secretário-geral
assistente da ONU para Direitos Humanos, Ivan Šimonović visita Sudão do Sul.
Foto: UNMISS/Patrick Morrison
“O que eu vi foi um
horror. Destruição e morte estão por toda a parte em Bentiu, que agora se tornou
uma cidade fantasma“, relatou o secretário-geral assistente da ONU
para os Direitos Humanos, Ivan Šimonović, nesta sexta-feira (17), após uma
visita de quatro dias ao Sudão do Sul. “Eu mesmo vi 15 corpos deitados em uma
estrada.”
Simonović, que foi
verificar a situação humanitária do país, afirmou que “um mês de conflito fez
com que o Sudão do Sul retrocedesse uma década”, acrescentando que recebeu
relatos de assassinatos em massa, execuções extrajudiciais, detenções
arbitrárias, desaparecimentos forçados, violência sexual, destruição
generalizada de propriedades e uso de crianças nos combates.
Ele ressaltou que a
crise, que começou política, agora se tornou um conflito entre etnias, com um
grupo culpando o outro pela tragédia no país, onde milhares de pessoas morreram
e outras milhares estão deslocadas internamente. Cerca de 66.9 mil
sul-sudaneses procuraram proteção em bases da ONU.
“As comunidades
mais afetadas estão em Juba e em comunidades que mudaram de governo várias
vezes, como Bentiu e Bor. Isto levou à violência comunal generalizada e
destruição”, destacou.
Na visita a Bor,
Simonović conversou com o líder das forças antigoverno, Peter Gadet, para
lembrá-lo de suas obrigações em proteger os civis. Em Juba, ouviu relatos de um
assassinato em massa em uma delegacia cujos presos morreram por causa de sua
etnia.
Simonović se reuniu
com autoridades, forças antigoverno, grupos armados, funcionários da ONU,
representantes da comunidade diplomática e uma ampla gama de atores da
sociedade civil, incluindo os líderes tradicionais e comunitários. Ele também
esteve com deslocados internos e vítimas dos combates.
“Apontar os
responsáveis é fundamental. Uma comissão de inquérito independente e imparcial
deve ser estabelecida o mais rápido possível. Aqueles que cometeram esses
crimes terríveis, que ordenaram ou que não fizeram nada para impedi-los
enquanto estavam em posição de fazê-lo, devem ser responsabilizados sem
demora”, disse.
A Missão das Nações
Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) tem desempenhado um papel fundamental na
proteção dos civis ao longo das últimas semanas, observou Simonović. “Se a
UNMISS não tivesse aberto suas portas para proteger os civis que fogem da
violência, não há dúvida de que os assassinatos teriam acontecido em uma escala
muito maior”, afirmou.
Ele pediu que todas
as partes envolvidas no conflito permitam que as organizações entreguem ajuda
humanitária a quem necessita e disse que vai continuar alertando a comunidade
internacional sobre a situação dos direitos humanos no país, além de sugerir ao
secretário-geral da ONU e ao Conselho de Segurança algumas medidas para evitar
novas violações de direitos humanos no país.
Os confrontos no
Sudão do Sul foram retomados em 15 de dezembro, quando o presidente, Salva
Kiir, afirmou que soldados leais ao ex-vice-presidente Riek Machar, destituído
do cargo em julho, tentaram aplicar um golpe de Estado. Desde então, a
violência tem se caracterizado cada vez mais como perseguição étnica, já que
Kiir é do grupo Dinka e Machar, do Lou Nuer.